MIRIAM LEITÃO FALA EM "CONTER" FLÁVIO APÓS VITÓRIA NO PRIMEIRO TURNO.

 

Comentário da Globo trata o candidato mais votado como ameaça e expõe a reação da imprensa ao recado das urnas

Leandro Ruschel

out 6

Derrotada nas urnas, a militância de redação agora quer conter o eleitor.

Na segunda-feira de manhã, no Bom Dia Brasil, Míriam Leitão resumiu o grande desafio do país, segundo a imprensa do regime:

“como conter as intenções autoritárias de Flávio Bolsonaro”.

Conter. Preste atenção na palavra.

Conter o candidato que terminou o primeiro turno em primeiro lugar, mais de dois milhões de votos à frente do Descondenado. 

Conter o eleitor que escolheu esse candidato. 

Conter a reação popular contra anos de censura, perseguição política, abusos judiciais e blindagem institucional.

Em quarenta e oito horas, a imprensa do regime, ministros do Supremo e o próprio Lula deram sua resposta às urnas. Muda o tom. 

A mensagem é uma só: eles não aceitam perder.

E a fala de Míriam é importante porque entrega a lógica inteira.

Ela disse que o projeto do grupo de Flávio seria “diminuir” e “enfraquecer as instituições por dentro”. 

E explicou por onde esse projeto começaria: pelo Supremo, tentando o impeachment de ministros.

Agora, pare por um instante: o que exatamente ela acabou de chamar de autoritário?

O impeachment de ministro do Supremo está no artigo 52 da Constituição.

Quem decide são senadores eleitos pelo voto direto. 

É um mecanismo constitucional, republicano, previsto para responsabilizar autoridades que cometem crime de responsabilidade.

Para a comentarista da Globo, usar a Constituição é golpe.

Agora olhe para o que ela não chama de autoritário.

Um tribunal que abre inquérito de ofício, investiga, acusa e julga. 

Perfis censurados sem contraditório. 

Uma cabeleireira condenada a catorze anos por escrever com batom numa estátua. 

Um ex-presidente condenado a 27 anos e 3 meses num show trial, hoje em prisão domiciliar, doente. 

Um tribunal que censura a própria emissora dela na véspera do debate.

Nada disso mereceu a mesma indignação.

O eleitor não votou contra um projeto autoritário imaginário. 

Votou contra um regime de exceção em vigor, promovido pelo Supremo e aparelhado por militantes de esquerda. 

E deu à direita o primeiro lugar na disputa presidencial, 121 deputados ao PL e a maior bancada do Senado desde 1988.

Esse é o fato que a militância de redação não consegue engolir.

E quem dá essa aula de democracia?


Em 1972, Míriam Leitão militava no PCdoB sob o codinome “Amélia”. 

Quem conta é ela mesma. 

O PCdoB da época era o partido maoísta que organizava a guerrilha do Araguaia para implantar no Brasil uma ditadura comunista. 

Amélia não pegou em armas. Fazia propaganda.

Cinquenta e quatro anos depois, o ofício parece o mesmo.

Hoje, ela faz o trabalho de passar pano para o regime petista, com aquele bordão que virou meme: “veja como isso é bom”. 

Em agosto, diante do brasileiro que não consegue mais encher o carrinho do supermercado, ensinou que “os números nem sempre coincidem com a sensação”.

O custo de vida virou sensação.

A ameaça autoritária de Flávio, essa sim, virou fato.

A fala de segunda-feira é vergonhosa porque expõe uma imprensa colaboracionista do regime de exceção, uma das principais responsáveis pela destruição das instituições brasileiras nos últimos anos. Não por ignorância. 

Por escolha.

É por isso que esse pessoal segue empurrando a censura da internet: querem o monopólio da mídia de volta, para enganar e manipular o povo sem ninguém para desmentir.

Outra militante de redação do regime foi além na cobertura do UOL. 

A eleição mostraria desejo “não só de mudança, mas de desforra pelo julgamento do 8 de janeiro”.

 Desforra.

Dezenas de milhões de brasileiros não votaram porque discordam do governo. 

Não votaram porque querem freios institucionais. 

Não votaram porque viram o país ser tomado por censura e perseguição. Não. 

Segundo essa gente, votaram por rancor.

Se pedir justiça para a cabeleireira do batom e para centenas de pessoas condenadas a penas duríssimas por um protesto é desforra, qual é a palavra certa para o que fizeram com essa gente?

Muda o verbo, não muda o método: transformar o eleitorado numa massa golpista e autoritária, enquanto elas seriam as “democráticas”.

Está aí a vossa democracia.

Enquanto uma ala da imprensa xingava o eleitor, outra passou a segunda-feira servindo de correio para ministros do Supremo, repetindo que a corte busca diálogo e acordo com uma ala “moderada” do PL.

E aí entrou em cena Valdemar da Costa Neto.

Perguntado na GloboNews sobre impeachment de ministros, respondeu:



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