Para emagrecer, é melhor evitar carboidrato do que gordura


Estudo descobriu que obesos que reduziram consumo de pão, massa e arroz durante um ano perderam mais peso do que os que passaram a comer menos gordura

Carboidratos: Evitá-los pode ser chave para emagrecer
Carboidratos: Evitá-los pode ser chave para emagrecer (Thinkstock/VEJA)
Diminuir o consumo de pão, massa e arroz parece ser mais eficaz do que eliminar alimentos gordurosos da alimentação para perder peso. Ao menos é o que concluiu uma nova pesquisa que comparou os efeitos das duas dietas — a que restringe carboidratos e a que limita gordura — durante um ano. 
CONHEÇA A PESQUISA


Título original: Effects of Low-Carbohydrate and Low-Fat Diets



Onde foi divulgada: Annals of Internal Medicine



Quem fez: Lydia Bazzano, Tian Hu, Kristi Reynolds, Lu Yao, Calynn Bunol, Yanxi Liu, Chung-Shiuan Chen, Michael Klag, Paul Whelton e Jiang He



Instituição: Universidade de Tulane, Estados Unidos



Resultado: A dieta que restringe carboidrato é mais eficaz para a perda de peso do que a que restringe gordura. Ela também protege o coração porque reduz níveis de colesterol no sangue.
O estudo, feito na Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, foi publicado nesta segunda-feira no periódico Annals of Internal Medicine.
Participaram da pesquisa 148 obesos de 22 a 75 anos. Parte dos voluntários foi submetida à dieta que restringe carboidratos: eles não deveriam consumir mais do que 40 gramas do nutriente por dia. O restante foi orientado a seguir a dieta com pouca gordura. Nesse grupo, a gordura deveria representar menos de 30% das calorias consumidas no dia. Nenhuma das dietas limitava o consumo total de calorias. 
Resultados — Os voluntários foram avaliados três, seis e doze meses após o inicio do estudo. Nas três avaliações, os participantes que seguiram a dieta com pouco carboidrato haviam perdido mais peso do que os que cortaram a gordura. Após um ano de dieta, eles perderam, em média, 3,2 quilos a mais do que o outro grupo.
Além disso, a pesquisa indicou que restringir carboidrato também parece ser a opção mais eficaz para proteger o coração. Isso porque, após um ano, as pessoas que seguiram essa dieta apresentaram uma maior redução dos níveis de colesterol e outras substâncias conhecidas por aumentar o risco de problemas cardiovasculares.
Por outro lado, a dieta com baixo teor de gordura foi mais eficaz em reduzir medidas de forma mais rápida. Após três e seis meses do inicio da dieta, a circunferência abdominal dos participantes desse grupo diminuiu mais do que a daqueles que comeram menos carboidratos. No entanto, após um ano, não houve diferença significativa nesse sentido entre pessoas que cada uma das duas dietas.

Óleo de coco

O que promete: Consumir o óleo de coco, tanto em forma líquida quanto na de pílulas, antes das refeições aumenta a saciedade - ou seja, diminui a fome -, acelera o metabolismo e ajuda a perder barriga.
O que realmente provoca no organismo: Contém gordura saturada, que, em excesso, ajuda a aumentar os níveis de LDL, o colesterol 'ruim' no sangue e o risco de doenças cardiovasculares.
Opinião do especialista: "O óleo de coco é uma grande enganação. É rico em gorduras saturadas, ou seja, em excesso faz mal, e não tem nenhuma dessas propriedades sobre as quais as pessoas vêm falando. É uma gordura como outra qualquer: pode ser consumida, mas também é capaz de engordar o indivíduo", diz Alfredo Halpern, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autor do livro Pontos Para o Gordo.

Dieta detox

O que promete: Com o consumo apenas de alimentos desintoxicantes, como chás e sucos de limão e pimenta, promete eliminar as toxinas acumuladas no organismo e as gorduras excessivas do corpo.
O que realmente provoca no organismo: É prejudicial como qualquer dieta restritiva. Seguir um cardápio líquido, por exemplo, pode levar à perda excessiva de potássio e de outros minerais. Já uma dieta com índice calórico muito baixo pode ser responsável ainda por mudanças inesperadas no metabolismo, como o desequilíbrio nos níveis de insulina circulantes no sangue e a queima de carboidratos armazenados no fígado e nos músculos.

