ENTENDA POR QUE FLÁVIO TEM CHANCE REAL DE VENCER.

 

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Em 2022, Lula tinha imprensa, Supremo e Centrão no mesmo lado; em 2026, esse bloco rachou, e é nessa divisão que Flávio entra no jogo

Leandro Ruschel

ago 24

A leitura mais confortável sobre 2026 é também a mais perigosa: imaginar que a eleição já está decidida.

De um lado, há quem trate o sistema como uma máquina invencível, capaz de entregar a reeleição de Lula sem resistência. 

De outro, há quem acredite que esse mesmo sistema simplesmente apertará um botão e abandonará Lula no meio do caminho.

As duas leituras erram o ponto.

establishment brasileiro não funciona como um bloco monolítico, com poder absoluto, capaz de mover todas as peças ao bel prazer. 

Se fosse assim, a Lava Jato jamais teria acontecido. 

Lula e vários envolvidos jamais teriam sido presos. Jair Bolsonaro jamais teria sido eleito presidente da República.

Tudo isso aconteceu. Em menos de dez anos. Dentro do mesmo sistema.

Quem trata o sistema como um deus onipotente não está fazendo análise política. 

Está fazendo teologia. 

E teologia de um deus falso, porque esse deus já perdeu várias.

establishment brasileiro é outra coisa: uma coalizão de forças diferentes, que se unem por interesses em comum. 

No meio político, estão o PT e a velha oligarquia brasileira, o chamado Centrão. 

Em volta deles, o empresariado que orbita o Estado, a imprensa profissional, a casta de servidores públicos, a Academia e o meio artístico.

Só que há um detalhe decisivo: PT e Centrão não confiam um no outro.

Quer a prova? O impeachment de Dilma. Foi o Centrão que apertou o botão.

Hoje, o centro do poder mudou de endereço. 

O centro do poder é o Supremo. 

E isso torna o jogo ainda mais complexo, porque os ministros deixaram de ser meros representantes desses grupos. 

Eles têm interesses próprios, dado o poder que lhes foi entregue. 

E têm uma efetividade comprovada na blindagem geral do establishment, atingido duramente durante a Lava Jato.

O que cola tudo isso é um único instinto: sobrevivência.

Sobrevivência contra a revolta popular, que hoje atende pelo nome de bolsonarismo.

A estabilidade desse arranjo depende de duas coisas. 

Primeiro, a manutenção da blindagem. 

Segundo, o equilíbrio da luta interna pelo poder dentro do próprio establishment.

E é aqui que a eleição de 2026 começa a ficar interessante. 

Porque essa luta interna está crescendo, e os sinais estão à vista de todos.

O primeiro sinal foi a rejeição de Jorge Messias ao Supremo. 

Em abril, o Senado rejeitou sua indicação por 42 votos contra 34.


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