
A reciclagem de
números de celular é uma prática permitida por lei e, caso você esteja tendo
problemas com isso, só você poderá resolvê-los

Ao clicar no endereço eletrônico da
mensagem, fui redirecionada para a página oficial da operadora para informar
meus dados e emitir um boleto para pagamento da dívida. Neste caso, é claro que
não funcionou, pois o meu CPF é outro. Contudo, me pergunto o que teria
acontecido se eu tivesse adicionando o CPF do antigo proprietário da linha:
será que conseguiria fazer o login?

Tem como desvincular o nome do número de telefone antigo?
Apesar do amparo legal, a responsabilidade de desvincular o nome do número de telefone é do proprietário da linha, seja o antigo ou o novo.
De acordo com o advogado do Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor (Idec), Igor Marchetti, “o Código de Defesa do Consumidor
em seu artigo 43, §3º, garante que o consumidor que identificar qualquer erro
na base de dados, como o caso de nomes errados vinculados com números, poderá
exigir a correção no prazo de cinco dias.”
O advogado do Idec afirmou ainda que aliado a isso
pode ser alegado que a importunação indevida fere o direito da personalidade à
privacidade garantido pelo Artigo 12, do Código Civil, e Artigo 5º, da
Constituição Federal, e recomenda que nessa situação “seja encaminhado para a
operadora e empresa carta exigindo a desvinculação do número com o nome
diferente sob pena de responsabilização por danos morais.”
Em outras palavras, se você quiser desvincular o seu
nome do número de telefone antigo deverá, em primeiro lugar, entrar em contato
com a operadora, por telefone e de forma escrita, e solicitar que os seus dados
não estejam mais vinculados ao número em questão. Depois, desvincular o
telefone de qualquer outro serviço, tais como WhatsApp, Telegram, Facebook,
Messenger e qualquer outra plataforma de Internet a qual o número de telefone
esteja associado, bem como diretamente com bancos e outras empresas de
cobrança. Caso sua solicitação não seja atendida, você poderá agir
judicialmente, amparados pela lei.
Em casos extremos, se você não fizer isso e
continuar utilizando o número antigo no WhatsApp, por exemplo, correrá o risco
de ter o aplicativo “sequestrado” pelo novo usuário do número, que ao
cadastrar o número em outro aparelho, receberá do WhatsApp uma SMS com um
código de acesso. Como você já não possui mais este número, o cadastro será
feito em nome do novo proprietário da linha e você já não poderá acessar as
suas conversas.
Agora, se assim como eu, você é o novo proprietário
da linha e não está gostando de receber mensagens que não são para você ou
ligações de desconhecidos, existem duas opções. Ou você mantém o número e entra
em contato - via telefone e escrito - com as empresas que estejam acionando o
ex-proprietário da linha para informar que o número já pertence a outra pessoa.
Ou você solicita junto à operadora a troca do número de telefone.
Eu escolhi a última opção. Para isso, entrei em
contato com o serviço de atendimento ao cliente da Vivo e, depois de 14 minutos,
consegui tranquilamente trocar de número. O processo foi extremamente rápido,
pude escolher o novo número dentre três opções, e só precisei reiniciar o meu
dispositivo para atualizar o chip. Isso faz 24 horas e, desde então, não tive
nenhum inconveniente como mensagens e chamadas de desconhecidos. E o mais
importante, não paguei um centavo a mais pela troca do número.
O dizem as Operadoras
Em contato com as operadoras, recebemos resposta
através do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel
Celular e Pessoal (SindiTelebrasil). De acordo com os assessores de imprensa do
órgão, "o
reuso de recursos de numeração por parte das prestadoras de SMP é necessário,
pois a combinação de números é finita, sendo, portanto, um recurso escasso para
a garantia da prestação do serviço. O tema é regulamentado pela Agência
Nacional de Telecomunicações, que demanda período de “congelamento” antes que
um número seja reutilizado. As prestadoras do SMP seguem a regulamentação da
Anatel, para garantir que o reuso dos recursos de numeração se dê apenas após o
prazo regulamentar."
O que recomenda a Anatel
Caso o consumidor perceba incômodos relacionados ao
tema, a Anatel orienta que o usuário entre em contato com a operadora para
conferir a situação cadastral do código de acesso. Caso o problema não seja
resolvido, sugere-se entrar em contato com a Anatel, por meio dos canais de
acolhimento e tratamento de reclamações:
·
Internet;
·
Central
de Atendimento Telefônico gratuito, no número 1331 - ou 1332, para deficientes
auditivos (não há necessidade de acrescentar o código DDD);
·
aplicativo
“Anatel Consumidor” (disponível para os sistemas operacionais Android e iOS).
Maiores informações sobre as regras da Anatel que procuram proteger o
consumidor de telecomunicações podem ser obtidas em http://www.anatel.gov.br/consumidor/.
Como você pode ver, as operadoras agem em conformidade com a lei, porém,
caso você esteja tendo problemas relacionados ao reuso da linha, você precisará
agir de forma ativa para reverter a situação. Lembre-se, seus dados e a sua
privacidade são importantes demais para você abrir mão deles.
E aí, você já teve algum problema relacionado à reutilização do número de telefone por uma operadora de telefonia móvel? Compartilhe a sua experiência nos comentários abaixo.
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