Opinião do especialista: "Não há prova científica alguma de que elas sejam benéficas, ou mesmo que funcionem", diz Donald Hensrud, endocrinologista da Clínica Mayo, nos Estados Unidos.

Dieta de Hollywood (da papinha)

O que promete: Consumir exclusivamente cera de 14 potes de papinha para bebês ao dia emagrece, já que os alimentos vêm batidos e são de fácil digestão. Tem esse nome pois foi seguida por diversas estrelas de Hollywood, como a atriz Jennifer Aniston.
O que realmente provoca no organismo: Pode emagrecer pelas baixas calorias, mas não fornece a quantidade necessária de nutrientes para um adulto, já que a papinha é dedica a crianças, e as quantidades certas são diferentes.
Opinião do especialista: "Pode causar desnutrição, problemas de mastigação, já que não exige o movimento e não fortalece o músculo", diz a médica Gláucia Carneiro.

Dieta da noiva

O que promete: Durante dez dias, uma pessoa se alimenta exclusivamente por um tubo que contém uma mistura de água, proteína e gordura e pode chegar a perder dez quilos. A sonda vai do nariz ao estômago e o aparelho que bombeia a mistura deve ser levado com o indivíduo a todos os lugares. A pessoa consome, ao todo, 800 calorias ao dia com a mistura, que supostamente queima a gordura e mantem os músculos.
O que realmente provoca no organismo: Segundo Cíntia Cercato, a dieta leva ao emagrecimento a curto prazo por ser muito restritiva, mas não funciona a longo prazo já que não oferece uma reeducação alimentar. Além disso, não é balanceada e não fornece todas as vitaminas e minerais necessários em uma dieta, podendo causar problemas como fraqueza, constipação e queda de cabelo.
Opinião do especialista: “A dieta é fornecida por sonda, e só por isso já é inadequada, pois o indivíduo não usa uma função importante que é a mastigação. Segundo os defensores dessa dieta, ela é balanceada, mas sua mistura não vai conseguir suprir todas as necessidades por ser muito restritiva”, diz a médica Cíntia Cercato.

Dieta do vinagre

O que promete: Como tem poucas calorias, não tem problema em ser consumido diariamente. Acredita-se que ingerir vinagre antes das refeições acelera o metabolismo, já que, supostamente, o ácido acético influi na termogênese.
O que realmente provoca no organismo: O vinagre, por ser muito ácido, pode provocar irritação na garganta e no estômago se consumido em excesso e, portanto, causando azia e dor de estômago.
Opinião do especialista: “Não tem nenhum sentido em achar que tomar vinagre antes das refeições ajuda a emagrecer e nenhuma evidência científica consistente mostrou isso. Essa dieta é uma bobagem”, afirma a endocrinologista Cíntica Cercato, membro da Regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP).

Óleo de canola

O que promete: Como o óleo de coco, é uma gordura que ganhou fama de ser emagrecedora. Vem da colza, um grão canadense. Acredita-se que gera energia, acelera o metabolismo e proporciona perda de peso, além de aumentar a saciedade.
O que realmente provoca no organismo: Como qualquer gordura, se consumida em excesso aumenta o ganho de peso. Mas provoca saciedade por ser rico em energia, o que não significa que queima mais energia no corpo.
Opinião do especialista: “Não há comprovação científica para dizer que o óleo emagrece. Como qualquer outra gordura, deve ser consumida segundo as recomendações diárias, ou seja, até 30% de todas as calorias consumidas em um dia”, diz Gláucia Carneiro, endocrinologista do ambulatório de obesidade da Universidade Federal de São Paulo e membro da Regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP).

Limão

O que promete: Ingerir limão pela manhã aumenta a saciedade durante o dia e, por aumentar a acidez no estômago, acelera o metabolismo, levando à rápida digestão e à perda de peso.
O que realmente provoca no organismo: Pode aumentar a saciedade e aumenta a acidez no estômago, mas isso não quer dizer que reduz o peso.
Opinião do especialista: De acordo com a endocrinologista Gláucia Carneiro, além de não emagrecer, o limão em excesso ou consumido em jejum pode provocar complicações como úlcera e gastrite.

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