
Bill Gates quer curar o Alzheimer, e doou muito dinheiro para
isso
O filantropo bilionário Bill Gates gosta de se
envolver em várias causas. Sua mais nova missão é uma que tem sido impossível
para os melhores cientistas até hoje, mas ele pensa que podemos mudar isso em
breve: curar o Alzheimer.
“Eu acredito que há uma solução”, Gates disse à
CNN. “Qualquer tipo de tratamento seria um grande avanço, mas o objetivo a
longo prazo tem que ser a cura”.
Números
A doença de Alzheimer acomete 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo,
segundo um levantamento feito pela Alzheimer’s Disease International (ADI).
Além disso, a incidência da doença na população idosa praticamente dobra
a cada 20 anos. A previsão é que o número de pacientes chegue a 65,7 milhões em
2030 e a 115,4 milhões em 2050.
Não haver cura para uma condição que afeta tantas pessoas (bem como
todos a seu redor) já é muito ruim, com um agravante de que sequer podemos
tratá-la ou melhorar significativamente seus sintomas, por não sermos capazes
ainda de detectá-la com antecedência suficiente.
Tal situação vai levar a uma perda na economia mundial equivalente a US$
1 trilhão em 2018, podendo chegar a US$ 2 trilhões até 2030, conforme reportado
pela revista Época. Esse valor é superior ao PIB de todos os países, com
exceção das 15 maiores economias do mundo. Em outras palavras, se o custo
global da demência fosse um país, seria a 16ª maior economia do mundo.
Histórico
Faz mais de um século que a doença foi identificada pelo médico alemão
Dr. Alois Alzheimer. Em 1906, ele descreveu o caso de uma mulher com uma doença
peculiar marcada por perda de memória significativa, paranoia e outras mudanças
psicológicas.
Mas foi somente quando Alzheimer realizou uma autópsia em seu cérebro
que o caso se tornou ainda mais impressionante: ele descobriu que seu cérebro
tinha encolhido expressivamente, e havia depósitos incomuns dentro e ao redor
das células nervosas.
80 anos depois, os cientistas finalmente identificaram o que esses
depósitos eram: placas e emaranhados de proteínas chamadas amiloide e tau, hoje
sinais claros da doença de Alzheimer.
Tanto amiloide quanto tau são proteínas que ocorrem naturalmente.
Contudo, em um cérebro com Alzheimer, algo faz com que as amiloides se agrupem
e bloqueiem as vias de mensagens das células nervosas. Eventualmente, as taus
começam a enrolar-se dentro dos neurônios.
Dificuldade de diagnóstico
Tudo isso contribui para uma quebra do caminho neural que ajuda nossas
células a se comunicarem, eventualmente levando a problemas mentais.
Essas mudanças podem começar anos antes de qualquer pessoa exibir
sintomas de perda de memória ou mudanças de personalidade – mas não temos como
saber disso.
A única maneira de diagnosticar definitivamente a doença de Alzheimer
ainda é realizando uma autópsia no cérebro depois que a pessoa já morreu, o que
é bastante inútil.
Motivação pessoal
Para Gates, a luta é pessoal. Ele está investindo US$ 50 milhões de seu
próprio bolso no Dementia Discovery Fund, uma parceria de pesquisa
privada-pública, focada em ideias novas sobre o que desencadeia a doença no
cérebro.
“O fardo [do Alzheimer] é bastante inacreditável. Vários dos homens da
minha família têm essa doença. Eu vi o quão difícil é. Essa não é minha única
motivação, mas certamente me influenciou”, afirmou.
Gates acredita que o avanço da cura tem sido mais lento do que todos nós
esperávamos. Desde 2002, por exemplo, houve mais de 400 estudos de tratamentos
para o Alzheimer, mas nenhum se tornou clínico.
Existem alguns medicamentos no mercado que podem ajudar com sintomas
cognitivos, como perda de memória ou confusão, mas nada que realmente alveje a
doença de Alzheimer, revertendo seus danos.
Detecção e intervenção precoce: as
chaves
Nos últimos cinco anos, a melhoria na tecnologia de imagem nos permitiu
ver as proteínas tau e amiloide em pessoas vivas.
O Dr. James Hendrix, que lidera a equipe da Global Science Innovation da
Associação de Alzheimer, acredita que esse desenvolvimento é o pilar para a
cura. “Você precisa de boas ferramentas para encontrar a terapêutica certa”,
disse. “Se pudermos pegar os primeiros sinais de Alzheimer, então estaremos
tratando um cérebro mais saudável a fim de mantê-lo principalmente saudável,
coisa muito mais difícil quando o dano já está feito”.
O Dr. Rudy Tanzi, da Universidade de Harvard, concorda que a tecnologia
de imagem tem sido essencial na compreensão da patologia e de tratamentos
potenciais. Tanzi descobriu vários genes associados à doença.
O neurologista acredita que precisamos pensar no Alzheimer como pensamos
no câncer ou nas doenças cardíacas: “É assim que vamos superar a doença, com
detecção e intervenção precoce”.
Entra Gates
A maioria das pesquisas sobre o Alzheimer até hoje focaram nas proteínas
tau e amiloide, o que Gates gosta de chamar de “padrão”.
Com sua doação, o bilionário espera estimular a pesquisa em ideias
inovadoras sobre a doença, como investigar o papel das células gliais que
ativam o sistema imunológico do cérebro, ou como a vida útil da energia de uma
célula pode contribuir para a condição.
Gates crê que será uma combinação de pensamentos convencionais e
originais que levarão a possíveis tratamentos. “Idealmente, algumas dessas
drogas convencionais iniciará o caminho para a redução do problema em dois ou
três anos. Mas acho que essas novas abordagens acabarão fazendo parte do regime
de drogas que as pessoas vão adotar”, opinou. [CNN, Época, ABRAZ]
Nenhum comentário:
Postar um comentário