PERGUNTEI AO CLAUDE QUAL SERIA A CHANCE DE FAZER ESSE TRAJETO A PÉ E CHEGAR VIVO.

 

 A resposta completa, logo abaixo:

“Boa pergunta — esse é o famoso “trajeto a pé mais longo do mundo”: cerca de 22.000 km, atravessando 17 países e quase todos os climas e zonas de conflito que existem.

A resposta curta é: praticamente zero. Mas vale a pena destrinchar por trecho, porque os riscos mudam radicalmente ao longo do caminho.

Trecho 1 — África Austral (Cidade do Cabo → Botswana → Zâmbia)

Começo relativamente “civilizado”.

A África do Sul tem altas taxas de crime violento (homicídio em torno de 45/100k), mas se você sobreviver à saída do Cabo, Botswana e Zâmbia são dos países mais estáveis da África. Risco real aqui é fauna: elefantes, búfalos e hipopótamos matam mais turistas que leões. Probabilidade de sobreviver esse trecho com preparo: ~85%.

Trecho 2 — África Oriental (Tanzânia → Quênia → Etiópia)

Sobe a malária, a dengue e a febre amarela.

Norte do Quênia (Turkana) e sul da Etiópia têm banditismo armado e conflitos étnicos. Etiópia ainda digere o pós-guerra de Tigré e tem tensão em Amhara e Oromia. Risco de doença é maior que de bala, mas ambos são reais.

Sobrevivência condicional ao trecho: ~60%.

Trecho 3 — Sudão do Sul e Sudão (o filtro mortal)

Aqui o trajeto basicamente termina para quase qualquer ser humano.

O Sudão está em guerra civil aberta desde abril de 2023 entre as Forças Armadas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), com limpeza étnica em Darfur, fome declarada e mais de 10 milhões de deslocados — é hoje a pior crise humanitária do planeta.

Sudão do Sul é instável cronicamente.

Atravessar esses dois países a pé como estrangeiro hoje é, na prática, sentença de morte ou sequestro.

Sobrevivência condicional: ~5%.

Trecho 4 — Egito → Levante → Turquia

Assumindo o milagre de sair vivo do Sudão, você sobe pelo Egito (manejável, exceto o Sinai com presença jihadista) e aí precisa atravessar Israel/Palestina, Jordânia, Síria e/ou Líbano para chegar à Turquia.

 

Gaza está destruída, Síria mudou de regime no fim de 2024 mas segue caótica, e fronteiras estão fechadas em vários pontos.

Sobrevivência condicional: ~30%.

Trecho 5 — Turquia → Cáucaso → Sul da Rússia

Parte mais “fácil” do percurso pós-África. Turquia é viável, Geórgia também.

Entrada na Rússia como estrangeiro ocidental hoje, em meio à guerra na Ucrânia e ao aperto sobre estrangeiros, exige visto difícil de obter e te coloca sob suspeita constante.

Sobrevivência condicional: ~70%.

Trecho 6 — Sibéria até Magadan (o segundo filtro mortal)

São ~8.000 km dentro da Rússia, boa parte pela taiga e tundra. Yakutia e Magadan têm invernos de −50 °C a −60 °C. Há trechos enormes sem estrada, sem povoamento, com ursos, lobos e geada.

A “Estrada dos Ossos” (Kolyma Highway) é literalmente construída sobre cadáveres de prisioneiros do Gulag — e ainda assim ela só cobre o final do trajeto. Tentar isso a pé, sem apoio motorizado, é tecnicamente possível e historicamente quase nunca feito.

Sobrevivência condicional: ~10%.

Probabilidade composta

Multiplicando as probabilidades condicionais (0,85 × 0,60 × 0,05 × 0,30 × 0,70 × 0,10), você chega a algo como 0,05% — uma chance em duas mil.

E isso assumindo um caminhante extraordinariamente preparado, com dinheiro, vistos, equipamento ártico, vacinas, profilaxia antimalária, e uma dose absurda de sorte.

Para um turista comum: efetivamente zero.”


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