EPSTEIN FILES: OS PRINCIPAIS ESCÂNDALOS E AS CONEXÕES COM O BRASIL.

 

Na sexta-feira, o Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos publicou, em obediência a uma lei, 3,5 milhões de páginas a respeito das atividades do falecido financista facilitador de tráfico sexual de menores, Jeffrey Epstein. São os Epstein Files.


A nova leva de documentos inclui 2.000 vídeos e 180 mil fotos de relevância variável. 


As fontes são os autos de cinco processos contra Epstein e sua companheira e cúmplice, Ghislaine Maxwell, além de processos investigando as circunstâncias do suicídio do criminoso na prisão em 2019 e múltiplas investigações do FBI.


Uma das novidades é a foto de Maxwell ao ser presa. 


Ela continua em cárcere, no estado de Connecticut, cumprindo pena de 20 anos por tráfico sexual e conspiração desde 2022. 


As vítimas mais novas de Maxwell e Epstein tinham 14 anos.


Outra revelação é que Epstein poderia ter ao menos um filho mantido em segredo, talvez mais. 


A criança nasceu de uma mãe adolescente que disse que teve o bebê arrancado de seus braços minutos após nascer. Os eventos teriam acontecido em 2002.


“O departamento preferiu errar para o lado de coletar material demais”, diz a nota do DoJ sobre os documentos. Mais de 500 advogados trabalharam na publicação.


As revelações que envolvem o Brasil.


Até o momento, as novidades para o Brasil não são muitas. 


Já era conhecido, por exemplo, o ativismo a favor de Luiz Inácio Lula da Silva feito pelo linguista de esquerda Noam Chomsky, que pode ser visto em uma foto acompanhando Epstein em uma viagem de jatinho.


Há novas mensagens em que o ex-articulador de campanha de Donald Trump, Steve Bannon, se gaba de ter amizade com a família Bolsonaro em conversa com Epstein, logo antes das eleições de 2018. 


Epstein opinou que Bolsonaro tinha uma grande oportunidade por não ter influxo de refugiados ou interferência da União Europeia: “Ele só precisa recuperar a economia. É grande”, disse em mensagem de celular.


Quando Bannon perguntou a Epstein se deveria aceitar um convite para ser “conselheiro” de Bolsonaro, o financista respondeu que seria “uma discussão sobre reinar no inferno”, “você não conhece ninguém lá”. 


Na conversa, contudo, fica claro que os dois sabiam que Bannon não participou da campanha de Bolsonaro.


Há um vídeo de uma entrevista que Bannon fez com Epstein. 


O tom da entrevista, contudo, é pouco amigável. 


Bannon acusou Epstein de ter enriquecido fazendo favores para gente maligna e perguntou se ele é o diabo. 


Epstein respondeu que “não, mas eu tenho um bom espelho”. 


Ele também disse que seu dinheiro não era sujo, mas “ganhado legalmente”, e que era uma boa pessoa por doar vacinas de poliomielite na Índia e no Paquistão.


O irmão de Epstein, Mark, disse à NBC News no ano passado que o propósito das entrevistas com Bannon era um documentário em 2019 com intenção de reabilitar a imagem do condenado por tráfico sexual de menores. 


O documentário nunca veio à tona.

Em um e-mail com remetente e destinatário anonimizados pela curadoria dos documentos, há uma menção a João de Deus, líder espiritual e curandeiro condenado em 2018 por múltiplos estupros e outros crimes. 


Trata-se de uma menção a uma reportagem do tabloide britânico The Sun alegando em fevereiro de 2019 que uma das denunciantes de João havia cometido autoextermínio.


O jornalista investigativo David Ágape, contudo, apurou meses depois que a denunciante forjou o próprio suicídio


O motivo de o e-mail estar nos Epstein Files é que a denunciante, um mês antes da fraude, alegou ter descoberto um esquema de barrigas de aluguel para o mercado negro, e que ela própria teria recebido uma oferta em dinheiro de Epstein para participar. 



A história, assim como o suicídio, provavelmente é falsa.


Outro documento ligado ao Brasil é o relatório de uma agente do FBI que estava no Brasil na época das eleições de 2022 e narrou, de forma parcial e incompleta, uma briga de bar envolvendo um amigo e funcionário do Departamento de Estado na Asa Norte, em Brasília. 



Apuramos a questão e falamos com o dono do bar. Confira aqui.


