Derrota
e inquéritos pressionam futuro de Flávio; irmão sugeriu que ele deixe o país
Por Gustavo Ribeiro 25/10/2026
·A virada sofrida para Lula
(PT) no segundo turno das eleições 2026 para presidente da República não é uma
derrota qualquer para Flávio Bolsonaro
(PL).
O resultado impõe a ele um futuro político incerto.
Sem mandato de
senador a partir de fevereiro do ano que vem e com investigações em andamento
contra ele, entrará de vez no alvo da Justiça.
·Desde que foi eleito pela
primeira vez a um cargo público, ele não sabe o que não é ser parlamentar.
Em
2003 se tornou deputado estadual pelo Rio de Janeiro, onde emendou quatro
mandatos consecutivos.
Em 2018, na esteira da eleição de seu pai, Jair Bolsonaro,
elegeu-se senador.
·Os oito anos no Senado
Federal, porém, acabam em 31 de janeiro de 2027.
Como perdeu a eleição para
presidente, ficará sem cargo eletivo por pelo menos dois anos, quando haverá
eleições municipais. Mas não ter um cargo das urnas não significa que ele cairá
no ostracismo.
Pelo contrário.
·Quando anunciou que
disputaria a corrida presidencial, em dezembro do ano passado, a própria
direita virou os olhos.
O preferido e considerado o mais competitivo para
derrotar Lula era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), que se reelegeu em primeiro turno.
·Apesar disso, Flávio insistiu
na candidatura e conseguiu se firmar como o legítimo herdeiro político de Jair
Bolsonaro.
E teve um desempenho melhor que o do pai no primeiro turno, abrindo
quase dois pontos percentuais de vantagem para Lula — em 2022, o patriarca
ficou mais de cinco pontos percentuais atrás do petista.
No fim, foi capaz de
aglutinar a direita contra o PT.
E ficou muito perto de evitar um quarto
mandato de Lula.
·Flávio Bolsonaro
enfrentará inquéritos e investigações
·O fim do mandato de senador
tem um peso significativo para o futuro de Flávio Bolsonaro.
Fora do Senado
Federal, ele perde automaticamente o foro por prerrogativa de função e pode ver
sua situação jurídica mudar rapidamente.
E para pior.
·Ele enfrenta dois inquéritos
no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro está relacionado ao financiamento
do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio pediu R$
134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Polícia Federal
investiga o caminho do dinheiro.
O ministro André Mendonça está à frente do
caso na Corte.
·Na semana que antecedeu a
votação do segundo turno, o senador se tornou alvo de um novo inquérito, dessa vez conduzido pelo
ministro Alexandre de Moraes, que foi escolhido relator por sorteio na Suprema
Corte.
·As suspeitas são de lavagem
de dinheiro envolvendo o amigo dele e advogado, Willer Tomaz.
A Polícia Federal
apura se Tomaz era uma espécie de operador financeiro de Flávio. Na sexta-feira
(23), Moraes autorizou a quebra de sigilo da empresa offshore Alcazar Holdings,
de Tomaz.
O ministro também mandou bloquear até R$ 6 bilhões do advogado.
·Eduardo Bolsonaro sugere
que irmão se mude para os EUA
·A situação jurídica de Flávio
Bolsonaro, que perderá a imunidade parlamentar, fez com que o irmão dele, o
ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, sugerisse que o senador deixe o Brasil e se mude para os Estados
Unidos.
·“Eu suponho que, se meu irmão
não vencer, sou a favor de que ele deixe o país.
Sim, com certeza”, falou
Eduardo, na última sexta-feira (23), em entrevista ao programa “Louder with
Crowder”, do comentarista político Steven Crowder.
·A declaração ocorreu após o
debate da Band, em 18 de outubro, quando Lula falou sobre o futuro político de
Flávio no caso de derrota.
O tom de ameaça preocupou Eduardo, que se mudou para
os Estados Unidos em 2025, alegando perseguição política. “Você vai perder a
imunidade.
Você tem muitos inquéritos.
Se prepare.
Se seus amigos não estão
deixando andar. Agora vai andar”, afirmou o petista durante o debate.
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