Advogado de Lulinha afirma que acusações
de Roberta Luchsinger contrariam depoimentos prestados às autoridades;
empresária pretende fazer delação premiada (Foto: EFE/Fernando Bizerra Jr./Arquivo; Ricardo
Stuckert/PT)
Lulinha estabelece o modelo de tráfico de influência e de corrupção no governo Lula
Por Sílvio Ribas
- Brasília
- 20/10/2026
às 11:45
- Atualizado
em
20/10/2026
A atuação dos amigos Roberta Luchsinger e Fábio Luiz Lula da
Silva, o Lulinha, pode descrever o esquema padrão para facilitar negócios
obscuros com o atual governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Seus detalhes
mostram uma rede que alia relações pessoais com nenhuma transparência.
Diálogos captados pela Polícia Federal (PF) revelam que acessos ao governo eram pagos com dinheiro vivo, beneficiando o ex-chefe de gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
A principal suspeita envolve tentativa de favorecer Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, em contratos na Saúde que somariam R$ 627 milhões em medicamentos.
Mensagens mostram Roberta pedindo
agendas oficiais com autoridades enquanto fazia pagamentos de contas pessoais
para Marcola.
A defesa alega que os valores eram empréstimos pessoais quitados, sem intermediação ou favorecimento para entes privados.
Roberta relatou à CNN Brasil uma rotina de reuniões de Lulinha com
ministros do governo e até o curioso expediente deles de recorrerem a ela e ao amigo para ter acesso
direto a Lula.
Encontros informais em mansão
se juntam a agendas em ministérios
A dinâmica mediada por Marcola revela um canal informal de negociação no coração do poder federal, cuja legalidade e trocas de favores são apuradas.
As reuniões ocorriam numa mansão no Lago Sul, em Brasília.
Visitantes adotavam codinomes e o contrato do imóvel foi assinado
por um terceiro.
A operação encabeçada por Lulinha tem paralelos às relações do Banco Master com Lula.
O presidente recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro fora da agenda oficial no final de 2024, encaminhando demandas ao Banco Central.
Esse trânsito livre reforça as suspeitas de
privilégios para o setor privado.
O interesse do grupo nas grandes verbas da Saúde repete também o modus operandi de escândalos passados, como a Operação Sanguessuga, de 2006, que fraudou compra de ambulâncias.
A PF mapeia se a
estrutura atual usa os mesmos métodos de pressão política para a liberação de
verbas públicas.
Na arena política, a ala governista no Congresso agiu para conter os danos.
Em dezembro de 2025, a CPMI rejeitou a convocação de Lulinha por 19 votos a 12.
Logo depois, em março, o Supremo
Tribunal Federal (STF) sustou quebras de sigilo aprovadas em bloco, com clara
blindagem de autoridades.
Delação de Roberta pode
acelerar investigações que têm poupado Lulinha
Lulinha mudou-se para Madri, na Espanha, de forma definitiva em junho de 2025.
Roberta, alvo de inquéritos da PF no
âmbito da Operação
Sem Desconto, que apura fraudes e desvios bilionários no INSS,
cumpre medidas cautelares da Justiça que exigem que ela use uma tornozeleira
eletrônica.
Lulinha nega as acusações e afirma que os seus contatos com ministros são estritamente pessoais.
O Palácio do Planalto
declarou que Lula não sabia das ações e que o governo não tem contratos com os
investigados.
Questionado, o presidente reagiu de forma
incisiva, classificando Roberta de “mentirosa” e “pilantra”, mesmo ela tendo
integrado o círculo familiar dos Lula da Silva. Ela diz que Lula se provou
“covarde” e “mau caráter” para proteger Lulinha e que os gestos dele ameaçam a
vida dela e das filhas.
O clima de desconfiança evoca as investigações da Lava Jato sobre repasses ao Instituto Lula e a ocultação de patrimônio por terceiros.
Mesmo com as anulações de condenações anteriores pelo
STF devido a falhas processuais, os novos inquéritos desgastam profundamente a
imagem ética do governo.
O desfecho depende da validação das provas e de uma possível delação premiada desejada por Roberta Luchsinger.
Enquanto o governo tenta isolar o presidente do escândalo em plena corrida
presidencial, a PF aprofunda as perícias nas mensagens para determinar o real
alcance da corrupção.
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