Em 2022, Lula tinha imprensa, Supremo e Centrão no mesmo lado; em 2026, esse bloco rachou, e é nessa divisão que Flávio entra no jogo
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A leitura
mais confortável sobre 2026 é também a mais perigosa: imaginar que a eleição já
está decidida.
De um lado, há quem trate o sistema como uma máquina invencível, capaz de entregar a reeleição de Lula sem resistência.
De outro, há quem acredite que esse mesmo sistema simplesmente
apertará um botão e abandonará Lula no meio do caminho.
As duas leituras erram o ponto.
O establishment brasileiro não funciona como um bloco monolítico, com poder absoluto, capaz de mover todas as peças ao bel prazer.
Se fosse assim, a Lava Jato jamais teria acontecido.
Lula
e vários envolvidos jamais teriam sido presos. Jair Bolsonaro jamais teria sido
eleito presidente da República.
Tudo isso aconteceu. Em menos de dez
anos. Dentro do mesmo sistema.
Quem trata o sistema como um deus onipotente não está fazendo análise política.
Está fazendo teologia.
E teologia
de um deus falso, porque esse deus já perdeu várias.
O establishment brasileiro é outra coisa: uma coalizão de forças diferentes, que se unem por interesses em comum.
No meio político, estão o PT e a velha oligarquia brasileira, o chamado Centrão.
Em volta deles, o empresariado que orbita o Estado, a imprensa
profissional, a casta de servidores públicos, a Academia e o meio artístico.
Só que há um detalhe decisivo: PT e
Centrão não confiam um no outro.
Quer a prova? O impeachment de Dilma.
Foi o Centrão que apertou o botão.
Hoje, o centro do poder mudou de endereço.
O centro do poder é o Supremo.
E isso torna o jogo ainda mais complexo, porque os ministros deixaram de ser meros representantes desses grupos.
Eles têm interesses próprios, dado o poder que lhes foi entregue.
E têm
uma efetividade comprovada na blindagem geral do establishment,
atingido duramente durante a Lava Jato.
O que cola tudo isso é um único
instinto: sobrevivência.
Sobrevivência contra a revolta popular,
que hoje atende pelo nome de bolsonarismo.
A estabilidade desse arranjo depende de duas coisas.
Primeiro, a manutenção da blindagem.
Segundo, o equilíbrio da luta
interna pelo poder dentro do próprio establishment.
E é aqui que a eleição de 2026 começa a ficar interessante.
Porque essa luta interna está crescendo, e os sinais estão
à vista de todos.
O primeiro sinal foi a rejeição de Jorge Messias ao Supremo.
Em abril, o Senado rejeitou sua indicação por 42
votos contra 34.
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