Segundo Ibope, situação de Dilma melhora bastante no Rio


10/09/2014

Datafolha também dá vitória a Alckmin no 1º turno; um poste venceria Padilha em SP

O Datafolha divulgou o resultado da pesquisa eleitoral em São Paulo. Se a disputa fosse hoje, o tucano Geraldo Alckmin venceria no primeiro turno com 49% das intenções de voto; na pesquisa anterior do instituto, há uma semana, ele tinha 53%. O peemedebista Paulo Skaf segue com 22%, e o petista Alexandre Padilha passou de 7% para 9%. Os demais somam 2%. Segundo o instituto, Alckmin venceria com 16 pontos de vantagem sobre a soma dos adversários. Brancos e nulos são 8%. Dizem não saber em que votar 9%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 2.046 eleitores entre os dias 8 e 9 em 56 municípios. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-584/2014. Em relação ao Ibope, divulgado ontem, há uma divergência importante apenas no que diz respeito a Skaf, que aparece com 18%. Nesse instituto, Alckmin tem 48%, e Padilha, 7%.
O que chama a atenção nesse levantamento do Datafolha é a rejeição ao petista Alexandre Padilha, que chega a 36%. O PT, definitivamente, vai mal no Estado. Não duvidem de que a gestão Fernando Haddad na Prefeitura da Capital tem um peso enorme. Mais alguns quilômetros de "faixismo" ciclomaníaco, e Padilha atingirá 40%. Skaf é rejeitado por 20%, e Alckmin, por 20%.
Mesmo com a vitória de Alckmin no primeiro turno, o Datafolha simulou um segundo. O tucano venceria o peemedebista por 58% a 30%, com 28 pontos de vantagem. No Ibope, a distância é de 27: 53% a 26%. A gestão do governador segue bem avaliada: 46% a consideram "ótima ou boa"; 38% dizem que é regular, e apenas 13% a apontam como ruim ou péssima.
Lula já se orgulhou de eleger postes. Chegou a dizer, por ocasião da vitória de Fernando Haddad, que, de poste em poste, ele iluminaria o país. Pois é… Parece que isso acabou. Hoje, tudo indica, um poste derrotaria Padilha.
Por Reinaldo Azevedo
10/09/2014
 às 17:53

O PSDB, Marina, Dilma e a neobabaquice

O presidenciável tucano Aécio Neves afirmou que, caso não se eleja presidente da República, o PSDB será oposição ao próximo governo. Está admitindo a derrota? Não. Está sendo realista. Aécio disputa a Presidência, mas também é presidente do PSDB, e só um lunático não admitiria que a situação é bastante difícil. Está anunciando uma postura intransigente? Não! Está sendo apenas lógico. Vamos ver.
Não sendo ele o presidente, será Dilma Rousseff ou Marina Silva. No primeiro caso, como é dado, as posições são inconciliáveis. Existe uma neobabaquice em curso, que expressa ódio à democracia, segundo a qual as posições inelutavelmente inconciliáveis entre PSDB e PT fariam mal ao país. Uma ova! No mundo inteiro, a democracia é bipartidária, pra começo de conversa, sem trânsfugas. Isso é papo furado, de um lado, de supostos ultraliberais — que confundem economia de mercado com economia de supermercado — e, de outro, da extrema esquerda sociopata. Não se trata de dois extremos que se encontram. Dois extremos nunca se encontram. Eles apenas existem fora da realidade, cada um a seu modo.
Juntar PSDB e PT como? Há dias, Dilma Rousseff afirmou que o Brasil, sob FHC, estava pior do que a Argentina sob Cristina Kirchner. Se o Deus do Velho Testamento fosse ainda tão rigoroso como soía, teria fulminado a governanta com um raio. Juntar PSDB e PT é sonho de quem acha que pode unir Israel com o Hamas, entenderam? Claro! Sempre há os delinquentes intelectuais que sonham pôr fim ao Hamas e… a Israel!
E com Marina? Bem, a mulher anuncia que governará acima dos partidos e que legendas não terão a menor importância no seu governo. Logo… Segundo Walter Feldman em conversa com lojistas dos Jardins, no caso de vitória de Marina, o destino do PSDB é o fim. Diante disso, dizer o quê? Na conversa com os investidores do Bank os America, os "vocalizadores" de Marina repetiriam a mesma cascata e acenaram até com um tal "Comitê de Busca dos Homens de Bem". É um delírio sem par na história da República.
Logo, antes que Aécio anunciasse que o PSDB será oposição a um eventual governo Marina, Marina anunciou que o PSDB será oposição a seu eventual governo — desde, claro, que queria se comportar como partido. Na mesma reunião, Beto Albuquerque demonstrou a confiança de que a peessebista atrairia o baixo clero, que sempre pende para quem vence. Assim, sem a colaboração dos partidos, anunciam que farão a reforma política, tributária, fiscal e do Estado. Além, claro, de melhorar os serviços públicos, a saúde e a educação.
Reitero: para que cheguemos ao Paraíso, só faltam a cobra e a maçã.
Por Reinaldo Azevedo
10/09/2014
 às 16:17