As outras menções ao Brasil estão principalmente em relatórios de consultores de investimento. 


São nesses relatórios que estão citados os ministros do STF Gilmar Mendes e Luiz Fux, por terem emitido decisões a respeito de precatórios, tema que interessa a investidores. 


Alexandre de Moraes também aparece nos documentos, mas apenas numa notícia recente, após a morte de Epstein, sobre as sanções Magnitsky contra ele que se encerraram em dezembro de 2025. 

Lula também aparece em notícias sobre programas econômicos, também no contexto de e-mails do mundo financeiro.


Alegações sobre Donald Trump.


Há centenas de menções ao presidente americano Donald J. Trump nos arquivos. 


Ele pode ser visto também em diversas fotos acompanhando Epstein, inclusive em festas.


O Departamento de Justiça disse em nota que “Alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump que foram enviadas ao FBI logo antes da eleição de 2020”. 


A instituição acrescentou que se as alegações fossem verdadeiras, “certamente já teriam sido usadas como arma contra o presidente”.


Há tabelas dedicadas a compilar as alegações, que às vezes mencionam detalhes lascivos como suposto sexo forçado com o político. 


Há observações dos agentes como “conversamos com a reclamante e verificamos que não tem credibilidade. 


Pesquisa adicional mostrou três incidentes separados envolvendo a polícia em que foram solicitadas avaliações psiquiátricas obrigatórias”.


O jornal The New York Times, com linha editorial de oposição a Trump, examinou 5.300 arquivos em que ele é mencionado 38 mil vezes. 


Nenhum dos arquivos é comunicação direta entre os dois homens. 


Uma das alegações é de uma suposta vítima que disse um mês após a morte de Epstein que foi levada à mansão de Trump, Mar-a-Lago, onde o primeiro teria comentado ao último “Esta é boa, hein?” O jornal comenta que “as notas não sugerem má conduta por parte do Sr. Trump”.


O veículo diz que Trump e Epstein foram amigos no começo dos anos 2000, mas deixaram de ser. 


Após o fim da amizade, “Epstein permaneceu intensamente interessado em seu ex-amigo, o que incluiu a busca de formas de usar a ascensão política de Trump em benefício próprio”.


O jornal aproveitou para lembrar uma reportagem na revista New York de 2002 em que Trump disse que Epstein era “um cara excelente” e que “gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas tendem a ser mais novas”. 


E uma homenagem que Trump teria feito em 2003, na ocasião do aniversário de 50 anos de Epstein, em que ilustrou um poema com o corpo de uma mulher e usou sua assinatura no lugar dos pelos pubianos no desenho.


Um e-mail entre os documentos mostra que Epstein estava querendo falar com Trump em 2011 sobre uma mulher chamada Virginia Giuffre. 


Ela é uma das vítimas mais proeminentes de Epstein e disse que se envolveu com ele enquanto trabalhava em Mar-a-Lago. 


Ela se suicidou em 2025.


Trump disse que terminou a amizade com Epstein quando ele “roubou” Giuffre de Mar-a-Lago. 


O presidente americano observou que a vítima nunca o acusou de má conduta.


Ex-príncipe e político do Reino Unido em fotos constrangedoras; mais uma ligação com o Brasil.


Antes dos escândalos dos Epstein Files, o sobrenome complicado de Andrew Mountbatten-Windsor raramente aparecia na imprensa britânica. 


Ele era simplesmente o príncipe Andrew, irmão do Rei Charles III. 

Ele perdeu seu título real no ano passado, por causa das revelações anteriores.


As novas revelações complicam ainda mais a vida de Andrew. Ele aparece numa foto de quatro sobre uma mulher deitada no chão do apartamento de Epstein em Nova York. 


Os curadores do arquivo ocultaram o rosto da mulher.


Comunicações mostram que o ex-príncipe convidava Epstein para visitar moradias da realeza como o Palácio de Buckingham, mesmo após o primeiro período de Epstein na prisão — 13 meses de detenção na Flórida por solicitar prostituição de menor de idade.


Outro britânico a se enrolar com as revelações é o ex-ministro trabalhista Peter Mandelson, também membro da Câmara dos Lordes. 


Suas conexões com Epstein lhe custaram o cargo de embaixador nos Estados Unidos no ano passado.


Agora, Mandelson apareceu numa foto de cueca e camisa, acompanhado de uma mulher anonimizada. 


