Flávio
poderá enviar PEC de cortes ao Congresso antes da posse, diz Daniella
Coordenadora econômica da
campanha afirma que eventual ajuste será concentrado na redução de despesas.
Publicado em 21 de agosto de 2026
A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou nesta sexta-feira (21) que, caso o senador seja eleito presidente, a equipe pretende apresentar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir despesas públicas.
Segundo ela, a medida poderá ser encaminhada
antes mesmo da posse.
A declaração foi feita durante o 25º Fórum Empresarial do Lide, no Rio de Janeiro.
Marques afirmou que a
estratégia econômica defendida pela campanha priorizará o corte de gastos, em
vez da elevação de receitas por meio de impostos.
Segundo a coordenadora, a proposta ainda está em elaboração e deverá envolver a redução da estrutura administrativa do governo, revisão de despesas e combate a sobreposições e privilégios.
A equipe também avalia uma redução no número de
ministérios.
Marques disse que a discussão sobre o ajuste fiscal não ficará restrita ao Executivo.
Na avaliação dela, Congresso e Judiciário deverão participar das decisões por
meio de um Conselho Superior da República.
“A
opinião de nós, técnicos, sobre as emendas é irrelevante se o Congresso não
estiver na mesa”, afirmou.
A
coordenadora defendeu que a construção da proposta ocorra por meio de
negociação política. Segundo ela, a expectativa da campanha é contar com uma
base parlamentar capaz de viabilizar as medidas após as eleições.
Cortes e estrutura do governo
Marques afirmou que um eventual governo de Flávio poderá trabalhar com uma estrutura de aproximadamente 20 a 25 ministérios.
A equipe também estuda medidas para
reduzir despesas administrativas e revisar programas e estruturas que tenham
funções sobrepostas.
Outra frente mencionada pela coordenadora envolve a digitalização da administração pública.
Ela afirmou que a inteligência artificial poderá substituir parte das
funções operacionais e administrativas à medida que servidores se aposentarem.
Marques
ressaltou, porém, que a proposta não prevê mudanças na estabilidade dos
servidores públicos.
“Isso é o futuro
. As carreiras serão absolutamente respeitadas, e um estado mais
eficiente permite que sejam melhor remuneradas também”, afirmou.
Segundo a coordenadora, a administração pública possui atualmente cerca de 12 milhões de servidores, com custo anual estimado em R$ 450 bilhões.
Ela também citou
despesas adicionais relacionadas à estrutura operacional e a serviços
terceirizados.
Emendas parlamentares
A
participação do Congresso também deverá envolver a discussão sobre emendas
parlamentares. Marques afirmou que os técnicos não poderão definir isoladamente
mudanças nessa área.
Ela
disse que a definição caberá aos próprios parlamentares e defendeu que o tema
seja discutido dentro de uma negociação mais ampla sobre o orçamento.
A
eventual PEC poderá tratar de despesas obrigatórias, mas ainda não há definição
sobre quais medidas serão incluídas no texto.
Ajuste pelo lado das despesas
Marques
também estabeleceu uma diferença entre a proposta econômica defendida pela
campanha e a estratégia adotada pelo governo do presidente Lula (PT).
Segundo ela, a equipe de Flávio pretende concentrar o ajuste nas despesas públicas.
A
coordenadora criticou a possibilidade de aumento da carga tributária para
financiar o funcionamento da máquina pública.
“A nossa primeira frente é fiscal.
A gente não quer começar aumentando o imposto
de quem produz”, afirmou.
Entre
as medidas estudadas estão a revisão de estruturas governamentais, redução de
desperdícios, avaliação de estatais e ativos públicos, digitalização de
processos e centralização de serviços administrativos.
Marques
também afirmou que a responsabilidade fiscal deve ser tratada como uma política
voltada à população e criticou o que chamou de sobreposição de decisões entre
os Poderes.
“Não há
liberdade econômica num país instável, em que não há harmonia, em que há
sobreposição de decisões entre os três poderes”, declarou.
Daniella nega perfil extremado.
Durante
o evento, Marques também rejeitou a avaliação de que a candidatura de Flávio
Bolsonaro represente uma opção política extremada.
“Não me
vejo em uma candidatura extremada”, afirmou.
A declaração ocorreu após o ex-governador de São Paulo João Doria defender uma alternativa que não estivesse posicionada nos extremos do espectro político.
Após ouvir as propostas apresentadas por Marques, Doria afirmou ter mudado sua avaliação sobre a candidatura.
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