OS 17 AUTOMÓVEIS MAIS CAROS VENDIDOS EM LEILÃO.

 

A compra de um clássico está intimamente ligada ao facto de se gostar do automóvel, mas também se pode revelar um investimento inteligente – a indústria ofereceu um impressionante retorno de 28% ao longo do ano passado. 


Procurámos as marcas de automóveis clássicos mais influentes da história da indústria automóvel e os modelos mais valiosos do mercado, apresentando-lhe a lista dos 17 automóveis mais caros vendidos em leilão.

 

17) Maserati 450S Prototype (1956) 


O  450S foi testado no Grande Prémio da Suécia em Agosto de 1956, onde os construtores do automóvel continuaram a ajustar o seu novo chassis e fazer melhorias. 


Foi vendido por 4.816.350$ a 10 de Maio de 2014, actualmente está avaliado em 4.979.000$.

 

16) Horsch 853A Special Roadster (1939)

 

O automóvel foi lançado em 1939 e depois importado para os EUA nos finais dos anos 40 por um veterano da II Guerra Mundial. 


Este roadster foi leiloado a 17 de Agosto de 2012 por 5.17.000$, estando, nos dias que correm avaliado em 5.511.000$.

 

15) Delahaye 135 Competition Court Torpedo Roadster (1939)

Vendido a 8 de Março de 2014 por 6.600.000$ este é um dos dois exemplares sobreviventes do raro modelo de 1939 da marca francesa. Actualmente está avaliado em 6.823.000 dólares.

 

14) Ford GT 40 Roadster (1965)

O “GT” em significa “Grand Tour”, enquanto o “40” refere-se à sua altura em polegadas. Foi originalmente construído pela Ford para vencer as 24 Horas de Le Mans. 

Vendido a 15 de Agosto de 2014 por 6.930.000$, vale actualmente 7.164.000 dólares.

 

13) Talbot-Lago T150-C SS (1938)

Os exemplares Talbot-Lago tornaram-se automóveis de grande valor em vários leilões, tendo sido um modelo de fábrica (em vez de personalizado) vendido por 418 mil dólares em 2013. 

Este exemplar foi vendido a 21 de Novembro de 2013 por 7.150.000$, actualmente o seu valor fixa-se nos 7.512.000 dólares.

 

12) 4½ Litre Supercharged ‘Blower’ Bentley (1929)

A personagem de Ian Fleming, James Bond, conduz um Blower Bentley em três dos filmes do agente secreto 007: Casino Royale, Live and Let Die e Moonraker. 

Actualmente avaliado em 8.428.000$, este exemplar foi arrematado em leilão por 7.906.745 dólares, a 29 de Junho de 2012.

 

11) Rolls-Royce 10 HP Two-Seater (1904)

Este automóvel é o mais caro Rolls-Royce já vendido, sendo reconhecido como tal pelo Guinness Book of World Records

A 3 de Dezembro de 2007 foi arremato por 7.254.290$, estando avaliado nos dias que correm em 8 milhões 562 mil dólares.

 

10) Shelby 260 Cobra (1962)

Em 2016, o primeiro Shelby Cobra estabeleceu o recorde para o automóvel americano mais caro vendido em leilão, 13.750.000$, batendo o Ford GT40 vendido em 2012. 

Actualmente está avaliado em mais de 14 milhões de dólares.

 

9) Porsche 917K (1970)

Arrematado em leilão a 19 de Agosto de 2017, por mais de 14 milhões de dólares, o 917K esteve em destaque no filme Le Mans, protagonizado por Steve McQueen.

 

8) McLaren F1 (1995)

Entre 1993 e 1997 foram produzidos 100 exemplares, muito aquém do número inicial que se fixava nas 300 unidades. 

A 18 de Agosto de 2017 um McLaren F1 foi arrematado por 15.620.000 dólares.

 

7) Alfa Romeo 8C 2900B Longo Spider (1939)

 

Este modelo da Alfa Romeo foi vendido pelo preço mais alto já pago em leilão por um automóvel pré-Segunda Guerra Mundial. 

