
Artigo no New York Times mostra que Bolsonaro pode estar certo sobre o
Coronavírus.
Médicos ouvidos por jornalista defendem isolamento apenas de idosos,
pessoas com doenças crônicas e com baixa imunidade — e tratar o restante da
sociedade como se lida com a gripe.
23 de março de 2020
Thomas Friedman, um dos colunistas mais influentes do mundo, ouviu três
médicos e escreveu o artigo mais contundente até agora sobre o risco do
lockdown global se estender por muito tempo.
No texto, publicado hoje à tarde no The New York Times, Friedman nota
que os políticos estão tendo que tomar “decisões enormes de vida ou morte,
enquanto atravessam uma neblina com informação imperfeita e todo mundo no banco
de trás gritando com eles. Eles estão fazendo o melhor que podem.”
Mas com o desemprego se alastrando pelo mundo tão rápido quanto o vírus,
“alguns especialistas estão começando a questionar: ‘Espera um minuto! O que
estamos fazendo com nós mesmos? Com nossa economia? Com a próxima geração? Será
que essa cura — mesmo que por um período curto — será pior que a doença?’
Friedman diz que as lideranças políticas estão ouvindo o conselho de
epidemiologistas sérios e especialistas em saúde pública. Ainda assim, ele diz
que o mundo tem que ter cuidado com o “pensamento de grupo” e que até “pequenas
escolhas erradas podem ter grandes consequências”.
Para ele, a questão é como podemos ser mais cirúrgicos na resposta ao
vírus de forma a manter a letalidade baixa e ao mesmo tempo permitir que as
pessoas voltem ao trabalho o mais cedo possível e com segurança.
Friedman diz que “se a minha caixa de email for alguma indicação, uma
reação mais inteligente está começando a brotar.”
Ele cita um artigo publicado semana passada pelo Dr. John P. A.
Ioannidis, um epidemiologista e co-diretor do Centro de Inovação em
Meta-Pesta-Pesquisa de Stanford. No artigo, Ioannidis diz que a comunidade
científica ainda não sabe exatamente qual é a taxa de mortalidade do
coronavírus. Segundo ele, “as evidências disponíveis hoje indicam que a
letalidade pode ser de 1% ou ainda menor.”
“Se essa for a taxa verdadeira, paralisar o mundo todo com implicações
financeiras e sociais potencialmente tremendas pode ser totalmente irracional.
É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando
fugir do gato, o elefante acidentalmente pula do penhasco e morre.”
Friedman também cita o Dr. Steven Woolf, diretor emérito do Centro Sobre
a Sociedade e Saúde da Universidade da Virgínia, para quem o lockdown “pode ser
necessário para conter a transmissão comunitária, mas pode prejudicar a saúde
de outras formas, custando vidas”
“Imagine um paciente com dor no peito ou sofrendo um derrame — casos em
que a rapidez de resposta é essencial para salvar vidas — hesitando em chamar o
serviço de emergência por medo de pegar coronavírus.
Ou um paciente de câncer
tendo que adiar sua quimioterapia porque a clínica está fechada”.
Friedman complementa: “Imagine o estresse e a doença mental que virá —
já está vindo — de termos fechado a economia, gerando desemprego em massa”.


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