Geddel, irmão e mãe viram réus no caso do
bunker de R$ 51 milhões
Ex-ministro é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e
organização criminosa. Decisão da Segunda Turma do STF foi unânime
A Segunda Turma do STF (Supremo
Tribunal Federal) transformou o ex-ministro Geddel Vieira Lima, seu irmão Lúcio
Vieira Lima e a mãe Marluce Quadros Vieira Lima em réus na ação que investiga
o bunker em Salvador (BA) com R$ 51 milhões.
A decisão foi tomada pela Segunda
Turma nesta terça-feira (8). Os três se tornaram réus por unanimidade e
respondem pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Geddel e Lúcio Vieira Lima
foram denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) em
dezembro do ano passado. Na mesma época, o ministro Edson Fachin determinou o
bloqueio de bens da família, estimados em R$ 12,7 milhões.
Fachin bloqueou imóveis na Bahia.
Segundo as investigações, os locais eram utilizados para lavagem de dinheiro. A
PGR também aponta o envolvimento da mãe de Geddel e Lúcio, Marluce Quadros
Vieira Lima.
A PF ainda investiga a origem do
dinheiro e uma das possibilidades apontadas é que doleiro Lúcio Funaro teria
levado malas de dinheiro a Geddel em voos a Salvador, que totalizaram R$ 20
milhões.
Funaro disse, em delações, que há
maços de dinheiro de um banco ligado a J&F nos R$ 51 milhões. O doleiro
também disse que operou propinas para Geddel em negócios da Caixa Econômica
Federal.
A Segunda Turma é composta pelos
ministros Edson Fachin, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e
Dias Toffoli.
Malas e caixas de dinheiro
Em setembro de 2017, a PF (Polícia
Federal) iniciou a operação Tesouro Perdido e encontrou um apartamento em
Salvador (BA) com malas e caixas cheios de notas de R$ 50 e R$ 100.
O Residencial José da Silva Azi fica
localizado no bairro da Graça, considerado de classe média alta. O dinheiro foi
atribuído a Geddel e, depois de contabilizado, somou R$ 51 milhões.
Segundo o despacho do juiz Vallisneu
de Souza Oliveira, o apartamento não está no nome do ex-ministro, mas é de
pessoas próximas a ele. Geddel teria autorização para utilizar o espaço para
guardar os R$ 51 milhões.
Geddel foi ministro da Secretaria de
Governo do presidente Michel Temer (MDB) e pediu demissão em novembro de 2016
após uma polêmica envolvendo o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.
Calero afirmou que Geddel teria o
pressionado para que ele liberasse um empreendimento imobiliário na Bahia, onde
Geddel tem um imóvel e que havia sido barrado pelo Iphan (Instituto do
Patrimônio Histórico Nacional), subordinado ao Ministério da Cultura.
Geddel Viera Lima também foi ministro
da Integração Nacional no 2º mandato do governo Lula e vice-presidente de
Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal no governo Dilma.
O STF (Supremo Tribunal Federal) vai
analisar nesta terça-feira (8) se Geddel Vieira Lima vai se tornar réu no
processo que investiga o bunker com R$ 51 milhões atribuídos ao ex-ministro
Foto:
BBC BRASIL
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