Por
Priscila Gorzoni
De SÃO PAULO, especial para a Gazeta do Povo 17/07/2026
O Instituto Agronômico (IAC), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, desenvolveu o Faustrime, primeira variedade brasileira de limão caviar registrada no Registro Nacional de Cultivares.
A fruta, com sabor levemente ácido e textura
que lembra caviar, conquistou chefs de
cozinha como Allan Beckmann, e deve chegar aos mercados ainda este ano — com
preço estimado entre R$ 400 e R$ 1,2 mil o quilo, dependendo da variedade, da
disponibilidade e da época de comercialização.
Entre os principais compradores, estima-se que estejam restaurantes e chefs.
Beckmann
conta que a textura da fruta harmoniza bem nas finalizações dos pratos que
prepara, com realce no sabor do peixe branco, de uma vieira ou de um niguiri.
A fruta de aparência exótica, tonalidades
marrom, amarelo, rosa, verde, avermelhado, se tornou queridinha da gastronomia
pelo sabor da polpa que é formada por pequenas esferas que se soltam facilmente
e explodem na boca, uma experiência sensorial que se assemelha ao caviar.
Nativo da Austrália, o limão caviar é uma espécie de cítrico conhecido
cientificamente como Microcitrus australasica.
O limão caviar chama a atenção pelo formato alongado, semelhante a um dedo e, principalmente, pela polpa formada por pequenas vesículas esféricas que lembram “ovas de peixe”, característica que originou sua denominação em inglês (finger lime ou citrus caviar).
O uso comercial da fruta é recente.
“Embora seja popularmente denominado limão devido à elevada acidez, a fruta não pertence ao mesmo grupo dos limões verdadeiros, como o siciliano e das limas ácidas, como o tahiti”, compara Marinês Bastianel, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Interessada em incorporar o fruto à
culinária paulistana, ela desenvolveu uma versão da fruta, o IAC 281 Faustrime,
que deve chegar aos mercados brasileiros nos próximos meses.
A pesquisadora selecionou a primeira variedade de limão caviar do país, registrada em 2023 e que segue como a única desse tipo presente no Registro Nacional de Cultivares (RNC).
O Faustrime foi
retirado do Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis, que mantém aquele
que é considerado o maior banco de germoplasma de citros do mundo, com cerca de
1,7 mil materiais genéticos de diferentes países.
“É essa diversidade que permite aos pesquisadores desenvolver e selecionar novas variedades, como o limão caviar.
Esses materiais são muito importantes para estudos de melhoramento genético, inclusive por apresentarem resistência a algumas pragas e doenças dos citros”, explica Bastianel.

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