"Ou vencemos ou seremos oposição", diz Aécio sobre Marina

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
O candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, rechaçou nesta quarta-feira a possibilidade de o PSDB ceder nomes para um eventual governo de Marina Silva (PSB). "Ou vencemos as eleições e seremos governo, ou perdemos as eleições e seremos oposição", afirmou o tucano, em entrevista a jornalistas depois de participar de sabatina promovida pelo jornal O Globo, no Rio de Janeiro. Durante a sabatina, Aécio voltou a se posicionar como a opção segura de mudança para os que desejam tirar do poder a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). E afirmou, em referência a Marina, alçada à cabeça de chapa após a morte de Eduardo Campos: "Essa não é uma eleição para homenagens".
Ao ser questionado sobre uma eventual aliança com Marina se chegar ao segundo turno, afirmou que "sua aliança é com a sociedade brasileira". Já sobre apoiá-la caso seja a ex-senadora a disputar com Dilma, disse que qualquer referência ao tema significa abrir mão de ir para o segundo turno – seu coordenador de campanha, senador Agripino Maia (DEM) chegou a sinalizar apoio a Marina há algumas semanas, irritando os tucanos. Aécio lamentou que a ex-senadora não tenha apoiado o tucano José Serra nas eleições passadas. "Lamentei muito que ela não tenha apoiado no segundo turno (o Serra). Talvez hoje não estivéssemos nessa situação".
O tucano também voltou sua artilharia contra a presidente Dilma. Afirmou que está certo de que a petista será derrotada nas urnas porque o governo do PT já não tem mais qualidade "política e moral" para seguir no comando do Brasil por mais quatro anos. Disse ainda que o governo Dilma "fracassou". Por isso, segundo ele, o país vive "o fim de um ciclo". Aécio apontou o quadro recessivo da economia, destacando que os indicadores sociais estão piores do que há quatro anos. E voltou a dizer que seu papel é justamente o de mostrar "o caminho da mudança", com estabilidade e segurança.
Aproveitou, então, para criticar Marina, que tirou dele o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos. "Não mudo minhas convicções ao sabor da disputa eleitoral", disse. Ao tratar de seu programa de governo, ainda não divulgado, o tucano alfinetou novamente a adversária do PSB. Disse que o texto deve ser entregue na próxima semana e que a demora em divulgá-lo se dá porque "quer evitar erratas". A afirmação faz referência ao programa de Marina, que teve trechos modificados após pressão de pastores evangélicos.
Aécio também voltou a ligar Marina ao PT, afirmando que a ex-senadora militou no partido por 24 anos. "Somos em boa parte o que fizemos ao longo da vida. Nenhum de nós veio de uma nuvem para se apresentar como o condutor das boas intenções", disse. "Eu me vejo no direito de perguntar em que Marina estaremos votando. Quando denunciávamos o mensalão e o aparelhamento do Estado pelo PT estávamos fazendo a velha política? E a boa, era aceitar as ações do PT?". O tucano prosseguiu dizendo que os eleitores vão comparar a história dos três candidatos e afirmou: "O Brasil não é brinquedo".
O presidenciável tratou também do megaescândalo de corrupção na Petrobras, detalhado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa à Polícia Federal após acordo de delação premiada. "No descompromisso com a ética, o PT é imbatível", afirmou. E prosseguiu: "Existe uma organização criminosa atuando no seio da Petrobras. Isso quem diz é a Polícia Federal. Então, não são denúncias eleitoreiras". Ele cobrou ainda a punição dos responsáveis pelo esquema criminoso. E afirmou que, se eleito, vai "reestatizar" a estatal, devolvendo-a aos brasileiros.
O tucano voltou a dizer que tem condições de derrotar Dilma no segundo turno. "Estou oferecendo ao Brasil minha experiência de administrador público, o Brasil não é para iniciantes", destacou. E alertou para o fato de que o país vive um quadro preocupante e que para colocar o Brasil novamente no eixo do crescimento sustentável é preciso ter experiência e um time competente para o trabalho.
Por Reinaldo Azevedo
10/09/2014
 às 15:59

