Comentário da Globo trata o candidato mais votado como ameaça e expõe a
reação da imprensa ao recado das urnas
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Derrotada nas urnas, a militância de
redação agora quer conter o eleitor.
Na segunda-feira de manhã, no Bom Dia Brasil, Míriam
Leitão resumiu o grande desafio do país, segundo a imprensa do regime:
“como conter as intenções
autoritárias de Flávio Bolsonaro”.
Conter. Preste atenção na palavra.
Conter o candidato que terminou o primeiro turno em primeiro lugar, mais de dois milhões de votos à frente do Descondenado.
Conter o eleitor que escolheu esse candidato.
Conter a reação popular contra anos de
censura, perseguição política, abusos judiciais e blindagem institucional.
Em quarenta e oito horas, a imprensa do regime, ministros do Supremo e o próprio Lula deram sua resposta às urnas. Muda o tom.
A mensagem
é uma só: eles não aceitam perder.
E a fala de Míriam é importante porque entrega a lógica
inteira.
Ela disse que o projeto do grupo de Flávio seria “diminuir” e “enfraquecer as instituições por dentro”.
E explicou por onde esse
projeto começaria: pelo Supremo, tentando o impeachment de ministros.
Agora, pare por um instante: o que exatamente ela acabou
de chamar de autoritário?
O impeachment de ministro do Supremo está
no artigo 52 da Constituição.
Quem decide são senadores eleitos pelo voto direto.
É um mecanismo constitucional, republicano, previsto para
responsabilizar autoridades que cometem crime de responsabilidade.
Para a comentarista da Globo, usar a Constituição é golpe.
Agora olhe para o que ela não chama de autoritário.
Um tribunal que abre inquérito de ofício, investiga, acusa e julga.
Perfis censurados sem contraditório.
Uma cabeleireira condenada a catorze anos por escrever com batom numa estátua.
Um ex-presidente condenado a 27 anos e 3 meses num show trial, hoje em prisão domiciliar, doente.
Um
tribunal que censura a própria emissora dela na véspera do debate.
Nada disso mereceu a mesma indignação.
O eleitor não votou contra um projeto autoritário imaginário.
Votou contra um regime de exceção em vigor, promovido pelo Supremo e aparelhado por militantes de esquerda.
E deu à direita o primeiro lugar na
disputa presidencial, 121 deputados ao PL e a maior bancada do Senado desde
1988.
Esse é o fato que a militância de redação não consegue
engolir.
E quem dá essa aula de
democracia?
Em 1972, Míriam Leitão militava no PCdoB sob o codinome “Amélia”.
Quem conta é ela mesma.
O PCdoB da época era o partido maoísta que organizava a guerrilha do Araguaia para implantar no Brasil uma ditadura comunista.
Amélia não pegou em armas. Fazia propaganda.
Cinquenta e quatro anos depois, o ofício parece o mesmo.
Hoje, ela faz o trabalho de passar pano para o regime petista, com aquele bordão que virou meme: “veja como isso é bom”.
Em agosto,
diante do brasileiro que não consegue mais encher o carrinho do supermercado,
ensinou que “os números nem sempre coincidem com a sensação”.
O custo de vida virou sensação.
A ameaça autoritária de Flávio, essa sim, virou fato.
A fala de segunda-feira é vergonhosa porque expõe uma imprensa colaboracionista do regime de exceção, uma das principais responsáveis pela destruição das instituições brasileiras nos últimos anos. Não por ignorância.
Por escolha.
É por isso que esse pessoal segue empurrando a censura da
internet: querem o monopólio da mídia de volta, para enganar e manipular o povo
sem ninguém para desmentir.
Outra militante de redação do regime foi além na cobertura do UOL.
A eleição mostraria desejo “não só de mudança, mas de desforra pelo julgamento do 8 de janeiro”.

Desforra.
Dezenas de milhões de brasileiros não votaram porque discordam do governo.
Não votaram porque querem freios institucionais.
Não votaram porque viram o país ser tomado por censura e perseguição. Não.
Segundo essa gente, votaram por rancor.
Se pedir
justiça para a cabeleireira do batom e para centenas de pessoas condenadas a
penas duríssimas por um protesto é desforra, qual é a palavra certa para o que
fizeram com essa gente?
Muda o
verbo, não muda o método: transformar o eleitorado numa massa golpista e
autoritária, enquanto elas seriam as “democráticas”.
Está aí a
vossa democracia.
Enquanto
uma ala da imprensa xingava o eleitor, outra passou a segunda-feira servindo de
correio para ministros do Supremo, repetindo que a corte busca diálogo e acordo
com uma ala “moderada” do PL.
E aí
entrou em cena Valdemar da Costa Neto.
Perguntado
na GloboNews sobre impeachment
de ministros, respondeu:
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