Começamos a partir do ano de 1997, onde pesquisas começaram a relacionar o fácil acesso às armas de fogo ao aumento do número de homicídios, começando por aí as primeiras iniciativas em favor do desarmamento no Brasil, e é nesse ano que o discurso de controle de armas de fogo ganha mais vigor entre as autoridades, estudiosos e agentes da segurança pública.
Foi neste ano que apareceram os primeiros movimentos pró-desarmamento no Brasil.
Apoiados pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em 2003, foi organizada uma Marcha Silenciosa, com sapatos de vítimas de armas de fogo, em frente ao Congresso Nacional.
Isso bastou para chamar atenção da mídia e da opinião pública, e diante essa situação, legisladores tomaram para si o tema e criaram uma comissão mista, com deputados federais e senadores para formular uma nova lei: o Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), sancionado em dezembro de 2003, pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Com o Estatuto, o país passou a ter critérios mais rigorosos para o controle das armas, dificultando o acesso do cidadão comum ao porte.
Com o objetivo de mobilizar a população em prol do Estatuto, instituiu-se a realização das campanhas de desarmamento, para a retirada de circulação o maior número possível de armas de fogo, sempre com a propaganda de "contribuição para a redução da violência no país", utilizando dados, gráficos e todo tipo de pesquisa para ter o apoio da sociedade brasileira em favor do Desarmamento.
No ano de 2004, o Ministério da Justiça realizou a primeira campanha, prevendo o pagamento de indenização para quem entregasse espontaneamente suas armas à Polícia Federal.
Em anos posteriores, 2008/2009 foram realizadas outras edições, onde recolheram cerca de 570 mil armas (só do cidadão de bem que cumpre as leis, claro).
Cartaz da Campanha Nacional do Desarmamento de 2011
Em outubro de 2005, foi realizado um referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições.
Na ocasião, o eleitorado brasileiro, por meio da urna eletrônica, decidiu pelo 'não' à proibição da venda de armas e munições, e de sua comercialização, no total de 59.109.265 eleitores (63,94%), daí a comercialização desses objetos continuou.
Porém, a decisão do referendo não foi suficiente para impedir que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento entrasse em vigor.
Mais recentemente, no ano de 2012, o Deputado Federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB/SC) apresentou um projeto de lei, o PL 3722/2012, com o intuito de revogar o popular "estatuto do desarmamento" e regulamentar a aquisição e circulação de armas de fogo no país", em favor dos quase 60 milhões de eleitores, que no Referendo de 2005, rejeitaram a ideia de se extinguir o comércio de armas e munições no Brasil.
Agora, em outubro de 2015, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei, que logo seguirá a plenário e depois para a sanção (ou veto) da então Presidente da República Dilma Rousseff.
Lamentavelmente, desde 2003 quando se aprovou a lei de restrição ao porte de armas, as estatísticas apontam que ela não conseguiu reduzir as mortes e muito menos a criminalidade no país.
Tal Estatuto perdeu seu sentido desde o resultado do referendo de 2005, onde a maioria esmagadora da população reprovou a ideia da lei, se distanciando assim da realidade brasileira.


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