
Segundo
pesquisadores da Universidade de Iowa (EUA), a sonda Voyager 2 entrou
finalmente no espaço interestelar, tornando-se o segundo objeto feito pelo
homem a alcançar o feito atrás de sua colega Voyager 1, que saiu do sistema
solar em 2012.
Viagem
longa
As sondas Voyager 1 e
2 foram lançadas da Terra ao espaço separadas por apenas algumas semanas em
1977, com missões e trajetórias diferentes.
A Voyager 1 entrou no espaço interestelar a uma
distância de 122,6 unidades astronômicas (UA, sendo que 1 UA equivale a
distância da Terra ao sol), enquanto a Voyager 2 entrou no espaço interestelar
a 119,7 UA, ou mais de 17 bilhões de quilômetros de distância do sol.
E como sabemos que
elas de fato deixaram o sistema solar?
Pela diferença na
densidade do plasma.
Salto na densidade do plasma
No novo estudo, os
mesmos pesquisadores que confirmaram a entrada da Voyager 1 no espaço
interestelar em 2012 o fizeram para a 2.
De
acordo com os pesquisadores, a sonda cruzou a linha na data de 5 de novembro de
2018, quando foi notado um “salto” na densidade do plasma por um instrumento
colocado na nave pelos cientistas de Iowa.
O
aumento acentuado é uma evidência de que a Voyager 2 saiu do ambiente de baixa
densidade do vento solar para o plasma frio e de maior densidade do espaço
interestelar – um salto semelhante foi experimentado pela Voyager 1, medido
oito meses depois de sua entrada sete anos atrás.
Heliosfera
Apesar das sondas
terem trajetórias diferentes, elas saíram do sistema solar a basicamente a
mesma distância do sol. Isso nos dá pistas para a estrutura da heliosfera.
Com seu vento
supersônico de plasma ionizado, o sol forma uma “bolha” ao redor do sistema
solar. Essa bolha é chamada de heliosfera, e seu limite – no qual a pressão
exercida pelo vento solar não é mais forte o suficiente para empurrar contra o
espaço interestelar – é chamada de heliopausa.
“Isso implica que a
heliosfera é simétrica, pelo menos nos dois pontos em que as sondas Voyager
cruzaram”, disse Bill Kurth, pesquisador da Universidade de Iowa e um dos
autores do estudo. “E nos diz que esses dois pontos na superfície estão quase à
mesma distância”.
Heliopausa
e muito mais
Os dados também fornecem pistas sobre a grossura da
heliosheath, a fronteira entre a heliosfera e a heliopausa. Essa região parece
ter espessura variada, baseado nos dados que mostram a Voyager 1 navegando 10
UA mais longe que sua parceria para chegar à heliopausa. Os instrumentos da
Voyager 2 mostraram uma heliopausa mais suave e fina do que os dados da 1, com
um campo magnético mais forte.
O instrumento de raios
cósmicos da Voyager 2 também detectou algo que a 1 não viu: evidências de uma
camada entre a heliopausa e o espaço interestelar, na qual os dois ventos
(solar e interestelar) interagem. Tudo isso indica que a heliopausa não é uma
fronteira homogênea, mas sim mais complexa e dinâmica do que pensávamos.
Muito, muito além do sistema solar
A última medição feita
pela Voyager 1 chegou à Terra quando ela estava a 146 UA, ou mais de 21,5
bilhões de quilômetros do sol. O instrumento de plasma ainda registrava aumento
de densidade.
“As
duas Voyagers sobreviverão à Terra. Elas estão em suas próprias órbitas ao
redor da galáxia por cinco bilhões de anos ou mais. E a probabilidade de
encontrarem algo no caminho é quase zero”, afirmou Kurth.
Os
dados que estamos coletando agora são valiosos, no entanto, porque isso não
significa que elas permanecerão operacionais. Por exemplo, o instrumento de
plasma da Voyager 1 se quebrou quando esta atravessou a heliopausa em 2012.
Um
artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Nature Astronomy. [ScienceAlert, Phys]

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