Telejornal da Globo dividiu
cobertura em duas reportagens sobre a classificação das facções como
organizações terroristas.
Publicado em 29 de maio de 2026
O Jornal
Nacional, da TV Globo, destinou 11 minutos e 58 segundos de sua edição de
quinta-feira (28) à cobertura da decisão do governo dos Estados Unidos de
classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações
terroristas.
A cobertura foi dividida em duas
reportagens. A primeira ocupou 7 minutos e 9 segundos do telejornal e detalhou
o anúncio feito pelo Departamento de Estado americano. O material explicou as
duas categorias aplicadas às facções: a de “Terroristas Globais
Especialmente Designados”, válida desde 28 de maio, e a de “Organizações
Terroristas Estrangeiras”, que entra em vigor em 5 de junho.
Já a
segunda reportagem, com 4 minutos e 49 segundos, abordou os possíveis efeitos
jurídicos, econômicos e diplomáticos da medida para o Brasil, além dos impactos
na relação bilateral entre Brasília e Washington.
Segundo o comunicado do governo americano, PCC e Comando Vermelho estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”.
O Departamento de Estado afirmou que os grupos comandam milhares de
integrantes e promovem “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas
e civis.
Os
Estados Unidos também sustentam que as atividades das facções ultrapassam as
fronteiras brasileiras, alcançando outros países da América do Sul e o próprio
território americano.
A
decisão foi anunciada poucos dias após o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se
reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após o encontro, o
parlamentar afirmou ter tratado diretamente do tema.
“Eu fui
exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que ele declare PCC e CV como
organizações terroristas, que são o que elas são”, declarou Flávio a
jornalistas.
O
governo Trump não confirmou qualquer relação entre a reunião e a medida
anunciada nesta semana.
A cobertura do Jornal Nacional também destacou a posição do governo brasileiro, contrário ao enquadramento das facções como organizações terroristas.
O
Planalto argumenta que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na definição
prevista na legislação nacional, por terem motivação econômica e atuação
voltada ao controle territorial, e não objetivos ideológicos.
nizações terroristas.
Dois meses depois, representantes do governo brasileiro comunicaram oficialmente aos Estados Unidos a discordância em relação à medida.
A posição foi apresentada
durante reunião realizada em Brasília com integrantes do governo federal e uma
delegação americana liderada por David Gamble, chefe interino de coordenação do
Departamento de Sanções dos Estados Unidos.
O governo brasileiro avalia que a classificação pode gerar consequências para instituições financeiras nacionais.
Pela legislação americana, empresas e
bancos podem ser alvo de sanções caso mantenham relações financeiras com
organizações enquadradas como terroristas, mesmo sem conhecimento direto da
ligação com esses grupos.
O assunto não foi discutido durante o encontro entre o Lula (PT) e Donald Trump, realizado em 7 de maio.
Após a reunião, Lula afirmou:
“Não
discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump partindo dele
falar de alguma facção no Brasil”.
https://claudiodantas.com.br/jn-dedica-quase-12-minutos-a-decisao-dos-eua-sobre-pcc-e-cv/?utm_source_platform=mailpoet

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