Servidores do IBGE ampliaram, nesta segunda-feira, 17 de agosto, a greve contra medidas classificadas como “autocráticas” e “ilegais” da gestão do petista Marcio Pochmann.
A paralisação, iniciada uma semana antes na Bahia, chegou à sede e à
superintendência do instituto no Rio. Outros oito núcleos estão em estado de
greve.
Segundo a Assibge, cerca de 40% dos servidores da unidade baiana já cruzaram os
braços.
O sindicato denuncia alterações impostas na remuneração dos agentes de
coleta, no regime de trabalho dos aprovados pelo CNU e na progressão das
carreiras. Pochmann também é acusado de fechar as portas aos trabalhadores: a
direção sindical, eleita em outubro de 2025, aguarda há 11 meses para ser
recebida.
A hipocrisia do PT é incontornável - o partido nasceu do movimento sindical,
mas, no comando do IBGE, um de seus militantes históricos se recusa até mesmo a
receber o sindicato.
Indicado por Lula, Pochmann acumula confrontos com o corpo técnico.
Filiado ao
PT, foi candidato pela legenda três vezes e presidiu por oito anos a Fundação
Perseu Abramo, braço ideológico do partido.
Sua gestão já foi acusada de autoritarismo, aparelhamento e retaliação.
A
tentativa de criar a Fundação IBGE+, apelidada de “IBGE paralelo”, enfrentou
resistência dos servidores e foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas
da União.
Em janeiro de 2026, Rebeca Palis, responsável havia 11 anos pela área que
calcula o PIB, foi exonerada sem justificativa pública.
A decisão provocou uma debandada nas Contas Nacionais: Cristiano Martins, Claudia Dionísio e Amanda Tavares entregaram seus cargos.
Ana Raquel Gomes da Silva também foi exonerada
da função de gerente após denunciar conteúdo considerado propaganda política em
uma publicação oficial.
O órgão responsável por retratar a realidade brasileira está sendo corroído por
uma gestão acusada pelos próprios trabalhadores de perseguir técnicos, impor
decisões e sufocar o diálogo.
O IBGE afirma que continua funcionando normalmente e que as mudanças buscam
modernizá-lo.
Pochmann pode repetir que preserva a autonomia dos números, mas a
greve mostra que, entre aqueles que os produzem, a confiança em sua gestão já
acabou.
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