VÍDEO: Vejam a monumental bobagem que Lula disse no programa de
Tarso Genro (RS), candidato à reeleição no RS.
Uma vez mais, o ex-presidento
mostra sua pétrea, compacta, espantosa ignorância
Viram o vídeo?
Ouviram Lula dizer que jornalista não dá certo em postos do Executivo?
O trecho, caso muitos de vocês não tenham tido paciência de ir até o fim do vídeo, diz o seguinte:
“O povo gaúcho tem uma consciência acima da média da consciência política do povo brasileiro. Por que estou dizendo isso? Porque eu não conheço dentro do Brasil pessoas que eram importantes no meio de comunicação darem certo em Poder Executivo”, disse o ex-presidento, na TV.
E acrescentou: “[São] pessoas que passaram a vida inteira só perguntando, só perguntando”.
O que não se diz de besteira para tentar ganhar uma eleição, não? No caso, Lula tentava desqualificar a senadora Ana Amélia (PP), jornalista de profissão e candidata que disputa vaga no segundo turno da eleição para o governo do Rio Grande do Sul com o petista Tarso Genro e José Ivo Sartori (PMDB). Ana Amélia tem larga experiência em jornais e televisão. Ao lado de Lula, Tarso concordou.
Tudo bem que Lula se referiu ao Brasil, mas o ex-presidento mostra, como sempre que se atreve a ditar regras fora de seu milimétrico círculo de conhecimento, uma sesquipedal ignorância.
Será que, em se tratando de Brasil, ele nunca ouviu falar do jornalista e também fundador e dono de jornal Carlos Lacerda — sim, o mesmo tribuno implacável (e golpista) que, como deputado, ajudou a levar Getúlio Vargas ao suicídio, em 1954, depois teve alguma participação na renúncia de Jânio, em 1961, que conspirou para o golpe militar de 1964 e depois terminaria sendo cassado para, mais à frente, estender a mão a inimigos do passado, como o deposto presidente João Goulart e o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em uma Frente Ampla para restaurar a democracia no país?
Lacerda, ainda em seu primeiro ano de governo, comparece a um congresso internacional de odontologia: até inimigos reconhecem o grande administrador que foi — “apesar” de ser jornalista (Foto: Aborj)
Pois bem, o jornalista Carlos Lacerda, goste-se ou não dele e de sua atuação, foi um extraordinário governador do então Estado da Guanabara, entre 1961 e 1965. Depois do celebrado prefeito Pereira Passos (1902-1906), que transformou de forma radical a paisagem urbana do Rio de Janeiro sob o mandato do presidente Rodrigues Alves, Lacerda como governador da cidade-Estado seria de longe o maior administração da ex-capital da Repúbica até então — nem seus inimigos negam isso.
Lula, que só sabe História do Brasil — o pouco que sabe — de orelhada, também mostrou ignorar por completo que o presidente Café Filho, que conseguiu o milagre de governar o país após o impacto terrível que foi o suicídio de Vargas e ocupou o Palácio do Catete por 15 meses, era um jornalista que acabou absorvido pela política.
Vejam o que diz do Café Filho jornalista o site do renomado Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), provavelmente o mais completo e respeitado arquivo do gênero no país:
O presidente Café Filho discursa na inauguração da Refinaria de Cubatão (SP): jornalista que conduziu o país no período dificílimo após o suicídio de Getúlio
(Foto: Acervo Refinaria Presidente Bernardes)
“A atividade regular de Café Filho no campo do jornalismo começou em 1921, quando fundou [em Natal, no Rio Grande do Norte, onde nasceu] oJornal do Norte. Mudou-se para Recife em 1925, tornando-se diretor do jornal A Noite. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1929, tornando-se redator do jornal A Manhã. Durante a Revolução de 1930, Café Filho transferiu-se para o Rio Grande do Norte, onde foi nomeado chefe de polícia”.
Que tal?
Se olharmos para fora do país, então, pobre Lula.
Sabem quem foi jornalista, para começo de conversa? Sir Winston Churchill, o primeiro-ministro britânico que peitou sozinho durante mais de dois anos a duríssima luta contra a Alemanha nazista até a entrada dos Estados Unidos e da União Soviética na II Guerra Mundial — que seria consagrado como um dos maiores estadistas do século XX (para alguns, o maior), e que governou por nove anos, em duas passagens, o Reino Unido.
Churchill foi jornalista da pesada, começando por fazer de tudo como como correspondente de guerra, desde cobrir a luta do império espanhol contra guerrilheiros em Cuba, em 1895, para o hoje extinto jornal Daily Graphic, até aproveitar sua experiência de tenente de cavalaria no histórico 4º Regimento de Hussardos em guerras tribais na então fronteira noroeste da Índia (hoje Paquistão) para enviar despachos ao centenário The Daily Telegraph e para o hoje inexistente The Pioneer — material tão vasto que, depois, seria compilado em seu primeiro livro.
Mal retornado da Índia, Churchill foi enviado como correspondente de outro jornal, o Morning Post, para cobrir a Guerra dos Boers, movida pelos britânicos contra os colonizadores afrikaners, descendentes de holandeses, na África do Sul (1899-1902).
“Sir” Winston Churchill, o “buldogue inglês”, em seu gabinete no número 10 da Downing Street, em Londres, em plena II Guerra — em 1940.
A foto é do legendário Cecil Beaton
Churchill, que fez brilhante carreira militar e depois ingressou na política para outra carreira extraordinária, nunca deixou de escrever para jornais e revistas durante a vida, sem contar, naturalmente, os mais de quarenta livros que publicou, inclusive o monumental A Segunda Guerra Mundial, em seis volumes, um clássico. Mestre do idioma inglês, não por acaso receberia o Prêmio Nobel de Literatura em 1953.
Quem quiser conferir a trajetória desse “jornalista incompetente para o Executivo”, como Lula provavelmente o qualificaria, pode chegar neste link, neste outro aqui ou em mais este.
Ah, esta é também para Lula: caro ex-presidento, sabe outra mediocridade tenebrosa que foi jornalista?
O Mahatma Gandhi, libertador da Índia. O blog poderia fornecer uma centena de links, mas este aqui basta para mostrar algo da carreira, na África do Sul e na Índia, do jornalista Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948).
Acho que chega, não é mesmo?
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