Contra os antediluvianos de iPad nas mãos

Livro não é a mamãe
Vivemos imersos nos fatos. No mais das vezes, não temos plena consciência do que está à nossa volta. Eis a importância do narrador, do cronista, do moralista, do pensador. Ele não produz objetos de consumo, mas objetos de consciência: liga os fatos aparentemente desconexos, confere ao tempo uma unidade que ilumina a nossa trajetória e a dos outros. Por que isso tudo?
Porque considero obrigatória a leitura do livro "Não é a Mamãe", do jornalista Guilherme Fiuza, que reúne cem textos que ele escreveu para a revista "Época" e para o jornal "O Globo". Vocês vivem aqui me pedindo dicas de livros, não é isso? Daqui a pouco, vem o fim do ano, com seus inevitáveis e, espera-se, agradáveis presentes. Ofereça a seus amigos e a quem você ama um pouco mais de clareza. Fiuza — antes de tudo, um escritor competente — faz o mais preciso e, em certa medida, devastador retrato dos quatro anos de governo Dilma. Devastador, nesse caso, não é "depredador". Depreda quem pensa sem método. Fiuza demole falácias com argumentos.
O livro, primorosamente editado pela Record, é, a um só tempo, um guia saboroso e seguro para entender o que está em curso e, se querem saber, o que virá. "Não é a Mamãe", desde o título, nos dá o entendimento de presente.
"Não é a Mamãe", lembrem os mais maduros e saibam os mais jovens, era o bordão do bebê da família Dinossauro. Dilma nos foi oferecida como a mãe do Brasil por Lula, que pretendia ser o pai. Lula e dinossauros se estreitam num abraço insano. Não! Ela não é a mamãe, mas a madrasta má do nosso futuro. Na realidade, afinal, não existe sapatinho de cristal. Se o governo queima os ativos dos brasileiros, terminamos nas cinzas, no borralho.
Olhem para Guido Mantega, por exemplo, o ex-ministro no cargo, situação inédita no mundo. E leiam o que vai no livro de Fiuza. Permito-me reproduzir um trecho:
"Quem estava preocupado com a inflação pode ficar tranquilo. (…) Diante da notícia de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo tinha ultrapassado o teto da meta – batendo em 6,51% ao ano em abril, contra o teto de 6,5% –, Mantega explicou que não é nada disso. Segundo o ministro, a aferição da meta não considera a segunda casa depois da vírgula. Estamos salvos. (…) Melhor olhar só para a primeira casa, onde a moral e os bons costumes monetários estão intactos. Ali não se veem a orgia dos gastos públicos no governo popular, a farra do crédito populista e os subsídios mascarados do Tesouro jorrando dinheiro na praça e fustigando a inflação. Essas cenas explícitas de administração perdulária só são visíveis para quem espiar pela fresta da segunda casa depois da vírgula."
Texto primoroso, ironia fina. Fiuza não é só um bom cronista da desordem mental que marcou o governo Dilma na economia. O nosso Suetônio contemporâneo também é um agudo observador dos costumes destes tempos, em que patrulheiros antediluvianos saem de iPad nas patas a vituperar contra o capitalismo e o mercado. Enquanto, é claro, para lembrar Fernando Pessoa desancando Rousseau, o bestalhão, "mordomos invisíveis administram-lhe a casa".
Faça um bem a si mesmo, leitor, e a seus amigos. Vá à livraria mais próxima e compre "Não é a Mamãe', de Guilherme Fiuza. O silêncio covarde com que o livro foi recebido por veículos de comunicação assustados, esperando Godot, é a prova da sua importância política. Ler "Não é a Mamãe" é um ato de resistência contra a empulhação.
Por Reinaldo Azevedo
10/09/2014
 às 6:53

