☼ Mais bombeiros acampam na Alerj e grupo preso prepara manifestação ☼

Aumenta adesão a acampamento dos bombeiros na Alerj
Publicada em 09/06/2011 às 14h59m
Ana Claudia Costa, Ludmilla de Lima, Vinicius Lisboa. Waleska Borges, Paulo Roberto Araújo e Simone CandidaO Globo
Bombeiros presos no quartel de Charitas preparam material para a manifestação que será realizada no domingo, em Copacabana Foto: Pablo Jacob / O Globo
RIO - Pelo quinto dia consecutivo, bombeiros seguem acampados na Assembleia Legislativa do Rio, pedindo a liberdade dos militares presos no quartel de Charitas, em Niterói. O grupo de manifestantes tem aumentado a cada dia.

Na manhã desta quinta-feira, cerca de 80 bombeiros ocupam as escadarias da Alerj, enquanto na quarta eram 50. O número deve aumentar no início da tarde, quando mais militares e representantes de outras categorias deverão se juntar ao protesto. Também pela manhã, mais barracas e colchonetes foram instalados nas laterais da escadaria da Alerj. A cozinha improvisada também cresceu.

Pessoas que passam pela rua e manifestam apoio à causa aproveitam para comer o cachorro-quente que é feito para os acampados. Enquanto isso, um grupo de bombeiros presos no quartel de Charitas abriram uma grande faixa convocando a população a participar de uma passeata no domingo, a partir das 9h, na Praia de Copacabana. No prédio vizinho, moradores pintaram faixas de apoio aos presos e amarraram fitas vermelhas nas janelas.

Os bombeiros também anunciaram que ônibus trazendo militares de outros estados, como Minas Gerais e Santa Catarina, estariam seguindo para o Rio para dar apoio ao movimento.
No início da tarde desta quinta-feira, um grupo com cerca de 20 bombeiros do Quartel de Campinho, na Zona Norte do Rio, se deslocou até Charitas e realizou um "buzinaço" em frente ao quartal onde os seus colegas estão presos.

- Fizemos um banner em homanegem ao sargento Sandro e o cabo Leandro (que estão presos em Charitas e são lotados em Campinho), com o desenho de um bombeiro. Está estampado na parede do nosso quartel. Eles são nossos heróis - disse Adriana Araújo, cabo do Corpo de Bombeiros e lotada no quartel de Campinhos Na Zona Sul, cerca de 50 bombeiros dos quartéis da Zona Sul saíram em passeata, na manhã desta quinta-feira, da calçada em frente ao Botafogo Praia Shopping.

Por volta das 13h, eles percorriam o Aterro do Flamengo em direção ao Monumento aos Pracinhas. Os bombeiros carregavam faixas e estavam com um carro de som. O protesto é para a liberação dos 439 bombeiros presos. Durante o ato no Aterro do Flamengo, os manifestantes prometem colocar as cabeças no chão. A passeata provoca pequena retenção ao trânsito. Os bombeiros carregam uma bandeira vermelha com o sinal da cruz em branco.


Delegados da Polícia Civil do Rio foram orientados, na manhã desta quinta-feira, a punir policiais civis que forem flagrados usando fitas vermelhas em solidariedade aos bombeiros presos. A determinação chegou por telefone às delegacias regionais da Polícia Civil no estado. A chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, porém, negou no início da tarde desta quinta-feira que tenha determinado qualquer tipo de punição. Já o comandante do Estado Maior da PM, coronel Álvaro Garcia, negou, pela manhã, que um policial do Batalhão de Choque flagrado usando fita vermelha na farda tenha sido preso ou transferido.

Ele explicou que o militar recebeu orientação de seu comandante que não pode participar de manifestações em serviço. Ele disse, ainda, que o militar não pode colocar em sua farda qualquer acessório que não seja regulamentado. Garcia também informou que não houve policiais presos por uma suposta recusa em participar da ação no quartel central dos bombeiros.

O comandante do Bope, tenente-coronel René Alonso, informou que não há policiais de seu batalhão presos por terem se negado a participar da intervenção ao quartel central do Corpo de Bombeiros na manhã de sábado. O comandante acrescentou que homens da corporação estavam chateados por terem atuado naquelas circunstâncias, contra colegas de farda. Ele acrescentou, no entanto, que seus policiais estavam cumprindo um dever.

Já parlamentares da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados visitam bombeiros presos no hospital da corporação e no quartel do Méier. Do lado de fora da unidade, cerca de 50 estudantes do Colégio Estadual Central do Brasil participam de uma manifestação. Eles erguem faixas no meio da rua quando os sinais de trânsito estão fechados, e amarram fitas vermelhas nos carros e ônibus, se os motoristas dão a autorização. De acordo com os estudantes, parte das aulas foi suspensa por causa da greve dos professores.

Do Meier, os deputados vão encontrar os líderes do movimento presos no Grupamento Especial Prisional, em São Cristóvão. Depois, seguem para o quartel de Charitas, que abriga os 439 bombeiros presos. A agenda será fechada com um encontro com os manifestantes acampados em frente à Alerj.