Foi revelado, também, que o político recebeu US$ 75 mil de Epstein em três parcelas entre 2003 e 2004. 


Na época, Mandelson era deputado (membro da Câmara dos Comuns). 


Ele nega a autenticidade dos recibos de pagamento revelados.


O político é casado com um brasileiro, Reinaldo Ávila da Silva, com quem tem relacionamento desde os anos 1990. 


A conta bancária de Reinaldo foi usada para os pagamentos a Mandelson, e o motivo apresentado foi um empréstimo para pagar por um curso de “osteopatia” para o brasileiro.


Outros e-mails mostram Mandelson conversando com Epstein sobre comprar, por dois milhões de libras esterlinas, um apartamento no Rio de Janeiro. 


O objetivo era evitar pagar impostos ao máximo. Os dois também conversaram a respeito de abrir uma empresa no Brasil em nome de Mandelson e seu parceiro.


Mandelson respondeu às revelações dizendo que ele e seu parceiro jamais foram proprietários de imóveis no Brasil.


O primeiro-ministro Keir Starmer, do mesmo partido, agora está pedindo que o correligionário renuncie a seu título de lorde. Mandelson deixou o Partido Trabalhista no domingo (1º).


Bilionários se enroscam


O bilionário britânico Sir Richard Branson também terá dor de cabeça. 


Um e-mail de 2013 o mostra dizendo a Epstein que “foi muito bem vê-lo” em um encontro na ilha do britânico. 


Branson acrescentou: “Quando estiver na área, eu adoraria te ver. Contanto que você traga o seu harém!”


Branson também aconselhou Epstein a usar Bill Gates para reabilitar sua imagem após sua prisão em 2008. 


“Acho que se o Bill Gates estiver disposto a dizer que você foi um ótimo consultor para ele, que você errou há muitos anos ao dormir com uma mulher de 17 anos e meio de idade e foi punido por isso”, a imagem do criminoso poderia ser reabilitada, sugeriu o britânico.


“Você mais que aprendeu sua lição e não fez nada contra ele desde então e, sim, como um homem solteiro, parece que você tinha uma queda por mulheres. 


Mas não há nada de errado nisso”, acrescentou Branson.


Bill Gates, por sua vez, foi citado em um rascunho de e-mail que Epstein mandou para si mesmo em 2013. 


Na mensagem, escrita como se Epstein estivesse interpretando o papel de um funcionário que anuncia sua partida da Fundação Bill e Melinda Gates (da qual ele não fazia parte), o financista alega que fez vários favores, “de ajudar Bill a conseguir medicamentos para lidar com as consequências do sexo com meninas russas, a facilitar seus encontros com mulheres casadas. (…) Sou um médico, mas não tenho a capacidade de escrever prescrições”.


As alegações contra Gates não foram provadas. 


Um porta-voz de Gates, em entrevista à BBC, disse que “Essas alegações, que vêm de um mentiroso comprovado e ressentido, são absolutamente absurdas e completamente falsas”. 


Segundo o porta-voz, o rascunho de mensagem só prova a que ponto Epstein estava disposto a ir para criar armadilhas e difamações contra Bill Gates.


Elon Musk também aparece nos arquivos. Ele perguntou a Epstein quando seria a “festa mais doida” na ilha do financista. 


O interesse de Musk era “se soltar”. Epstein perguntou quantas pessoas Musk queria levar à sua ilha, Little Saint James (“Pequena São Tiago”), e prometeu mandar um helicóptero para buscá-lo. Musk disse que seriam só ele e sua parceira na época, Talulah Riley.


Musk nega que a festa tenha acontecido e diz que nunca foi à ilha. 


Em sua rede social X, ele disse que ninguém fez mais pressão que ele pela liberação dos Epstein Files


“Tenho muito pouca correspondência com Epstein e recusei vários convites para ir à sua ilha ou para voar em seu ‘Lolita Express’, mas estava bem ciente de que nossa troca de e-mails poderia ser mal interpretada e usada por detratores para denegrir meu nome”, o bilionário comentou.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

EM DESTAQUE

EPSTEIN FILES: OS PRINCIPAIS ESCÂNDALOS E AS CONEXÕES COM O BRASIL.

  Na sexta-feira, o Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos publicou, em obediência a uma lei, 3,5 milhões de páginas a respeito ...

POSTAGENS MAIS ACESSADAS