LEIAM ABAIXO

— EXCLUSIVO – O que os vocalizadores de Marina — que hostilizou os bancos na terça — disseram ao Bank Of America na segunda. Ou: Um certo "Comitê de Busca dos Homens de Bem";
— Dilma, Marina, a "guerra dos banqueiros" e a vergonha alheia. Ou: Cinismo e conversa mole;
— Segundo Ibope, situação de Dilma melhora bastante no Rio;
— Ibope no Rio: depois da "revolução" dos socialistas e anarquistas da Vieira Souto, votos do campo conservador somam 68%; esquerda soma… 11%;
— Ibope: Skaf cai 5 pontos, e Alckmin venceria no 1º turno com folga ainda maior; Serra lidera para o Senado. Ou: O discurso da seca e secura de votos;
— STJ nega recurso de Arruda; ele segue ficha-suja;
— Uma ciclofaixa de Haddad, o "faixista" da bicicleta;
— O Brasil entre larápios e fantasmas;
— Moody's altera perspectiva de nota de crédito do Brasil para negativa;
— O petrolão e as falácias de Dilma Rousseff. Ou: Uma presidente que promete que tomou todas as providências contra a invasão dos marcianos. Ou ainda: Dilma admite sangria na Petrobras. E ela fez o quê?;
— "Tem de privatizar a Petrobras e até escolinha de jardim da infância";
— PF abre inquérito para apurar vazamento. É mesmo? Ou: Um peso e duas medidas
Por Reinaldo Azevedo
10/09/2014
 às 4:54

EXCLUSIVO – O que os vocalizadores de Marina — que hostilizou os bancos na terça — disseram ao Bank of America na segunda. Ou: Um certo "Comitê de Busca dos Homens de Bem"

