◘ HÁ MAIS DE 100 PROVÉRBIOS OCULTOS NESTE QUADRO FLAMENCO DE 1.559.

Há mais de 100 provérbios ocultos neste quadro flamenco de 1559
No mesmo ano que Elizabeth Tudor era coroada rainha da Inglaterra e chegava ao Brasil o primeiro "carregamento" de tráfico negreiro, o pintor holandês Pieter Brueghel, o Velho, fez algo novo: um quadro de um metro e meio de largura composto por mais de uma centena de representações literais das expressões e os provérbios da época. O quadro se chama "Nederlandse Spreekwoorden", "Os provérbios flamencos", mas originalmente foi intitulado A capa azul ou a loucura do mundo".
Há mais de cem provérbios ocultos neste quadro flamenco de 1559
Este outro nome fazia referência, por um lado, à personagem do centro da pintura e, por outro, às debilidades e as loucuras humanas, temas centrais da obra de Brueghel junto com o absurdo. O quadro em questão é uma mistura dos três temas.

E se falamos que há "mais de cem" provérbios é porque ninguém sabe ao certo quantos são. O Museu Estatal de Berlim identificou a grande maioria, mas a pintura transborda de referências e poderia ter provérbios ocultos que não chegamos a entender. Outros são expressões que ainda são usadas, inclusive em português:
·       Nadar contra a corrente: Opor-se a opinião generalizada.
·   Colocar um sino (guizo) no gato: Atrever-se a fazer algo difícil ou perigoso.
·       O dado foi lançado: A decisão foi tomada
·  Pôr paus nas rodas: Colocar obstáculos nos planos de outro.
·       Armado até os dentes: Estar muito armado.
·       Peixe grande come o pequeno: Os poderosos abusam dos débeis.
· Bater a cabeça contra a parede: Tentar conseguir o impossível.
De outros podemos deduzir seu significado com maior ou menor dificuldade:
· Querer matar duas moscas de uma vez: Ser muito ambicioso. Querer matar dois pássaros com um tiro.
·  Os tontos conseguem as melhores cartas: A sorte pode triunfar sobre a inteligência. Todos os bobos têm sorte.
·    Quem engole fogo, caga faíscas: As más ações acarretam piores consequências. Quem semeia vento, colhe tempestades
·  Ser um mordedor de pilares: Ser um religioso hipócrita. Santo do pau oco.
·    Estender a vela segundo sopra o vento: Agir segundo o que mais convenha pessoalmente. Inclinar-se segundo sopra o vento.
·       Onde míngua o trigo, abundam os porcos: Se uma pessoa ganha, outra tem que perder.
E os demais são tão estranhos que se tornam impossíveis de entender para quem fala o português, ainda que tenham seu equivalente:
·  Ter o telhado cheio de tortas: Viver luxuosamente. Amarrar o cão com linguiça.
·       Limpar o cu na porta: Tratar algo despreocupadamente.
· Cagar pelo mesmo buraco: Ser inseparável. Ser unha e carne.
· Casar sob o pau da vassoura: Viver juntos sem estar casados. Ajuntados.
·       Pôr a capa azul no marido: Trair o marido. Bota chifre.
·  Ser capaz de amarrar até o diabo a um travesseiro: A obstinação supera tudo. Quem acredita sempre alcança
Se você quiser ver o quadro e explorar os provérbios de perto, ele é exibido na Gemäldegalerie de Berlim.

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