O seu novo proprietário despendeu de 19,8 milhões de dólares, passados dois anos o automóvel está avaliado em mais de 20 milhões de dólares.

 

6) Bugatti Royale Kellner Coupe (1931)

Com um dos maiores motores alguma vez produzidos para um automóvel, o modelo Royale Kellner Coupe é um dos maiores e mais procurados automóveis. 

A 17 de Novembro de 1987 foi vendido por 9,8 milhões de dólares, passadas mais de três décadas está avaliado em 21.110.000$.

 

5) Duesenberg SSJ (1935)

Apenas dois exemplares deste modelo foram produzidos. O primeiro foi vendido ao actor Gary Cooper em 1935. 

O outro foi emprestado em 1936 ao actor Clark Gable. Este ano, a 25 de Agosto, o Duesenberg SSJ de Gary Cooper foi vendido em leilão por 22 milhões de dólares

 

4) Jaguar D-Type (1955)

O Jaguar D-Type venceu em três anos consecutivos (1955, 1956 e 1957) as 24 Heures du Mans. 

A 19 de Agosto de 2016 um exemplar do icónico modelo da marca britânica foi leiloado por 21.780.000$, passados dois anos seu valor ultrapassa os 22 milhões de dólares.

 

3) Aston Martin DBR1 (1956)

O DBR1 foi um dos três automóveis da década de 1950 que venceu o World Sports Car Championship e as 24 Horas de Le Mans no mesmo ano. 

A 19 de Agosto de 2017 foi vendido por 22.550.000$.

 

2) Mercedes-Benz W196 (1954)

O W196 venceu 9 das 12 corridas em que participou e conquistou os dois primeiros campeonatos mundiais em que competiu. 29,6 milhões de dólares foi o valor pago pelo seu proprietário num leilão realizado a 12 de Julho de 2013. 

Actualmente o valor do W196 da Mercedes ultrapassa os 31 milhões de dólares.

 

1) Ferrari 250 GTO (1962)

O 250 GTO combina a raridade com o sucesso competitivo e a sua inefável beleza. 

O icónico modelo da Ferrari detém desde 2014 o título do automóvel mais caro de sempre a ser vendido em leilão. 

No passado mês de Agosto um dos apenas 36 exemplares produzidos foi arrematado por mais de 48 milhões de dólares.

https://www.jornaldosclassicos.com/2018/11/27/os-17-automoveis-mais-caros-vendidos-em-leilao/


SEIS CLÁSSICOS DE CORTAR A RESPIRAÇÃO.

 

De entre a imensidão de automóveis produzidos no mundo, alguns ficam na história por bons motivos


Quer pela rapidez, elegância ou história, todos eles merecem ser preservados por igual. 


Hoje trago-vos a primeira parte dos doze clássicos que considero serem memoráveis.  


Esta primeira parte incluiu seis, metade, e detém alguns dos clássicos mais exquisite, na minha opinião. 


Será que os conhecem todos? Será que o leitor têm uma opinião divergente da minha? Deixe nos comentários a sua opinião enquanto aguarda pela segunda parte.

Delahaye 175 S Saoutchik Roadster

Subtil é algo que este fabuloso automóvel não é, mas na minha opinião continua a ser o clássico mais elegante. 


Baseado no chassis do Delahaye 175, esta versão roadster foi talhada especialmente para a estrela Diana Dors pela conceituada Saoutchik. 


É o azul celestial conjugado com os extensos cromados que conferem a este clássico o estatuto de magico. Em Agosto de 2010 foi leiloado por três milhões de dólares, na Califórnia.

Duesenberg Model SJ

Bastante apreciado pela elite americana e pela mafia, o Duesenberg era o carro de luxo mais veloz da América. 


Bastante requisitado pela sua escrupulosa construção e fiabilidade, o construtor gozou de uma popularidade sem limites. 