Ai, ai… Vamos lá, seguindo sempre a máxima de Voltaire, segundo a qual o segredo de aborrecer é dizer tudo. Nesta segunda, as candidatas Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, do PSB, passaram o dia tentando saber quem gostava menos de banqueiros e de bancos. Era o confronto de dois discursos do fingimento.
O PT, a partir de 2003, viveu uma verdadeira lua de mel com o setor — interrompida pelo atual governo — não por ideologia, mas por incompetência mesmo. Dilma, é evidente, não tem moral para chamar Marina de "candidata dos bancos", moral que também falta a Marina para acusar Dilma de beneficiária da "bolsa banqueiro".
A petista mandou seu recado aos companheiros do mercado financeiro anunciando a demissão de Guido Mantega caso seja reeleita — de fato, demitido ele já está agora. E Marina, mais do que recado, mandou foi uma equipe de emissários para "explicar" seu programa de governo a mais de 500 clientes do Bank of America Merrill Lynch (BofA). O encontro ocorreu anteontem, dia 8, num hotel de São Paulo.
Esperem! Usei a palavra "emissários"? Em "marinês", não é assim que se fala: eles são "vocalizadores". Foram falar aos "sagazes brichotes", como os chamaria o poeta Gregório de Matos no século 17, os seguintes "vocalizadores": Walter Feldman, João Paulo Capobianco; André Lara Resende; Maurício Rands; Beto Albuquerque e Basileo Margarido.
Este blog teve acesso a uma síntese do que se disse lá. Trata-se, sem dúvida, de um troço bem "sonhático", o neologismo com que Marina pretende conciliar sonho e pragmatismo. Alguém quis saber sobre o compromisso anunciado pela candidata com inflação e juros baixos. Coube a Lara Resende responder. Inflação, disse, é um sintoma. E começará a ser atacada pela parte fiscal para forçar a queda dos juros. Tá. E os preços administrados represados? Ele respondeu que é um absurdo o estímulo aos combustíveis fósseis. Os que o ouviram saíram de lá com a impressão de que ele defende um tarifaço de cara para retomar a credibilidade…
Os "vocalizadores" de Marina também acham que o câmbio está valorizado de maneira artificial, e se supõe, então, que a turma pretenda trabalhar com um dólar mais forte e um real mais fraco. Não se sabe se o mesmo discurso seria empregado com empresários do setor produtivo ligados à exportação, por exemplo. Este tenderia a ficar assustado.
Os "sonháticos" acreditam que a reforma política é a "mãe" de todas as reformas, mas pretendem começar com a tributária, que simplifique a área, o que seria feito aos poucos, de forma fatiada. Eles também declararam a sua adesão incondicional ao tripé macroeconômico: metas fiscais, de inflação e câmbio flutuante.
No primeiro ano, eles dizem, a meta de inflação poderia ser um pouco maior do que os 4,5%, mas sempre declinante. O empresariado seria ainda convocado para uma espécie de mutirão da infraestrutura, e a categoria deixaria de ser "tratada como bandida". Falou-se até em rever a postura "perversa e autoritária" da Receita Federal. Ah, sim: como eles gostam duma reunião, seria criado um "Conselho de Responsabilidade Fiscal", com vários setores da sociedade.
E na política?
Bem, nessa área o bicho pega, e a coisa vai ficando nebulosa, mas todos já estavam encantados com as promessas na área econômica. O negócio é o seguinte: os "sonháticos" acreditam que a vitória de Marina vai acarretar uma profunda reestruturação partidária no país. Não! Ela não estaria preocupada nem com o PSB nem com a Rede. Apelaria, para usar uma expressão lá empregada, a um "banco de reservas" do PT, do PSDB e de outros partidos. Querem fazer uma reforma política com unificação das eleições, mandatos de cinco anos e fim da reeleição para cargos executivos.
Comitê de Busca dos Homens de BemAfinal, eles asseguram, na "nova política", as ferramentas são as mesmas, mas o jeito é outro. Os "vocalizadores" indagaram por que não poderiam escolher os quadros pelo currículo, em vez de falar com o Sarney. Para isso, pretendem criar um tal "Comitê de Busca dos Homens de Bem", expressão que foi empregada pela própria Marina na sua visita a Minas, nesta segunda. Isso seria sair da "democracia 1.0 para a democracia 2.0".
A turma quer fazer as reformas política, tributária, fiscal, da Previdência e do Estado. Mas com que Congresso? Feldman assegurou que diversos parlamentares já procuram os "marineiros" em nome dessa relação programática e que será criada uma frente suprapartidária. Talvez não se dando conta exatamente do que falava, Beto Albuquerque, o candidato a vice, lembrou que o "baixo clero" sempre se aproxima de quem vence… Nem diga!
No mais, darão, sim, importância ao pré-sal; saberão compatibilizar ambientalismo com agronegócio; pretendem fixar metas para cada área; querem um estado como protagonista da saúde, educação e segurança — para o resto, contam com a iniciativa privada —; educação pública em tempo integral e melhoria do SUS, com correção das ineficiências. Nesse paraíso, só ficam faltando, como se vê, a cobra e a maçã. Ou será que não?
Todos saíram de lá muito impressionados e achando que Marina, se eleita, será "pró-business". Houve quem afirmasse que a conversa lembra, assim, uma "Terceira Via" à moda Tony Blair: amigo dos mercados, mas com um sotaque social.
É… Em 1997, Blair pôs fim a 18 anos de governo conservador na Grã-Bretanha. Em 1995, na liderança do Partido Trabalhista, ele fez mudar o conteúdo da famosa Cláusula IV, que havia sido redigida em 1917, ano da Revolução Russa, e que compunha o programa do partido desde 1918. Se vocês clicarem aqui, terão acesso às duas versões. A original afirmava que os operários só seriam donos de seu trabalho e dele poderiam usufruir plenamente com o fim da propriedade privada. Isso acabou.
Ou por outra: Blair mudou o programa do partido, fortaleceu-o, disputou eleições e venceu. Do outro lado, estavam os conservadores não menos fortes e organizados. O plano de Marina, como a gente vê, também expressa uma conversão aos valores de mercado — e isso é bom! —, mas os seus "vocalizadores" dizem que ela vai governar com os bons, apelando a um Comitê de Busca dos Homens de Bem e apostando numa profunda reorganização partidária. Pretende, assim, fazer aquela penca de reformas.
Eu, que sou apenas um ucraniano preocupado, pergunto: alguém já combinou com os russos?
Por Reinaldo Azevedo
09/09/2014
 às 22:40

