Para governistas, desgaste da popularidade não se restringe apenas à gestão Dilma


TAI NALON  VALDO CRUZ  DE BRASÍLIA
Aliados do Palácio do Planalto minimizaram neste sábado (29) a queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff. Eles atribuem a eventual volatilidade da opinião pública a um "momento de alerta", resultante das recentes manifestações populares pelo país.



Segundo os governistas, o Planalto aposta na melhora da economia no segundo semestre para recuperar o prestígio da presidente e de sua gestão. Eles reconhecem que o desgaste na imagem da presidente não pode ser ignorado, mas destacam que a crise não se restringe apenas à atuação do governo.

Para o presidente do PT, Rui Falcão, Dilma tem índices superiores aos piores momentos registrados durante os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso. "A economia vai melhorar no segundo semestre e isso vai ensejar uma recuperação nas próximas pesquisas", disse.

O petista afirmou ainda que a pesquisa traz dados positivos ao governo, ao mostrar que medidas anunciadas por Dilma em resposta aos protestos estão sendo bem aceitas pela população.
Segundo o Datafolha, 68% dos brasileiros acham que Dilma agiu bem ao propor uma consulta popular sobre a criação de um grupo de representantes eleitos pelo povo para propor mudanças na Constituição. Só 19% entendem que ela agiu mal. Outros 14% não souberam responder.

Quando o Datafolha pediu uma opinião específica sobre a reforma política, 73% afirmaram que são a favor da apreciação desse tema por parte do grupo de eleitos. Opiniões contrárias somam 15%.

"Foi importante que as duas iniciativas dela tiveram aprovação expressiva, o que é um dado relevante para se observar", disse Falcão.

Para o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a queda de popularidade da presidente não pode ser ignorada. Contudo, ele acredita que o momento é de "questionamento amplo, generalizado, que não ataca pessoalmente uma figura política, mas todos os políticos".

"A presidente relatou na quinta-feira que todos estão satisfeitos da porta para dentro de casa; mas, da porta para fora, a situação piorou. A saúde piorou, a segurança piorou, o transporte piorou", disse.

"É uma queda que não dá para minimizar. Mas todos os governos também registraram queda. Era previsto que, diante desta reação pública concentrada, iria captar todo mundo. É um momento político importante do país e, levando em conta o momento, é natural que façam comparações."

"A expectativa sobre inflação piorou, a expectativa sobre desemprego piorou, as expectativas estão ruins de um modo geral. Mas, nos fatos concretos, a inflação está sob controle, estamos em pleno emprego apesar de uma crise mundial generalizada, o poder de consumo aumentou. Não anula, obviamente, a reação da sociedade com problemas crônicos", completou.

Já o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), diz que o governo federal tem, sim, a maior parte das responsabilidades, por se tratar de um descrédito da população quanto aos indicadores da economia.

"A crise nos transportes, que é algo de governo local, acabou afetando outras áreas. Mas, se há a percepção de que a economia piorou, então é, sim, um foco de insatisfação com o governo federal que não pode ser ignorado. Não é só porque afetou todo mundo que o governo federal não tem a maior responsabilidade nisso."

Ele disse que o país passa, devido às manifestações, por um "momento de alerta", quando "índices costumam ser muito distorcidos e ficam muito voláteis". "Então, pode ser um reflexo ou não de momento, pode ser circunstancial ou não, a depender das ações posteriores dos governos."

"É prematuro falar em 2014. Estamos saindo vivos de uma batida de trânsito. Resta saber se conseguiremos sair vivos do hospital."

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, considerou a queda da popularidade de Dilma Rousseff como "natural" e "conjuntural".

"Em momentos como este, de manifestações e protestos, é natural que os governantes tenham queda de aprovação. Isso deve ter acontecido com todos os outros governantes, principalmente chefes de Executivo", disse Gleisi.

Segundo a ministra, o fato de Dilma ser a autoridade máxima do país lhe confere uma exposição maior _e, consequentemente, recebe mais críticas. "A presidente, por ser uma pessoa que se expõe muito e tem muita visibilidade, acaba respondendo por problemas que muitas vezes não são de sua responsabilidade. Avaliamos que isso é reflexo da conjuntura", disse.

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