A procura era tanta, e o preço tão elevado, que a empresa vendeu bastantes chassis com motor, sem qualquer trabalho de carroçaria feito. Fruto da paixão automóvel dos dois irmãos  Duesenberg, a marca era gerida na totalidade por eles, sendo  August and Frederick responsáveis pelo design, teste e construção destas máquinas intemporais. 


Varias inovações como os travões de disco às quatro rodas e árvore de cames à cabeça foram introduzidas nos seus automóveis. 


Vários exemplares foram usados como publicidade, posando com estrelas de Hollywood. 


Podemos encontrar vários modelos desta marca em Auburn, EUA, no museu dedicado à conservação do passado das marcas Auburn, Duesenberg e Cord.

Chrysler Imperial

As linha deste clássico mostram a dedicação da Chrysler em atingir o topo do mercado americano. 


Sendo o melhor que a marca tinha para oferecer, em 1963 o Chrysler imperial sofre alguns aperfeiçoamentos estéticos, em parte devido a Elwood Engel, que fora estrategicamente «alienado» à concorrente Lincoln/Ford. Pessoalmente, acho que não poderia ter sido atribuído melhor nome a este automóvel cheio de um  carisma imperial.

Mercedes-Benz 540K Spezial Roadster

Foi em 1936 que o mundo espreitou pela primeira vez o mítico 540K Spezial Roadster. Capital do belo e do extravagante, foi mais uma vez paris que desvendou este clássico muito Spezial. 


Digno de umas linhas aerodinâmicas e equipado com um supercharger, este automóvel foi durante muitos anos o mais rápido do mundo, alcançando cerca de 170 km/h. 


A elegância deste modelo prende o olhar de qualquer um, apenas o suficiente para valer perto de 10 milhões de dólares.

Cord 810/812

Seguindo uma trajectória sublime de explanação, Errett L. Cord surge no panorama automobilismo americano, colhendo os frutos do seu mérito. 


Salvando a Auburn, e aglutinando a  Duesenberg, este visionário lança no mercado um automóvel inovador, sendo comparado ao próprio Traction Avant, da Citroën. A Cord, marca em honra do seu criador, lançou o modelo 810, que evoluiu para o 812 anos mais tarde, mantendo evidentes semelhanças.  


Este clássico foi pioneiro na tracção dianteira, suspensão independente e acima de tudo deixou a sua marca estilística de faróis embutidos. 


Atentando na imagem, não é possível identificar a presença dos faros dianteiros, estando posicionados sob uma portinhola de acção mecânica. 


Este automóvel foi um sucesso de vendas, sendo castigado pela segunda guerra mundial que fez estragos irreparáveis no sector automóvel americano.

Rolls-Royce Phantom I Coupe

Possivelmente o clássico com o design mais ousado, o Phantom inspira toda uma sensação de exclusividade difícil de superar. 


A massiva grelha frontal, as linhas aerodinâmicas bastante à frente do seu tempo, e os interiores luxuosos, são a imagem de marca deste fabricante à mais de um século. 


Quem será o sortudo que alberga um destes exemplares na sua garagem? 


Em 1991 reaparece um exemplar no mercado atingindo perto de três milhões de euros. Parece-me uma excelente compra!

https://www.jornaldosclassicos.com/2026/06/08/seis-classicos-de-cortar-a-respiracao/


EM 1959, SÃO PAULO DEU VOTOS SUFICIENTES PARA ELEGER UM RINOCERONTE.

 

O que isso diz sobre a política brasileira?

O CERCO QUE PODE DERRUBAR O REGIME CUBANO, E O PESADELO DO 'FORO DE SÃO PAULO',

                                                                                                                                             

 

Leandro Ruschel

9 de junho

Pela primeira vez em décadas, a ditadura cubana corre risco real de cair. 


E não por acaso. 


O regime que sobreviveu a onze presidentes americanos enfrenta agora um cerco econômico sem precedentes, costurado peça por peça pelo governo Trump.


Vale lembrar como chegamos aqui. Em janeiro, os EUA capturaram Maduro. Com a queda do chavismo, ou podemos chamar de “domesticação” do chavismo, Trump cortou a artéria que mantinha Havana respirando: o petróleo e o dinheiro venezuelanos.


“Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba: zero”, anunciou o presidente americano. 


Na prática, foi o fim de uma simbiose que durava décadas. 


Caracas bancava a ilha, e a ilha exportava os “serviços de segurança” que mantinham os ditadores venezuelanos no poder.


Cortada a fonte venezuelana, veio o aperto financeiro. 


Em 1º de maio, Trump assinou a Ordem Executiva 14404, autorizando sanções secundárias. 


Ou seja: punições contra empresas estrangeiras, não apenas americanas, que façam negócios com entidades cubanas sancionadas. 


O efeito foi imediato.


A engrenagem que o regime montou para se sustentar tem nome: GAESA, o conglomerado econômico-militar que controla a maior parte da economia da ilha. 


É o cofre dos militares que governam Cuba. E foi exatamente esse cofre que Washington mirou.


Essas determinações expõem como uma ditadura comunista funciona na prática: ao invés do “povo”, ou do “proletariado” no poder, há a elite do partido que concentra todas as riquezas do país, enquanto o povo é deixado na miséria. 


Quem reclama vai preso, ou é eliminado.


O Departamento de Estado sancionou a GAESA e sua presidente-executiva. Em 4 de junho, o governo americano foi além e atingiu o ditador Miguel Díaz-Canel diretamente, junto com familiares, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias e uma lista de entidades ligadas ao regime. 


Estas não são sanções genéricas contra “Cuba”. São sanções contra os nomes e estruturas que sustentam a ditadura.


O resultado foi uma debandada. A mineradora canadense Sherritt, maior investimento estrangeiro na ilha, anunciou saída imediata. 


As redes hoteleiras espanholas começaram a fechar operações: só a Meliá encerrou 15 dos 34 hotéis que administrava.


E o golpe mais simbólico: o banco estrangeiro que processava os pagamentos rompeu com a Fincimex, braço financeiro da GAESA, e Visa e Mastercard pararam de funcionar em Cuba a partir de 6 de junho.


Um país inteiro cortado dos pagamentos internacionais por cartão. Um economista cubano resumiu o quadro à AFP: 2026 será o pior ano da história econômica de Cuba em sete décadas.


Cuba vive sob embargo americano há mais de sessenta anos, e o regime sobreviveu a tudo, inclusive ao colapso da União Soviética. 


A diferença, desta vez, é a combinação: o fim do oxigênio venezuelano somado às sanções secundárias que afugentam o capital estrangeiro. 


É essa soma que torna a queda do regime uma possibilidade concreta, não uma certeza.


E é justamente por isso que o Descondenado Lula está furioso.


Não é casual que ele tenha chamado Marco Rubio, o secretário de Estado que arquiteta o cerco a Havana, de “latino-americano frustrado”. 


Rubio é filho de cubanos que deixaram a ilha em 1956, e Lula chegou a especular publicamente sobre sua origem:


“Não sei se ele nasceu em Cuba, parece que ele é filho de pessoas que nasceu [sic] em Cuba”.


A irritação tem raiz profunda.


Vale lembrar quem é Lula nessa história. Em 1990, ele fundou o Foro de São Paulo ao lado de Fidel Castro. 


O pretexto: articular a esquerda latino-americana após a queda do Muro de Berlim.


O objetivo real era outro: recuperar na América Latina o que o socialismo havia perdido no Leste Europeu, ou seja, ditaduras brutais esquerdistas. 


E o próprio Lula nunca escondeu a ambição. Em 2013, num encontro do Foro, foi explícito: “Eu quero debitar parte da chegada da esquerda ao poder na América Latina a essa cosita chamada Foro de São Paulo.”


No ano anterior, em vídeo de apoio à reeleição de Chávez, havia sido ainda mais claro:

“Quando criamos o Foro de São Paulo, nenhum de nós imaginava que, em apenas duas décadas, chegaríamos aonde chegamos. Naquela época, a esquerda só estava no poder em Cuba. Hoje, governamos um grande número de países.”


Repare na primeira pessoa do plural. 


