Nos
testes, a maioria absoluta dos 125 pacientes, sendo 113 em estado grave, que
receberam o remdesivir apresentaram melhora rápida, com apenas dois óbitos
Enquanto não surgem uma vacina ou um
medicamento criados sob medida para enfrentar o coronavírus, a medicina procura adaptar o que
já existe para lidar o melhor possível com a situação. Um resultado positivo,
mas ainda preliminar, foi alcançado nos Estados Unidos com
o uso de um antiviral chamado remdesivir.
Veja também:
- Covid-19: remédio encontrado por brasileiros apresenta 94% de eficácia
- Tratamento com cloroquina não reduz letalidade da Covid-19, indica pesquisa da Fiocruz
- Por que é preciso muito cuidado com a hidroxicloroquina, o 'remédio' contra Covid-19
Segundo publicação da Stat,
a Universidade de Medicina de Chicago realizou um teste clínico em um hospital
da cidade como parte de um estudo amplo desenvolvido pela Gilead, empresa que
produz o remdesivir. Nesta unidade, 125 pessoas foram recrutadas para testar o
medicamento, sendo que 113 delas se encontravam em situação grave.
Todos eles passaram
por infusões diárias da droga. Quase todos foram dispensados após uma semana,
com apenas dois óbitos, como afirmou Kathleen Mullane, especialista da
Universidade de Medicina de Chicago que tem supervisionado os estudos em uma
reunião interna. Os dados foram apresentados de forma fechada, mas a publicação
diz ter obtido um vídeo da reunião.
Vale notar que
existem alguns motivos para ter o pé atrás com o estudo.
Uma regra dos estudos científicos sobre
drogas é a necessidade de ter um grupo grande de pacientes
divididos de forma aleatória em dois grupos: um que recebe o medicamento, e
outro que recebe um placebo, que não deve ter efeito. O método é usado para
eliminar vieses e coincidências que podem fazer com que os testes pareçam mais
ou menos eficazes do que realmente são. No caso da pesquisa em Chicago, não há
um grupo de controle que não recebeu o remdesivir para que os resultados possam
ser comparados.
A própria Kathleen Mullane reconhece que a falta de um grupo
controle dificulta analisar a real eficácia do remdesivir. O que ela pode dizer
é que, com os pacientes que receberam a medicação, a queda na febre foi quase
instantânea. Além disso, pessoas que dependiam de ventiladores pulmonares para
respirar passaram a não depender do aparelho após um dia de tratamento.
A pesquisadora
também confirmou a autenticidade do vídeo, mas não se manifestou publicamente
sobre o assunto. A universidade, por sua vez, emitiu um comunicado afirmando
que “tirar conclusões neste ponto é prematuro e cientificamente incerto”.
A Gilead reforça
que não é possível tirar uma conclusão neste momento. "A totalidade dos
dados precisa ser analisada para extrair alguma conclusão dos estudos.
Relatórios anedóticos, apesar de encorajadores, não oferecem o poder
estatístico para determinar a segurança e eficácia do remdesivir como
tratamento para Covid-19", diz o comunicado.
Confiáveis ou não, os resultados de Chicago são apenas uma parte
de um estudo mais amplo conduzido no mundo inteiro pela Gilead, que tenta
concluir se o remdesivir é realmente eficaz no combate à Covid-19. A empresa
analisará 2.400 pacientes em estado grave em 152 centros de estudo pelo mundo,
e mais 1.600 pessoas com quadros moderados espalhadas por 169 centros espalhados
pelo planeta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário