Polzonoff Ana Elisa: queria sentir raiva, mas não consigo Ana Elisa.
A moça de apenas 21 anos teve mais de 500 mil votos.
E logo foi convocada para a guerra política, ideológica e eleitoral nas redes sociais.
18 Vi.
Tive que ver, mas não acreditei no que vi.
Vi de novo.
E de novo.
Não é possível que mais de 500 mil pessoas tenham votado na moça que, com todo o respeito, tem sérios problemas de formação.
Mas votaram e não é só isso.
A moça, incapaz de uma ideia original e soterrada por clichês daqueles bem clichezentos mesmo, é vista como uma promessa da política.
Estamos ferrados.
Raiva, porém, não consigo sentir.
Até queria, porque a raiva é catártica.
Mas pesquiso um tiquinho, imagino outro tanto, e tenho diante de mim uma Ana Elisa que vai além da personagem caricata desta eleição.
Descubro uma moça que é produto deste século.
Ressentida porque a ensinaram a ser ressentida.
Doutrinada por mestres que a convenceram de que ela é “especial”.
Não é.
Tomada por um auto-ódio 19 evidente e evidentemente triste.
Crédula de que será capaz de consertar o mundo e moldá-lo de acordo com critérios muito pessoais do que é o certo.
O que é bem perigoso.
Pena A moça, incapaz de uma ideia original e soterrada por clichês daqueles bem clichezentos mesmo, é vista como uma promessa da política.
Estamos ferrados Vinte e um anos.
Aos 21 anos, minha maior preocupação era conquistar o coração das moças.
E ter minha pretensa (e falsíssima) genialidade precocemente reconhecida.
Aí gosto de imaginar.
O que teria acontecido se, em 1998, Fernando 20 Henrique Cardoso tivesse convocado aquele moleque magro, espinhento e orelhudo para ajudar na campanha à reeleição?
Que bobagens eu teria dito com a mesma arrogância de Ana Elisa?
Com o mesmo olhar fixo de quem acha que tem todas as respostas para todos os problemas do mundo?
Daí a pena que expresso com cuidado, muito cuidado, para não soar superior.
Porque não sou.
Pena por ver Ana Elisa, de um lado, sendo instrumentalizada pelos macacos-velhos inescrupulosos do PT.
Seduzida pela mentira da autoimportância.
E, de outro, sendo trucidada na guerra política.
Espero, realmente espero, que a moça aprenda e amadureça com isso tudo.
21 O que me parece até natural.
Que ela perca o ar exageradamente circunspecto com que fala as coisas mais estúpidas do mundo.
E, com sorte, que Ana Elisa aprenda a rir. Inclusive de si mesma.


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