◘ BASE ESPACIAL DOS AÇORES TERÁ PELO MENOS DUAS PLATAFORMAS DE LANÇAMENTO DE SATÉLITES E UM CLUSTER INDUSTRIAL.


Segunda fase do concurso para a construção, operação e exploração do Porto Espacial da ilha de Santa Maria já arrancou e exige que os candidatos apresentem na sua proposta pelo menos dois lançadores (foguetões) de mini e micro-satélites

A base espacial prevista para a ilha de Santa Maria, nos Açores, deverá integrar "mais de uma plataforma de lançamento de satélites e mais de um tipo de veículo lançador", estabelece a Memória Descritiva da segunda fase do Programa Internacional de Lançamento de Satélites dos Açores (Azores ISLP), a que o Expresso teve acesso.

O programa é complexo, porque até se chegar ao concurso público internacional para a construção da base espacial, há duas fases de discussão e negociação entre as empresas, centros de investigação e instituições interessadas. Na primeira fase do Azores ISLP, iniciada em setembro de 2018, vários consórcios internacionais de empresas e instituições ligadas ao sector espacial apresentaram propostas de interesse em colaborar com empresas, centros de investigação e de engenharia portugueses para conceber, instalar e operar um porto espacial que permita o desenvolvimento de uma nova geração de serviços de lançamento de satélites e constelações de satélites para o Espaço a partir de Santa Maria.

A segunda fase tem uma designação complicada, "procedimento formal do diálogo concorrencial para a construção, operação e exploração de um porto espacial nos Açores", e arrancou a 29 de março numa sessão privada no Teatro Thalia, em Lisboa, que contou com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, do secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores, Gui Menezes, da presidente da Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space), da cientista italiana Chiara Manfletti, e de representantes das empresas, centros de investigação e organizações interessadas no projeto. Nesta etapa do processo, os candidatos devem submeter uma solução completa que assegure o sucesso financeiro, a segurança e a viabilidade ambiental do Porto Espacial.

Na terceira fase os concorrentes apresentarão uma proposta final e será assinado com o concorrente vencedor um contrato de concessão para a construção, operação e exploração do Porto Espacial.

Primeiros lançamentos em 2021

O objetivo do Azores ISLP é que a base espacial - que deverá custar menos de 60 milhões de euros - esteja a funcionar até ao final de 2021, com o arranque dos primeiros serviços de lançamento de mini e micro-satélites. De acordo com a Memória Descritiva da segunda fase do programa, os candidatos interessados "devem apresentar pelo menos um Veículo Lançador Primário (VLP) e uma abordagem para um Porto Espacial Aberto, através da integração de um ou mais Veículos Lançadores Secundários (VLS) na sua solução". O número de veículos "que possam ser lançados a partir do Porto Espacial de acordo com a solução proposta, serão tidos em consideração" na apreciação das propostas apresentadas pelos interessados.

Um VLP é um veículo que o candidato garante que será lançado a partir do Porto Espacial. Os VLS são quaisquer veículos adicionais a serem operados a partir do mesmo porto, que pertencem a uma entidade diferente da que é proprietária ou explora o VLP. Porto Espacial Aberto é uma base que integra mais do que uma plataforma de lançamento e é capaz de lançar e tendencialmente proceder ao retorno, de um VLP e de pelo menos um VLS.

O documento exige também que os candidatos apresentem um modelo financeiro com a análise do mercado potencial para o Porto Espacial e veículos lançadores propostos, para cinco, dez e 15 anos após o primeiro serviço de lançamento. E que façam uma análise dos principais concorrentes da base de Santa Maria e do respetivo impacto na sua viabilidade económica, bem como "a descrição da vantagem competitiva da solução apresentada relativamente à dos concorrentes no que diz respeito à localização geográfica, custos e preços, frequência de lançamentos, ciclo de reutilização, adaptação aos desenvolvimentos tecnológicos e cooperação com outros operadores", entre outros fatores.

Por outro lado, os candidatos devem indicar o potencial de crescimento planeado e possível do Porto Espacial em número de atividades, em especial lançamentos e retornos, "e dos veículos lançadores incluídos na solução apresentada". E ainda a taxa mínima de lançamentos por ano e o volume de negócios mínimo necessário para os veículos lançadores (primário e secundários).

Subsídios podem chegar a €10 milhões

A Memória Descritiva sublinha que "deve ser promovida a criação de um cluster industrial e científico que dinamize a indústria e a investigação local". E que contribua "para o aproveitamento de recursos especializados em Portugal", nomeadamente nos Açores, assim como para o desenvolvimento de outras atividades, como a investigação científica nas áreas aeronáutica, aeroespacial e meteorológica, e atividades comerciais.

Por isso, os candidatos devem indicar o impacto social e económico esperado, especificando o número estimado de empregos locais criados direta e indiretamente; o número de atividades industriais e científicas desenvolvidas e o seu potencial de inovação; e o tipo de entidades portuguesas que irão usar ou prestar serviços ligados ao Porto Espacial.

Mas o documento revela que existe uma série de benefícios fiscais específicos da Região Autónoma dos Açores, bem como um sistema de incentivos à criação do Porto Espacial e ao investimento em serviços de lançamento de satélites, que pode chegar a um valor máximo de 10 milhões de euros, entre subsídios reembolsáveis e não reembolsáveis.

O Azores ISLP foi lançado pelo Governo Regional dos Açores, com o apoio técnico da Portugal Space e da Agência Espacial Europeia (ESA). Na primeira fase do programa, que terminou a 7 de dezembro de 2018, foram escolhidos cinco consórcios internacionais entre os 14 que se apresentaram a concurso. Esta short list , que integrava as propostas que apresentavam soluções completas, incluía a empresa italiana AVIO, o consórcio AZUL liderado pelo grupo espanhol Elecnor Deimos, a alemã Isar Aerospace Technologies, a espanhola PLD Space e o consórcio liderado pela alemã Rocket Factory Augsburg e pela empresa portuguesa Edisoft, do grupo aeroespacial francês Thales.

Fonte: Expresso

Nenhum comentário:

Postar um comentário

EM DESTAQUE

EMPRESA CONDENADA POR TER HOMENS NA LIDERANÇA, TEM MULHER COMO “CEO”.

  Empresa condenada por ter homens na liderança tem mulher como CEO Por Rose Amantéa   Uma decisão da 3ª Turma do Tribunal Superior do Traba...

POSTAGENS MAIS ACESSADAS