Fazem parte do grupo os deputados Mendonça Prado (DEM-SE), Alessandro Molon (PT-RJ), Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Dr. Aluízio (PV-RJ), que se uniu aos colegas, apesar de não ser membro da comissão. Ao meio-dia, o presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Pedro de Jesus, também visitará a primeira-tenente enfermeira Lucrécia Belo Fonseca, presa no quartel do Méier. Ela foi detida por ter participado da invasão ao quartel central.

Em entrevista à Rádio CBN, o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, Wanderlei Ribeiro, reafirmou a posição da categoria de exigir a soltura dos 439 bombeiros presos antes de discutir uma nova proposta salarial. O representante dos militares pediu ainda uma audiência com o governador Sérgio Cabral para tentar resolver o impasse financeiro.

Deputado investiga se policiais que se recusaram a invadir quartel estariam presos
O deputado estadual Paulo Ramos (PDT) disse que recebeu informações de fontes de dentro do Quartel General da Polícia Militar de que os policiais do Batalhão de Operações (Bope) e do Batalhão de Choque que se recusaram a invadir o Quartel Central dos bombeiros estariam presos. Ele acrescentou que recebeu informações de que está havendo um constrangimento dos comandantes do Choque e do Bope com a tropa, que não gostou de cumprir a missão de entrar no quartel e prender os bombeiros.

Paulo Ramos disse ainda que soube que um policial do Bope estaria internado com uma crise nervosa porque foi obrigado a entrar no quartel e combater outros militares. O deputado disse que está checando as informações para ver se são verídicas. Mas o comandante do Bope, tenente-coronel René Alonso, negou, na manhã desta quinta-feira, a informação de que um policial do Bope estaria internado com crise nervosa. De acordo com Alonso, há um policial em recuperação no hospital porque machucou o nariz na ação.

Na quarta-feira, a Polícia Militar aderiu ao movimento e representantes de entidades de classe da segurança pública do Rio se reuniram com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, e apresentaram, além da unificação da pauta de reivindicações das duas corporações, a proposta de elevar o piso salarial para R$ 2.900 . A quantia é R$ 900 acima do reivindicado anteriormente pelos bombeiros. Antes mesmo de a adesão dos PMs ser oficializada, mais de cem policiais participaram de uma carreata com bombeiros em Cabo Frio.

Durante entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta-feira, os porta-vozes do movimento dos bombeiros disseram, no entanto, que nenhuma entidade de classe está apta a negociar com eles. De acordo com o capitão Lauro Botto, que é lotado em Resende, a proposta do salário de R$ 2.900 da Frente Unificada das Entidades de Classe e Segurança Pública não partiu da tropa que iniciou o movimento. Ele garante que, até o momento, ainda está sendo mantida a proposta de salário líquido de R$ 2 mil e benefício de vale-transportes. Botto diz, no entanto, que o apoio das entidades é bem-vindo.

Em resposta, o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, Vanderlei Ribeiro, que integra a Frente Unificada das Entidades de Classe da Segurança Pública, disse que as entidades vão continuar negociando com as autoridades do governo.

- Essa posição de que as entidades não podem negociar é de uma meia dúzia de equivocados que está sendo usada politicamente para provocar um racha no movimento. Não podemos ficar submissos a eles. Nós que representamos as entidades de classe da segurança pública estamos interferindo politicamente para soltar os bombeiros. A Frente Unificada das Entidades de Classe da Segurança Pública tem sim legtimidade para negociar - retrucou Ribeiro avisando que na sexta-feira, às 12h, as entidades vão fazer um ato em solidariedade aos bombeiros nas escadarias da Alerj.

Os representantes de entidades de classe da segurança pública do Rio se reuniram com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, e apresentaram, além da unificação da pauta de reivindicações das duas corporações, a proposta de elevar o piso salarial para R$ 2.900. Também presente na coletiva, o cabo Laércio Soares, do 2º GMar (Barra), disse que, antes da discussão salarial, a prioridade é a anistia dos bombeiros, não considerando as sanções e punições que eles sofreram:

- Nem que se hoje o governo dissesse que vai pagar R$ 5 mil nós vamos acabar com o movimento. Os bombeiros vão continuar dormindo ali, na Alerj, até que nossos heróis presos se livrem da prisão ou de qualquer punição.

O capitão Botto se mostrou indignado com a decisão da Justiça pelo indeferimento da soltura dos bombeiros:
- A ordem pública está sendo muito mais desrespeitada quando 431 heróis estão sendo mantidos presos. São menos homens que estão atendendo aos chamados do 193 e ao salvamento dos nossos filhos nas praias.

O defensor público Luis Felipe Drummond disse que apenas hoje teve acesso ao auto de prisão em flagrante e a decisão da juíza na íntegra. Os defensores vão se reunir ainda hoje, mas ele adianta que poderá ser pedido um novo habeas corpus ou petição.
Na noite de quarta-feira, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar, negou o relaxamento da prisão de 431 bombeiros que estão presos . O pedido tinha sido feito pela Defensoria Pública. Na decisão, a juíza escreveu que a liberdade dos militares poderia pôr em risco a ordem pública e provocar transtornos aos cidadãos, por causa das manifestações, além de aumentar a certeza da impunidade. Há 439 bombeiros presos, mas apenas 431 são atendidos pela Defensoria Pública.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/06/09/aumenta-adesao-acampamento-dos-bombeiros-na-alerj-924647786.asp#ixzz1Oo76EyzL
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