Holanda trabalha para atrair pequenas e médias empresas do agronegócio

Com portos e incentivos fiscais, país monta estrutura no Brasil e fará evento para o setor

Pedro Carvalho - iG São Paulo | 26/04/2013
Porto de Roterdã, o maior da Europa: "nosso interesse está nas potenciais exportadoras", diz representante

No dia 21 de novembro passado, uma festa no Jockey Club de São Paulo com a presença do príncipe da Holanda – e pouca cobertura da imprensa – inaugurou a Agência Holandesa de Investimentos (NFIA). O órgão terminou de montar a equipe somente em janeiro e daqui a dois meses fará o primeiro evento de porte, focado no setor que mais interessa ao escritório: o agronegócio brasileiro. 
A função da NFIA é caçar empresas que queiram montar filiais ou produzir na Holanda. Principalmente pequenos e médios negócios do campo, segmento com alto potencial de exportação. As grandes já foram para lá faz alguns anos – a BRF tem uma planta de produção de frango e exporta nuggets para a Europa pelo porto de Roterdã, a Marfrig possui um escritório de marketing e vendas. Os principais argumentos da agência são os incentivos fiscais e a boa estrutura logística.   
Na Holanda, o imposto sobre o lucro começa em 20% e sobe para 25% se o valor passar de 200 mil euros, mas pode cair a 5% caso o produto tenha demandado desenvolvimento no país. Na França, a taxa é de 34%; na Alemanha, 30,2%; na Espanha, 30%. Além disso, o governo reembolsa 30% do salário do funcionário se ele for recrutado no exterior e tiver conhecimentos em áreas nas quais os holandeses tenham necessidade de aprendizado.
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Investimento holandês no Brasil passa de US$ 13 bi, enquanto o contrário não chega a US$ 500 mi 
O país também é uma porta de entrada privilegiada para o mercado europeu. De todos os centros de distribuição do continente, 51% ficam na Holanda – a Bélgica, segunda colocada na lista, tem 18%. "Somos países pequenos, nunca tivemos mercado interno para nos acomodar, a logística está em nosso sangue", diz Egbert Hartsema, diretor geral da NFIA.
O porto de Roterdã é, de longe, o maior da Europa. No ano passado, funcionando 24h por dia e sete dias por semana, movimentou 441 milhões de toneladas de carga, mais ou menos o dobro do segundo maior, na Antuérpia – e quatro vezes mais que Santos, maior porto do Brasil.
Em junho, a agência dará sua primeira grande tacada ao promover o Seminário Agrofood, no hotel Renaissance, em São Paulo, no qual pretende conversar com 80 a 100 pequenas e médias empresas do setor. "Nosso maior interesse está naquelas que têm volume de exportação maior, que estão de olho na internacionalização", diz Hartsema.
A NFIA já teve um caso de sucesso no Brasil – e não foi no agronegócio: uma empresa baiana de informática, que vai abrir escritório em Amsterdã em maio. No total, cerca de 15 empresas brasileiras relevantes têm operações na Holanda, entre elas a Petrobras e a Brasken. "É muito pouco, perto do potencial que enxergamos. O investimento holandês no Brasil passa de US$ 13 bilhões, enquanto o investimento brasileiro na Holanda não chega a US$ 500 milhões" diz o diretor.
Para Hartsema, esse potencial se encontra principalmente no campo. "O Brasil é muito competitivo no agronegócio, talvez nenhum país o seja mais. Só que perde muito em logística", afirma. A NFIA tem acesso a prefeituras, universidades e outros órgãos holandeses que viabilizam os investimentos estrangeiros. "A Holanda não sofreu como outros países na crise, e esperamos que, quando a recuperação vier, nós iremos aproveitar o máximo dela", diz.  

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