Quem “governa”, na fala de Lula, não são presidentes eleitos. É o Foro.


E a fronteira entre projeto partidário e máquina do Estado, para Lula, nunca existiu. 


Em 2003, já presidente do Brasil, ele costurou o chamado Grupo de Amigos da Venezuela, instância diplomática montada com a estrutura do Itamaraty para socorrer Chávez, então acuado pela oposição.


Anos depois, o próprio Lula confessou a natureza da manobra: “só foi possível graças a uma ação política de companheiros. 


Não era uma ação política de um Estado com outro Estado, ou de um presidente com outro presidente.”


Leia de novo. O presidente da República admitindo, com todas as letras, que usou um instrumento da diplomacia brasileira não como política de Estado, mas como ação entre companheiros de projeto. 


O aparato público a serviço da causa partidária.


E não se tratava só de retórica. O projeto tinha logística, dinheiro e operadores. 


Cuba era o coração: a ilha de Fidel não era só o farol ideológico, era o MODELO, a prova de que uma ditadura de partido único poderia durar décadas sob o nome de “revolução”.


A Venezuela de Chávez, por sua vez, era o cofre, além de ser a prova de conceito sobre como o modelo totalitário cubano poderia ser replicado em outros países. 


Com os petrodólares de Caracas, o projeto continental ganhou musculatura financeira.


E o que esse modelo significa na vida real está documentado. 


Cuba fechou agosto de 2025 com 1.185 presos políticos, o maior número já registrado pela organização Prisoners Defenders, que contabiliza quase 1.900 presos de consciência desde os protestos de 11 de julho de 2021, em sua maioria cidadãos comuns que apenas foram às ruas. Tortura, presos doentes sem tratamento, expatriação forçada como pena.

É isso que a esquerda continental sempre chamou de “farol”.


Cuba nunca foi só um país pobre no Caribe. Por décadas, Havana exportou método: assessores de inteligência, doutrina de segurança, manuais de controle social e o saber-fazer de uma ditadura que aprendeu a sobreviver. 


Foi esse know-how que blindou Chávez, sustentou Maduro e inspirou Ortega. 


A ilha era a universidade do autoritarismo continental, e o Foro, a sua rede de ex-alunos.


Veja como a engrenagem funcionava na prática. Quando Chávez disputou a reeleição em 2012, quem cuidou da campanha foram os marqueteiros brasileiros João Santana e Mônica Moura, os mesmos das vitórias de Lula em 2006 e Dilma em 2010. 


Em delação premiada homologada pela Justiça, Mônica Moura confessou ter recebido mais de US$ 10 milhões em dinheiro vivo, entregues em malas pelo próprio Maduro, então chanceler, “às vezes no Palácio de Miraflores”.


Tudo em caixa dois. Parte dos recursos, segundo ela, veio das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutiérrez. 


E quem fez o contato inicial entre o casal e o chavismo, segundo o depoimento, foi Lula. 


“Quem me chamou para cá foi o presidente Lula”, disse a marqueteira quando ameaçava cobrar pagamentos atrasados.


A própria Odebrecht selou a conta. 


 Em acordo com a Justiça americana, a construtora admitiu ter pago cerca de US$ 98 milhões em propinas na Venezuela, seu maior desembolso fora do Brasil.


À parte disso, em delação ao Ministério Público Federal, Euzenando Azevedo, presidente da Odebrecht na Venezuela, relatou ter fechado em US$ 35 milhões a contribuição para a campanha de Maduro em 2013, em troca de prioridade em obras públicas. Era esse o circuito: construtoras brasileiras irrigavam campanhas bolivarianas, e os regimes bolivarianos devolviam o favor em contratos.

Em abril de 2013, com Chávez já morto, Lula gravou pessoalmente um vídeo de campanha para Maduro. “Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou”, declarou. 


Não era análise de ex-presidente sobre país vizinho. Era propaganda eleitoral de um chefe de Estado estrangeiro a serviço da continuidade do chavismo.