Dilma, Marina, a "guerra dos banqueiros" e a vergonha alheia. Ou: Cinismo e conversa mole

Escrevi um post nesta tarde em que afirmei que o Brasil estava entre larápios e fantasmas. Não preciso, por óbvio, declinar os nomes dos primeiros. Os demais estão a toda hora na propaganda eleitoral do PT e no discurso do governo. Quando os petistas apostavam que Dilma iria disputar o segundo turno com Aécio Neves, espalhavam a mentira estúpida de que, se eleito, o tucano iria cortar benefícios sociais. Como Aécio ataca, e com correção, o Estado perdulário, ineficiente, gastador e corrupto, os companheiros transformavam essa crítica num sinônimo de "medidas amargas" contra os pobres. Era só um fantasma. Nunca existiram nem a promessa nem a intenção.
Segundo a fotografia do momento das pesquisas, Dilma disputaria o segundo turno com Marina Silva. Não faltam a cada uma das adversárias motivos para apontar falhas nas promessas da outra. Há motivos às pencas. Mais uma vez, no entanto, a petezada escolhe o discurso das sombras, do medo, do terror. Se eleita, espalham, a peessebista não dará atenção ao pré-sal. O sindicalismo gay foi mobilizado para sair por aí a gritar impropérios contra a candidata do PSB, acusada de homofóbica e fundamentalista. Fantasmas, fantasmas, fantasmas! Sempre os fantasmas.
Nesta terça, as candidatas que lideram as pesquisas, segundo os institutos, se engalfinharam em acusações obscurantistas, falsas e cínicas. No horário eleitoral, o PT fez de Marina mero títere dos bancos. Enquanto o locutor dizia que a peessebista pretende dar autonomia ao Banco Central, a comida ia sumindo do prato dos brasileiros, tadinhos!, que faziam, então, uma expressão triste. Segundo o locutor, a autonomia significaria "entregar aos banqueiros um grande poder de decisão sobre a sua vida, a sua família, os juros que você paga, seu emprego e até seu salário".
É claro que é um discurso vigarista, mentiroso. Marina rebateu a baixaria à altura e apelou a uma linguagem que nada deve ao PSTU e ao PSOL. Acusou o PT de ter criado a "bolsa banqueiro" por intermédio do pagamento de juros. Referindo-se a Dilma, mandou brasa: "Ela disse que iria baixar os juros, e nunca os banqueiros ganharam tanto. Agora, eles, que fizeram a bolsa empresário, a bolsa banqueiro, a bolsa juros altos, estão querendo nos acusar de forma injusta em seus programas eleitorais".
Dilma voltou à carga para deixar o debate ainda mais burro: "O Banco Central, como qualquer outra instituição, não é eleito por tecnocratas nem por banqueiros. Sua diretoria é indicada por quem tem voto direto. O Congresso chama o Banco Central e manda prestar contas. Eu não digo isso porque sonhei com isso, mas porque está escrito no programa de autonomia do Banco Central, e todo mundo sabe o que é autonomia do Banco Central. Então, não adianta falar que eu fiz bolsa banqueiro. Eu não tenho banqueiro me apoiando".
Qual das duas está certa nesse bate-boca? Sempre relevando que os bancos tiveram, sim, um excelente desempenho nos governos petistas, a resposta é esta: ninguém! Trata-se de um discurso para enganar trouxas. Os petistas sabem que, na maior parte do tempo, fizeram um governo afinado com, digamos, a metafísica do setor financeiro. E nem os estou criticando por isso. Foi quando Dilma resolveu que marcharia na contramão do óbvio que a coisa desandou. Marina Silva, por outro lado, sabe que esse papo de "bolsa banqueiro" é mera conversa mole.
As duas candidatas poderiam, então, dar um exemplo, não é mesmo? Rejeitem a contribuição do setor financeiro na campanha eleitoral, ora essa! É o cúmulo do cinismo transformar banqueiro no novo fantasma da eleição para, depois, usar à socapa o seu rico dinheirinho. O nome disso é vigarice política. E uma informação que não pode faltar: até meados do ano passado, os banqueiros faziam rezas e romarias para que fosse Lula o candidato do PT ao governo. Sabem que o companheiro sempre foi "de confiança". 
Para arrematar, informa a Folha: "A campanha à reeleição de Dilma Rousseff recebeu R$ 9,5 milhões em doações de bancos e empresas ligadas a eles, até o final de agosto, de acordo com a segunda declaração parcial apresentada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O valor representa 7,7% de tudo o que foi captado (R$ 123,6 milhões). Sexto maior banco do país em ativos, o BTG Pactual doou R$ 3,25 milhões. Duas empresas do grupo doaram mais R$ 3,25 milhões. Dos R$ 22,2 milhões declarados pela campanha de Marina Silva (PSB) até agora, R$ 4,5 milhões (20,3%) foram doados por bancos e financeiras. A maior parcela veio do Itaú Unibanco: R$ 2 milhões, em 5 de agosto".

