Seis soluções em saúde pública para inspirar o Brasil

Boas iniciativas e continuidade dos investimentos são as melhores formas de atacar as dificuldades em saúde pública. O site de VEJA reuniu projetos internacionais na área que podem ser modelos para enfrentar alguns dos principais problemas da saúde brasileira

Rita Loiola
dinheiro
Saúde pública: pouco integrada, a rede é feita de iniciativas que morrem à míngua, com contratos malfeitos, pouco fiscalizados, e composta de equipes que mudam de quatro em quatro anos (Thinkstock/VEJA)
Um dos principais problemas da saúde brasileira é a indefinição das regras que regulam seus serviços. A frouxidão das normas em relação a contratos, pagamentos ou responsabilidades pelos serviços de saúde colabora para a má gestão dos recursos, que se perdem em um labirinto de programas e projetos. Pouco integrada, a rede é feita de iniciativas que morrem à míngua, com contratos malfeitos, pouco fiscalizados, e composta de equipes que se modificam de quatro em quatro anos.
Para combater essas dificuldades, países ao redor do mundo investem em boas iniciativas e ideias que garantam a administração adequada do dinheiro dedicado aos programas de saúde. Afinal, dilemas como os brasileiros são os principais problemas de saúde pública em todo o globo. Há diferentes modelos, que vão desde países em que os serviços de saúde são totalmente privados, como os Estados Unidos; passando pelo modelo europeu de serviços particulares financiados pelo governo, a exemplo da Holanda, Inglaterra ou França; ou totalmente públicos, como Espanha e Finlândia. Entretanto, descontadas as diferenças, há uma clara e antiga indefinição de regras de saúde gerais a serem seguidas no Brasil, que colaboram com a descontinuidade dos programas e os transformam em um grande ralo de dinheiro.
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“Na Europa, que conta com serviços de saúde bastante avançados, há regras muito claras sobre a regulação dos sistemas, feitas para todos, a partir de um comprador, que é o Estado. Há contratos detalhados e que são fiscalizados. Tudo isso no Brasil ainda é muito precário”, diz o médico Gustavo Ferreira Gusso, professor de clínica médica da Universidade de São Paulo (USP). “O caminho é o governo comprar mais serviços privados, mas regular seu uso e estabelecer normas precisas, como acontece na Inglaterra ou Canadá.”
Continuidade — Para oferecer serviços de saúde de qualidade, os países costumam investir em três frentes fundamentais: uma rede integrada de atendimento familiar e comunitário, gestão rígida de contratos e bases de dados informatizadas. "Nosso modelo de saúde, criado há quase trinta anos, está em implantação até hoje. Entre as diferentes iniciativas, a mais básica e essencial é ter uma rede de informações universal com as condições clínicas anteriores do paciente que possa ser usada pelos profissionais para prevenir doenças e criar tratamentos melhores", diz o médico Gonzalo Vecina Neto, superintendente do Hospital Sírio-libanês, em São Paulo.
Entretanto, programas assim, alerta Vecina Neto, são desenvolvidos durante décadas, e dependem da continuidade do investimento político, financeiro e social para funcionarem. "Voltamos sempre a discutir elementos muito básicos, como alguns procedimentos ou permissões, superados há muito tempo em outros países. E isso nos impede de avançar no que é realmente necessário", diz o médico.
Uma das causas é a relação estreita que existe no país entre os programas de saúde e seu viés político ou partidário — assim que a gestão termina, o projeto de saúde também deixa de receber investimentos. “Temos excelentes programas de saúde brasileiros, inspirados nos melhores exemplos do exterior e feitos de acordo com a nossa realidade. No entanto, eles param no meio do caminho e não superam nem os primeiros desafios”, diz Maria Fátima Souza, diretora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB). “É preciso que a saúde se torne, de uma vez por todas, uma política de Estado e não só de governo.”
Com o apoio dos especialistas, o site de VEJA mapeou seis boas iniciativas em saúde pública ao redor do mundo que atacaram o problema da gestão de recursos. Exemplos de investimento e fôlego são, mais que modelos de administração em saúde, excelentes opções de atendimento para seus pacientes: 
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Redução de custos de pacientes crônicos (EUA)

Em 2002, o médico Jeffrey Brenner analisou os dados dos hospitais da cidade de Camden, em New Jersey, e percebeu que 1% dos pacientes era responsável por 30% das despesas de saúde locais — eram os pacientes mais pobres e com doenças crônicas. Para diminuir os custos e melhorar o atendimento, fez reuniões com assistentes sociais, enfermeiros e médicos para acompanhar esses pacientes e criar uma estratégia integrada que evitasse a reincidência no sistema. Dessas reuniões surgiu o Camden Coalition of Healthcare Providers, um grupo que analisa os dados de hospitalizações da cidade e acompanha os pacientes de maior risco, com visitas em casa e atenção familiar e comunitária. O programa se expandiu para cinco cidades do país, integrando os profissionais de saúde, que fazem uma supervisão sistemática dos pacientes e de suas famílias, diminuindo os atendimentos em hospitais em cerca de 40% e reduzindo os custos pela metade.

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