Depois de Zambelli, a Itália julgará um caso ainda mais embaraçoso para o regime brasileiro
Relembre o
caso Tagliaferro e compreenda por que seu julgamento poderá expor ainda mais as
feridas na Justiça do Brasil
O caso de Tagliaferro é ainda mais escabroso
que o de Carla Zambelli: ele é acusado de “tentativa de golpe” justamente por
denunciar supostas irregularidades cometidas sob a gestão de Moraes no TSE.
Tagliaferro chefiou a orwelliana Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), do TSE, e denunciou que o órgão teria virado uma central de censura à direita.
As demandas por “fake news” partiriam do próprio gabinete de Moraes no Supremo, repassadas por seu juiz instrutor, e não eram anônimas, como propagava o tribunal.
Quando ele
não achou justificativa para censurar a Revista Oeste, mandaram-no “usar a
criatividade”.
Vale lembrar quem alimentava a engrenagem.
Segundo Tagliaferro, parte das denúncias que viravam censura à direita partia de colaboradores informais e militantes ligados à esquerda, de universidades e de organizações de “checagem”.
Na prática, o regime terceirizava a caça aos
opositores para a própria militância.
No Senado, ele revelou ainda um grupo informal de WhatsApp, o “Atos Antidemocráticos”, que reunia servidores do TSE e a Polícia Federal para identificar manifestantes do 8 de janeiro cruzando imagens com o banco biométrico de eleitores.
E acusou Moraes de combinar alvos com o
PGR Paulo Gonet, montando relatórios com datas retroativas para justificar
operações já feitas.
Em qualquer país sob o estado de direito, denúncias dessa gravidade seriam investigadas.
No atual regime brasileiro, é o denunciante quem passa a ser tratado como criminoso e perseguido.
A suposta vítima do “crime” é a própria autoridade que ele acusa: Moraes, ao mesmo tempo relator, ofendido e quem pediu a extradição.
E o PGR, que deveria ser o acusador imparcial, é também alvo das denúncias do réu.
Quem deveria julgar e quem deveria acusar são parte interessadas.
Ainda assim, a PGR o denunciou por
vários crimes, até mesmo “tentativa de abolição violenta do Estado Democrático
de Direito”, com penas somadas que podem chegar a 22 anos.
Pior: a defesa sustenta que ele nunca foi citado regularmente.
Tagliaferro mora na Itália, com endereço nos autos, o mesmo para onde Moraes pediu a extradição.
Mesmo assim, o relator usou citação por edital, reservada a quem está em lugar incerto.
Como o regime sabe o endereço para pedir a extradição, mas não para seguir o devido processo legal e citá-lo formalmente?
A própria DPU, nomeada por Moraes, pediu para sair do caso
por violação da ampla defesa.
A Corte de Cassação italiana, análoga ao Supremo brasileiro, já decidiu que Zambelli não pode ser extraditada, no caso em que Moraes atuou como relator num processo em que era vítima.
No caso de
Tagliaferro, Moraes não é só a suposta vítima, mas também o denunciado pelas
próprias revelações.
Enquanto isso, o aparato não foi desmontado, foi reforçado.
A AEED segue ativa, agora dentro de uma estrutura maior, o CIEDDE, que acoplou Polícia Federal, MPF e Anatel à mesma engrenagem.
Mesmo
“combate à desinformação”, mesma lógica, mais poder de polícia.
Teremos mais uma eleição marcada por censura e
perseguição à direita?

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