Planalto desaba para Temer e Maia e aliados pulam do barco e deixa o presidente na mão
Publicado em 16 de out de 2017
"Daqui para frente, vou, exclusivamente,
cumprir meu papel institucional: presidir a sessão", foi o recado de
Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, a Michel Temer sobre a
denúncia contra o mandatário na Casa, às vésperas do início das votações. A
declaração foi mais um sinal de ruptura do ex-fiel escudeiro de Temer no
Legislativo, após a reação do presidente diante da divulgação pelo site da
Câmara dos áudios sigilosos de Joesley Batista e dos vídeos da delação do
operador financeiro Lúcio Funaro, que atacam Michel Temer. A polêmica está no
fato de que Maia informou que as gravações, disponibilizadas no portal da
Câmara, não estavam em sigilo, uma vez que foram inclusive anexas à denúncia
contra o presidente da República e encaminhados a ele e aos ministros Moreira
Franco (da Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (da Casa Civil), para produzirem
suas defesas. "Como é possível depreender da leitura das decisões que
encaminharam a denúncia e as cópias dos inquéritos à Casa, não há determinação
de restrição de acesso a qualquer parte da documentação. (...) Essa informação
foi confirmada pelo próprio presidente da Câmara dos Deputados em reunião com
Fachin, e com a ministra Cármen Lúcia, no STF", informou a Presidência da
Câmara em nota. Entretanto, o ministro relator dos processos no Supremo, Edson
Fachin, confirma que tais arquivos estão guardados pelo segredo de Justiça e
não poderiam ter sido liberados: "tudo que se refere à colaboração"
está sob sigilo, informou a assessoria do ministro. As mídias de Funaro e
Joesley endossam acusações contra Michel Temer e após a divulgação do material,
o advogado do presidente, Eduardo Carnelós, criticou duramente a liberação dos
arquivos, antecipados pela Folha de S. Paulo neste sábado (14). Carnelós disse
ser "evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende
insistir na criação de grave crise política no país". Maia, entretanto,
tomou as críticas como dirigidas à Câmara e rebateu: "Incompetência é
pouco para justificar as agressões do advogado. A defesa do presidente recebeu
todos os documentos. Nunca imaginei ser agredido pelo advogado do presidente
Temer. Depois de tudo que eu fiz, essa agressão não faz sentido. Daqui para
frente vou, exclusivamente, cumprir meu papel institucional, presidir a
sessão", afirmou. "Ser tratado como criminoso é muito difícil",
completou. A situação gerou uma nova descompensação para o governo diante de
seus aliados no Congresso às vésperas das votações da denúncia contra o
mandatário. Está programado para esta quarta-feira (18) na Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara a votação do relatório alternativo à denúncia,
antes de ser levado ao Plenário da Casa.
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