
Estudo mostra que até advogados interrompem as ministras americanas, o que é proibido.
Ao o criticar o desequilíbrio nas relações de gênero no Supremo Tribunal Federal
(STF), a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, citou exemplo
de estudo sobre a interrupção de mulheres integrantes de cortes supremas por
seus colegas homens.
O chamado “manterrupting” ou “mansplaining” na Suprema Corte dos
Estados Unidos – termos que se referem à interrupção sistemática de
mulheres feita por homens ou apartes na fala das ministras para explicar
aquilo que não precisa ser explicado – foi estudado por dois pesquisadores da Escola
de Direito da Northwestern University, Tonja Jacobi e Dylan Scheweers.
Esse estudo, publicado há poucas semanas e que pode ser lido na íntegra aqui, analisou 15 anos de transcrições das
sustentações orais na Suprema Corte americana (única fase aberta ao público,
quando ministros ouvem os advogados, fazem perguntas e discutem entre si, sem
chegar a uma conclusão) e concluiu que os ministros homens (Justices)
interrompem as mulheres aproximadamente três vezes mais do que interrompem a si
mesmos.
Também mostrou que, apesar de apenas quatro mulheres terem feito
parte da Corte em toda a história (contra 113 homens – 114 agora com Neil
Gorsuch), 32% de todas as interrupções feitas num intervalo de 12 anos foram
dirigidos às magistradas. Elas, por outro lado, pouco interrompem: apenas 4%
das interrupções partiram das mulheres.
“Usando uma variedade de técnicas
estatísticas, nós constatamos que, apesar de as ministras falarem menos e usar
menos palavras do que os ministros, mesmo assim elas são interrompidas durante
a fase de sustentação oral de forma significativamente maior. Homens
interrompem mais do que mulheres e eles interrompem particularmente mulheres
mais do que interrompem os homens”, diz o estudo.
“E isso não se limita aos ministros. Advogados do sexo masculino
também interrompem regularmente as ministras. Isso é surpreendente, tanto
porque o regimento da Suprema Corte proíbe explicitamente que advogados
interrompam ministros, mas também porque o presidente do tribunal deveria
intervir quando isso acontece”.
Felipe
Seligman - Boston
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