José Elito Carvalho Siqueira, chefe do Gabinete de Segurança Nacional(Renato Araújo/ABr/VEJA)
Erramos
A versão anterior desta nota informava incorretamente que o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general José Elito, havia sido rebaixado pela presidente Dilma Rousseff.
Na verdade, ele foi demitido na reforma ministerial e sua pasta, absorvida pela nova Secretaria de Governo, que toma o lugar da Secretaria Geral da Presidência e abriga em sua estrutura, além do GSI, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa e a Secretaria de Relações Institucionais.
O titular desse novo ministério é o petista Ricardo Berzoini.
Lamentando a perda de relevância do GSI, o general José Elito divulgou a seguinte carta:
1. Desde que a Sra Presidente da República me comunicou sua intenção de incluir o GSI na reforma administrativa, argumentei sobre a possibilidade de não inserir, em uma mudança política, um Ministério de Estado com 77 anos de existência (desde 1938) e com competências institucionais que exigiram, desde a sua criação, o nível ministerial. Disse-me, então, que ainda não havia decidido e que a argumentação fosse submetida ao Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República.
2. Com o Chefe da Casa Civil, tive uma excelente e longa troca de informações onde enfatizei o porquê de o GSI não ser incluído nesta reforma.
Além das considerações citadas anteriormente, detalhei nossas competências que tornam essenciais a manutenção do status quo. Sensibilizado, afirmou que abordaria o tema com a Sra Presidenta.
Julguei, naquele momento, que a decisão a ser tomada pudesse ser favorável ao GSI.
3. Por minha iniciativa, falei, ainda, com autoridades do primeiro escalão do governo sobre nossa preocupação com um dos mais antigos Ministérios do país sofrer mudanças significativas nas suas estrutura e competência.
Eles também foram sensíveis às justificativas apresentadas.
4. Ao saber no dia de hoje do conteúdo da reforma, cumpre-me, por um dever de lealdade e em memória aos que me antecederam, lamentar a decisão tomada que, no mais curto prazo, desejo que seja retificada para o bem da sociedade e do BRASIL.
5. Deixo o cargo de Ministro de Estado Chefe do GSI imensamente feliz e realizado pelo trabalho institucional executado.
Agradeço à Sra Presidenta as demonstrações de respeito durante esses 4 anos e 9 meses, desejando que o seu governo saiba conduzir nosso país e seu povo ao destino que merecem.
6. Meus sinceros agradecimentos a todos os senhores Ministros, Autoridades e Servidores com quem tive a satisfação de conviver nesse período.
7. Finalmente, não poderia deixar de agradecer e cumprimentar essa numerosa e excepcional equipe que compõe o GSI.
Lidar com profissionais como as senhoras e os senhores foi um prazer e um privilégio.
Desfrutar, cotidianamente, deste ambiente de responsabilidade, amizade, lealdade, espírito de equipe e camaradagem foi, também, um permanente alimento na minha motivação e na certeza de que estávamos no caminho certo, fruto da excelência dos resultados obtidos.
Parabéns e meus sinceros votos de saúde e realizações para todos.
ESTÃO SUPER VALORIZANDO UM CRÁPULA, MAFIOSO E BANDIDO.
Pixuleco, boneco inflável do
ex-presidente Lula(Ueslei Marcelino/Reuters)
O ministro Teori
Zavascki, relator dos processos do petrolão no Supremo Tribunal Federal (STF),
autorizou nesta sexta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja
ouvido, como informante, nas investigações da Operação Lava Jato.
Com isso, o maior
escândalo de corrupção da história da República chega definitivamente ao
ex-chefe máximo do país.
No despacho, Zavascki também permitiu que sejam
tomados os depoimentos de ex-ministros do governo petista, como Ideli Salvatti
e Gilberto Carvalho, e dos ex-presidentes da Petrobras José Sergio Gabrielli e
José Eduardo Dutra, do ex-tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, José de
Filippi Junior, e do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ele próprio um dos
presos pela Operação Lava Jato.
No início de
setembro, o delegado Josélio Azevedo Sousa solicitou ao Supremo Tribunal
Federal (STF) que o ex-presidente fosse ouvido nas investigações do propinoduto
armado para assaltar a Petrobras.
Conforme o documento, o ex-presidente pode
ter sido "beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo
vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo".
O
pedido da Polícia Federal é em parte amparado nos depoimentos do doleiro
Alberto Youssef, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa
e do ex-gerente de Engenharia da estatal Pedro Barusco.
O pedido para que o
petista prestasse depoimento faz parte de um dos inquéritos da Operação Lava
Jato em que são investigados, entre outros, o presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-tesoureiro do PT
João Vaccari Neto e parlamentares.
"Atenta ao
aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar
de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da Republica
Luiz Inácio Lula da Silva, que, na condição de mandatário máximo do país, pode
ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para
si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma
base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida
estatal", diz a PF.
'Eles sabiam' - Para embasar
o pedido, o delegado cita a delação premiada em que o doleiro Alberto Youssef
confirma que Lula e integrantes do Palácio do Planalto tinham conhecimento do
esquema criminoso do petrolão.
"A presente investigação não pode estar dissociada da
realidade fática que ela busca elucidar e, no presente caso, os fatos
evidenciam que o esquema que por ora se apura é, antes de tudo, um esquema de
poder político alimentado com vultosos recursos da maior empresa do
Brasil", completa a polícia.
Segundo os
investigadores, os depoimentos poderiam esclarecer pontos como por que nove
ministros e ex-ministros de Estado são citados ou investigados como
beneficiários diretos do esquema de corrupção e como o governo federal nomeou
diretores para a estatal do petróleo "em troca de apoio político".
"Neste cenário fático, faz-se necessário trazer aos autos as declarações
do então mandatário maior da nação, Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de que
apresente a sua versão para os fatos investigados, que atingem o núcleo
político-partidário de seu governo", diz a PF.
O líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO), comentou a recente denúncia de que uma Medida Provisória para o setor automotivo, em 2009, foi editada após lobistas terem recebido cerca de R$ 26 milhões para influenciar a decisão do governo.
"Esta notícia comprova que Lula transformou a corrupção em hóspede do Palácio do Planalto.
É impressionante como o ex-presidente aparece responsável por tudo que tem ocorrido de errado nos últimos anos e sempre tendo ao seu lado Dilma, que foi a ministra responsável por convalidar essa MP", lembrou Caiado.
Para o senador, é injusto ao Brasil assistir a escândalos se seguindo sem que se chegue ao principal nome por trás de todos esses esquemas.
"É um governo apodrecido, mergulhado em um lamaçal que enoja os brasileiros e ao mesmo tempo provoca desânimo, desesperança e desencanto da população.
Mais do que nunca fica claro que a sucessão de escândalos para enriquecimento de agentes políticos, e agora até de familiares, traz a necessidade de avançarmos num processo de afastamento da atual presidente e punição ao verdadeiro mentor desses esquemas", afirmou.