LULA NEWS EM PÂNICO, O CLIMA NO SUPREMO E OS PROTETORES DE TOFFOLI.

Brasil entrou numa nova fase do processo político iniciado em 2019. 


E essa fase tem uma característica conhecida em qualquer revolução que se proponha a destruir garantias institucionais em nome de um bem maior: em determinado momento, o mecanismo criado para perseguir adversários passa a atingir parte dos próprios aliados.


Durante sete anos, sob o argumento da defesa da democracia, consolidou-se um regime de exceção. 


O chamado inquérito das fake news — aberto de ofício, sem sorteio, com relatoria definida por canetada — transformou-se num instrumento permanente de repressão política. 


A Constituição foi relativizada. A jurisprudência foi moldada conforme a necessidade do momento. 


A atividade do Ministério Público foi esvaziada. E qualquer crítica passou a ser enquadrada como ameaça institucional.


A imprensa profissional não apenas silenciou. Aplaudiu.


Aplaudiu o fechamento de veículos oposicionistas. Aplaudiu a censura de conteúdos. 


Aplaudiu prisões preventivas alongadas. Aplaudiu a transformação de decisões excepcionais em rotina. 


Tudo isso sob o mantra da proteção democrática.


O que mudou agora não é o método. O método é o mesmo. O que mudou é o alvo.


Após as revelações envolvendo contratos milionários ligados ao Banco Master — incluindo o contrato de R$ 129 milhões envolvendo o escritório da esposa do ministro Moraes e os R$ 35 milhões recebidos por empresa da qual o ministro Toffoli era sócio — o inquérito foi novamente mobilizado. 


Desta vez, para investigar supostos vazamentos na Receita Federal.


Em vez de responder às revelações, investiga-se quem tornou as informações públicas.


Esse comportamento não é novidade. Um dos primeiros atos de maior vulto do inquérito foi censurar uma revista que expunha relações incômodas envolvendo ministros. 


Também foi encerrada investigação na Receita que apurava movimentações atípicas de autoridades. 


O padrão sempre foi o mesmo: diante da exposição, ativa-se o mecanismo de autoproteção.


A diferença agora é que a imprensa percebeu que pode estar dentro do perímetro de investigação.


Subitamente, aquilo que era celebrado como defesa institucional passou a ser descrito como possível intimidação ao trabalho jornalístico. 


O discurso mudou porque o risco mudou.


O que esse episódio revela é algo mais profundo: há fissuras no próprio establishment.


O pacto de proteção mútua que sustentou o regime de exceção começa a apresentar rachaduras. Colunistas relatam clima de desconfiança interna. 


Há suspeitas de dossiês. Há acusações cruzadas. Há temor de chantagem. Quando um sistema sustentado por repressão perde coesão interna, ele entra numa fase crítica.


Regimes se mantêm por legitimidade ou por medo. 


A legitimidade foi perdida quando a Lava Jato expôs o mar de lama. 


A resposta foi ampliar o medo. Agora, se o medo começa a atingir também aliados, a estabilidade fica comprometida.


É nesse contexto que surgem vozes defendendo paciência estratégica. 


Argumentam que basta aguardar a próxima eleição. Que o processo institucional normal produzirá correção. Essa leitura ignora o ambiente real.


Com o inquérito aberto, com precedentes de censura e inelegibilidade recentes, com líderes presos e centenas de pessoas ainda respondendo sob regime de exceção, não existe processo eleitoral normal. 


Uma canetada pode redefinir candidaturas. A experiência de 2022 não é hipótese; é antecedente.


A única possibilidade concreta de restauração institucional passa pela perda acelerada de legitimidade do regime. 


E legitimidade não se perde apenas por escândalo. Perde-se quando há pressão social organizada, constrangimento político e exposição sistemática do que está ocorrendo.


Impeachment, por exemplo, não é apenas instrumento jurídico. 


É instrumento político de emparedamento. 


Mesmo que não prospere, retira o conforto narrativo de quem governa sob a justificativa da defesa democrática.


O que está em curso não é apenas disputa jurídica. 


É disputa de sobrevivência dentro do próprio establishment


E quando um sistema entra nesse tipo de conflito interno, ele se torna imprevisível.


A revolução que prometeu salvar a democracia criou um mecanismo permanente de exceção. 


Agora esse mecanismo começa a se mover em direções inesperadas.


Essa é a fase mais delicada.


Porque ou haverá recomposição institucional, ou haverá aprofundamento da repressão.


E o tempo para fingir normalidade está se esgotando.


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