
Lava Jato: MPF denuncia 62 pessoas
envolvidas com doleiros
Suspeitos são acusados de lavagem de dinheiro
e participação em organização criminosa
OMinistério Público Federal denunciou, na noite desta
quarta-feira (6), 62 pessoas sob acusação de lavagem de dinheiro e participação
em organização criminosa, em decorrência da investigação da Operação Câmbio,
Desligo, deflagrada há um mês.
A
investigação levou à prisão dezenas de doleiros.
O principal deles, Dario
Messer, continua foragido, após ser delatado por seus dois funcionários,
Vinicius Claret e Cláudio Barbosa.
A
denúncia, de 816 páginas, tem entre os acusados o ex-governador Sérgio Cabral
(MDB), alvo da 25ª denúncia do MPF.
Claret e
Barbosa detalharam em delação premiada como funcionava um sistema que reunia
doleiros de todo o país que movimentou cerca de US$ 1,6 bilhão (o equivalente a
cerca de R$ 5,3 bilhões) envolvendo mais de 3.000 offshores em 52 países.
Conhecido
como Juca Bala, Claret já foi citado por executivos da Odebrecht, o corretor
Lúcio Funaro e os doleiros Renato e Marcelo Chebar, que atuavam para o
ex-governador Sérgio Cabral (MDB).
Claret
operava tanto contas no exterior como era capaz de fornecer dinheiro vivo para
corruptores interessados em pagar as quantias a agentes públicos.
Concentrava,
assim, as duas pontas da operação dólar-cabo, usada para despistar as
autoridades financeiras do país.
Embora
atuassem no Brasil, os dois operavam o complexo sistema de dólar-cabo desde o
Uruguai. Grande parte dos recursos em espécie eram movimentados pela
transportadora de valores Transexpert, já mencionada na delação do operador
Álvaro Novis.
Claret e
Barbosa foram presos em março do ano passado no Uruguai em decorrência da
Operação Eficiência, feita com base na delação dos irmãos Chebar e que prendeu
o empresário Eike Batista.
Claret foi citado como tendo auxiliado na evasão de
US$ 85,4 milhões de Cabral (equivalente a mais de R$ 282,4 milhões) -o que
agora revela-se ser apenas uma fração de toda operação da dupla.
Assim como
a Odebrecht, o sistema "bankdrop" dos doleiros identificava os
responsáveis pelas transações por apelidos.
Os irmãos Chebar, por exemplo,
receberam o nome de "Curió".
Os Chebar
procuraram a ajuda de Juca Bala após o volume de propina do ex-governador
aumentar consideravelmente após ele assumir o estado.
Em razão de sua prisão
ter ocorrido numa operação da Lava Jato do Rio, ele acabou identificado como
"doleiro do Cabral", embora os dois tenham se conhecido de fato
apenas na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, para onde foi
levado em janeiro após ser extraditado do Uruguai.
DOLEIROS
DOS DOLEIROS
Claret e
Barbosa são descritos como "doleiros dos doleiros" pelo Ministério
Público Federal. Os dois operavam o dólar-cabo desde a década de 1980, em
agências de turismo da família Messer no Rio de Janeiro.
Em 2003,
os dois decidem se mudar para o Uruguai a fim de fugir do monitoramento de
autoridades financeiras do Brasil. No ano seguinte, eles "herdam" as
operações da família Matalon, doleiros que atuavam em São Paulo.
Ao
acumular as duas maiores praças do mercado de câmbio, passam a ser considerados
os "doleiros dos doleiros". Isso porque quase nenhum operador do mercado
tem a capacidade de operar as duas pontas do dólar-cabo sem o auxílio de outros
doleiros.
Embora
fossem os grandes operadores, Claret e Barbosa recebiam uma pequena
participação do lucro dos negócios. A maior cota era destinada a Dario Messer,
que dava respaldo às operações com seu nome e captava clientes. Com informações
da Folhapress.
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