Bilhete registra
liberação de malas sem raio-X em voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira
Anotação manuscrita em livro de
ocorrências embasa investigação da Polícia Federal sobre possível falha em
fiscalização de bagagens
Publicado em 29 de abril de 2026
Uma anotação manuscrita registrada no livro de ocorrências do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), passou a integrar uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura a liberação de bagagens sem inspeção por raio-X em um voo que transportava autoridades e um empresário do setor de apostas online.
As informações são do portal G1.
O registro foi feito por um
agente de proteção da aviação civil (APAC), responsável por relatar eventuais
irregularidades no sistema de segurança aeroportuária.
Segundo
o conteúdo do bilhete, incluído no inquérito, o auditor fiscal da Receita
Federal Marco Antônio Canella teria autorizado a passagem de malas e bolsas sem
fiscalização, inclusive com objetos como eletrônicos e garrafas, além de
bagagens de tripulantes, mesmo após o acionamento do pórtico de segurança.
A aeronave, identificada como PP-OIG, partiu da ilha de São Martinho, no Caribe, considerada paraíso fiscal pela Receita Federal.
O avião pertence ao empresário
Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, que já foi ouvido na
CPI das Bets no Senado.
De acordo com a lista de passageiros obtida pela investigação, estavam a bordo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além dos deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
O proprietário da aeronave também integrava o grupo.
A Polícia Federal investiga se o episódio foi isolado ou se há indícios de prática recorrente.
Os fatos podem configurar crimes como prevaricação e facilitação de contrabando.
Com a
presença de parlamentares com foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao
Supremo Tribunal Federal.
O
ministro Alexandre de Moraes determinou o envio do inquérito à
Procuradoria-Geral da República, que deverá avaliar o andamento das apurações.
Em
manifestação, o piloto José Jorge de Oliveira Júnior afirmou não se recordar do
episódio, mas disse seguir protocolos padrão, nos quais cada passageiro
desembarca com seus próprios pertences e responde individualmente por eles.
Procurado,
Hugo Motta declarou que cumpriu todas as exigências legais no desembarque e que
aguardará a manifestação da PGR.


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