Por Reinaldo Azevedo

O Ibope divulga nesta quarta-feira os dados da pesquisa sobre a eleição presidencial. Nesta terça, o instituto tornou públicos os números de São Paulo e Rio. Se traduzirem o que se passa no resto do país, é provável que a petista Dilma Rousseff tenha aumentado a sua vantagem no primeiro turno sobre Marina Silva, do PSB — a menos que tenha havido um movimento inverso em outros estados. Só para lembrar: há uma semana, segundo o Ibope, a petista tinha 37% dos votos, contra 33% da peessebista. Vejam, no entanto, o que aconteceu com o eleitorado nesses dois Estados em poucos dias, segundo o Ibope (gráficos publicados pelo G1):

Ibope 09 de setembro
Como se pode ver, em sete dias, Dilma oscilou dois pontos para cima em São Paulo: tinha 23% e agora está com 25%. Marina oscilou um para baixo, passando de 39% para 38%. A diferença é grande, mas, estando certa a pesquisa, tendente a diminuir. No Rio, teria havido uma movimentação importante: a peessebista teria caído de 38% para 34%, e a petista, subido cinco pontos: de 32% para 37% — uma mudança de 9 pontos.
São Paulo, com 31.998.432 eleitores, segundo dados do TSE, tem o maior eleitorado no país. O Rio vem em terceiro lugar, com 12.141.145, sendo ultrapassado por Minas, que fica em segundo, com 15.248.681. Em quarto lugar, está a Bahia, com 10.185.417, seguida por Rio Grande do Sul, com 8.392.033.
A menos que Marina ou Aécio — com trajetória descendente nesses dois estados, diz o Ibope — tenham recuperado votos nos demais, retirando-os de Dilma, a petista deve ampliar a liderança que mantinha sobre Marina no primeiro turno na pesquisa anterior: 4 pontos (34% a 37%). E pode haver, portanto, reflexo no segundo turno. A peessebista vencia a petista por sete pontos de vantagem: 46% a 39%.
A pesquisa Ibope diz ter feito seu levantamento entre sexta-feira da semana passada e esta terça. O megaescândalo da Petrobras ainda estava sendo quebrado em miúdos. Esta semana será decisiva para avaliar se ele terá ou não algum impacto eleitoral. Nesse levantamento, ele ainda não pode ser levado em consideração.
Por Reinaldo Azevedo

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