O alcance do Foro, porém, ia além das urnas. Em 2003, Raúl Reyes, então porta-voz das FARC, declarou à Folha de S. Paulo que conhecera Lula num encontro do Foro de São Paulo e que o principal contato da guerrilha no Brasil era o PT. 


A relação não era informal.


As Farc frequentaram o Foro desde o encontro fundador de 1990, e a ata de 1997 já tratava a guerrilha como aliada, um "núcleo de oposição" ao imperialismo. 


Só em 2002, quando os sequestros e o narcotráfico da organização ficaram impossíveis de ignorar, é que o Foro a afastou formalmente, tarde e por conveniência de imagem.


Quando líderes das FARC morreram em operações do governo colombiano, o PT enviou condolências à organização. E o governo Lula concedeu refúgio político a Oliverio Medina, representante da guerrilha no Brasil, negando o pedido de extradição feito por Bogotá.


Arquivos atribuídos ao laptop de Reyes, capturado pelo Exército colombiano em março de 2008, ainda registram contatos do PT e do governo Lula com a cúpula da guerrilha.


E não se trata de coincidência. Onde o Foro elegeu os seus, o roteiro se repetiu, porque o roteiro era o mesmo. 


Na Venezuela, o chavismo transformou o país mais rico em petróleo da região na maior catástrofe migratória do hemisfério, com milhões de exilados e, segundo a ONU, crimes contra a humanidade cometidos pelo regime; em novembro de 2025, o Foro Penal ainda contava 884 presos políticos.


Na Nicarágua, Daniel Ortega, herói da revolução sandinista convertido em déspota, prendeu sete pré-candidatos à Presidência antes da eleição de 2021, perseguiu a Igreja Católica, baniu a imprensa e reescreveu a Constituição para se eternizar ao lado da mulher.


Na Argentina, o kirchnerismo deixou inflação beirando 100% e uma ex-presidente condenada por corrupção em obras públicas, hoje cumprindo pena. 


Na Bolívia, Evo Morales rasgou o resultado de um referendo para tentar um quarto mandato em 2019 e mergulhou o país numa crise da qual não saiu. 


Chega-se pelo voto, e depois faz-se de tudo para nunca mais sair dele. Essa é a assinatura do Foro.


E não se pense que Lula recuou diante das evidências. Em maio de 2023, com a ditadura venezuelana já fartamente documentada por organismos internacionais, prisões políticas, fraudes eleitorais, torturas, deportações, milhões de exilados, ele recebeu Maduro com tapete vermelho no Palácio do Planalto e classificou o autoritarismo do regime como “a narrativa que se construiu contra a Venezuela, de antidemocracia e do autoritarismo”.


Note o que essa frase revela. Para Lula, o problema da Venezuela não era a tirania. 


Era a má reputação da tirania. A repressão não precisava acabar, precisava de marketing. 


Foi tão longe que até Gabriel Boric, presidente de esquerda do Chile, o desautorizou em público: o que se passa na Venezuela, disse, não é construção narrativa, é uma realidade, é grave. 


Quando o seu próprio campo precisa lembrá-lo de que ditadura não é questão de imagem, fica claro qual é a concepção de democracia do PT.


Some tudo. Cuba como modelo, Venezuela como cofre, construtoras como financiadoras, marqueteiros como operadores, guerrilhas como aliadas toleradas. 


Esse é o tabuleiro que Lula passou a vida montando. 


Derrubar o regime cubano não é, portanto, apenas mais uma sanção. É desmontar a peça central de tudo isso.


Na prática, o governo Trump está desfazendo o trabalho de uma vida. 


E faz isso enquanto realinha o continente: com Maduro fora, com Havana sufocada, os EUA reorganizam o hemisfério segundo a velha lógica de esfera de influência, agora reaquecida pela nova guerra fria contra a China.


O Foro de São Paulo passou trinta e seis anos fomentando o socialismo totalitário no continente. 


Se o regime cubano cair, cairá também o mito fundador de todo esse projeto. 


E essa é a verdadeira dimensão da fúria do Descondenado.

 


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