Posted: 12 May 2012 08:30 AM PDT Países como a Alemanha defendem a austeridade e não entendem que a consequência pode ser o "o suicídio económico da Europa" 04/05/2012 | 11:07 | Dinheiro Vivo A possível mudança de rumo da zona euro, da imposição de medidas de austeridade para a introdução de medidas para promover o crescimento económico, não deve ser considerada uma vitória em si porque peca por tardia, defende o Nobel da Economia, Paul Krugman. CLICA AQUI ↓ VEJA MAIS"Podemos ver que houve uma mudança definitiva na opinião", afirmou o economista em entrevista à Bloomberg. "Gostava de ter estado errado", afirmou, em relação a algumas das análises que fez nos últimos anos sobre as consequências das medidas de austeridade. A política da zona euro aplicada até ao momento de forma a ganhar a confiança dos mercados, ao aplicar medidas de ajustamento orçamental, deve começar a ser alterada com os resultados eleitorais saídos dos escrutínios em França e na Grécia, no próximo Domingo. A economia da zona euro caminha para a segunda recessão no espaço de três anos e o desemprego na região ronda os 11%. "Há dois ou três anos eu estava a fazer previsões que andavam de mão dada com o senso comum na altura, e é bastante claro que tenho acertado em tudo até agora e tenho tido até previsões mais certas", afirma. Os apologistas das medidas de ajustamento orçamental, como a chanceler alemã Angela Merkel, defendem a austeridade por ideologia, considera Krugman, por ao não entenderem a doença que estão a tentar curar, arriscam "o suicídio económico da Europa". Sobre a Grécia, o economista explica que a imposição de medidas de austeridade tem levado ao aumento do desemprego, o que pode fazer com que a saída do euro seja cada vez mais atractiva para os gregos, prevendo que a república helénica venha a sair ou seja convidada a sair do bloco monetário. "Isto vai levar as pessoas a pensar", afirma. Neste momento, existem "ecos da década de 30 na Europa e isso é assustador", explica Paul Krugman, referindo-se à tensão existente no Velho Continente então que teve como consequência a Segunda Guerra Mundial. Um investigador e antigo conselheiro do ex-primeiro ministro Papandreou considera que "os medicamentos foram errados" e por isso falharam Grécia: "Políticas de austeridade falharam porque falhou o diagnóstico"Georges Papandreou Katerina Mavrona 03/05/2012 | 10:22 | Dinheiro Vivo Um investigador grego, ex-conselheiro do antigo primeiro-ministro George Papandreou, considera que as políticas de austeridade baseadas no memorando da 'troika' para a Grécia falharam porque assentaram num diagnóstico errado do problema. "As políticas que têm sido aplicadas no contexto do plano de resgate e das políticas de austeridade falharam de forma espetacular porque se basearam num diagnóstico errado do problema, disse em entrevista telefónica à Lusa Yanis Varoufakis, 51 anos, doutorado em Economia, leitor em diversas universidades norte-americanas e envolvido num projeto de investigação sobre "economia virtual" em Seattle. "Como um doente no hospital, se o diagnóstico for errado os medicamentos não são apropriados, e utilizar esses remédios não vai curar o doente", considerou Varoufakis em vésperas das legislativas antecipadas que se disputam no domingo. Com vasto currículo, Varoufakis foi conselheiro do ex-primeiro-ministro grego George Papandreou entre 2003 e 2006, quando o Partido Socialista Pan-Helénico (PASOK) estava na oposição. Demitiu-se do cargo no final desse ano e optou por outros percursos. Hoje, é conhecido na Grécia como um dos mais veementes críticos do "memorando" e das políticas de austeridade impostos pelos credores internacionais. "Desde maio de 2010, quando foi assinado o primeiro memorando ou plano de resgate, e até agora, prova-se que a Grécia é um país confrontado com uma tripla crise: crise de dívida, crise inflacionista e crise de investimento. Simplesmente, não pode cumprir os compromissos e reduzir o défice através da austeridade", afirmou. O autor do recente livro "O Minotauro Global. América, as verdadeiras origens da crise financeira e o futuro da economia mundial", publicado em 2011 e que suscitou polémica, refere-se a uma "crise sistémica" e insiste nas críticas à "terapia" até agora utilizada. "É impossível lidar somente com a crise grega. Imaginemos que estamos em 1931 nos Estados Unidos… Seria possível lidar com a crise da grande depressão no Ohio, ou em New Jersey? Não. Tinha de se abordar a Grande Depressão de uma forma sistémica, porque se tratava de um problema sistémico. Neste caso, não se pode abordar o problema apenas numa parte da união monetária, e esquecer o resto", sublinha. E precisa: "Uma das decisões catastróficas da Europa foi imaginar que podiam lidar com a crise na Grécia de uma forma separada do resto do espaço europeu, e depois dirigirem-se para Dublin e tentar resolver o problema, e depois deslocarem-se para Portugal, continuando a insistir que não se trata de uma crise sistémica, mas antes de crises localizadas. Que cada caso correspondia a uma crise local e que deveriam ser abordadas localmente. Essa abordagem falhou e vai continuar a falhar". A integração da Grécia na "união monetária", que "impede uma política monetária autónoma", num contexto europeu e internacional de recessão, foi outro aspeto frisado pelo economista. "A dívida é um problema, mas não é o problema essencial. O problema essencial é antes a forma como foi estruturada e desenhada a arquitetura da nossa moeda comum", assegura Varoufakis. Na perspetiva do economista, a Grécia está neste momento "a entrar no período em que a Argentina entrou durante a sua crise e antes do incumprimento", em 2001, "num contexto de crise política, com governos fracos". E numa referência às legislativas antecipadas do próximo domingo, arrisca: "Infelizmente, as eleições de domingo vão ter como resultado, e de novo, um governo frágil. Será inevitável uma nova coligação entre o PASOK e a Nova Democracia (ND), nenhum partido conseguirá garantir uma maioria parlamentar, mas a coligação que se perspetiva será tão má como a que tivemos desde novembro". LEIA TAMBÉM: Assuntos Relacionados
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