Os buracos negros
são talvez os objetos mais estranhos e menos compreendidos em nosso universo.
Eles tem ligação com incríveis possíveis fenômenos: de buracos de
minhoca a universos bebês e
agora universos fractais.
Por mais bizarros
que os buracos negros sejam, tipos ainda mais estranhos podem ser teorizados. E
uma equipe de cientistas se aprofundou na matemática dos chamados buracos
negros carregados e descobriu uma série de surpresas, incluindo um espaço-tempo
infernal, uma exótica paisagem fractal e talvez mais.
Existem inúmeros
tipos de buracos negros hipotéticos que podem ser reais: aqueles com ou sem
carga elétrica, os giratórios ou estacionários, os cercados por matéria ou os
que flutuam no espaço vazio. Sabe-se que alguns desses buracos negros
hipotéticos existem em nosso universo; por exemplo, o buraco negro giratório
cercado por matéria que gira ao seu redor é uma presença bastante comum. Até tiramos uma
foto de um.
Mas alguns outros
tipos de buracos negros são puramente teóricos. Mesmo assim, os físicos ainda
estão interessados em investigá-los ao se aprofundar em seus fundamentos
matemáticos em que é possível descobrir novas relações e implicações das
teorias da física, que podem ter consequências no mundo real.
Um desses buracos
negros teóricos seria o buraco negro eletricamente carregado cercado por um
certo tipo de espaço conhecido como anti-de Sitter. Sem entrar em detalhes,
este tipo de espaço tem curvatura geométrica negativa constante, como uma sela
de cavalo, que sabemos não é uma boa descrição de nosso universo. (Um cosmos
com espaço anti-de Sitter teria uma constante cosmológica negativa, o que
significa que qualquer matéria tenderia a se condensar em um buraco negro, ao
contrário da expansão acelerada conhecida que está ocorrendo no universo.
Este espaço em
forma de sela de cavalo não existe em nosso universo, mas tudo bem: Acontece
que esses buracos negros exóticos ainda têm estruturas surpreendentemente
intrincadas que valem a pena explorar.
Um dos motivos
pelos quais vale a pena explorar é que os buracos negros carregados
compartilham muitas semelhanças com os buracos negros giratórios, que
certamente existem em nosso universo, mas os buracos negros carregados são
matematicamente mais simples de lidar. Portanto, ao estudar os buracos negros
carregados, podemos obter alguns insights sobre os buracos negros rotativos do
universo real.
Além disso, os
físicos descobriram que quando esses buracos negros se tornam relativamente
frios, eles criam uma “névoa” de campos quânticos ao redor de suas superfícies.
Essa névoa adere à superfície, puxada para dentro pela gravidade do próprio
buraco negro, mas empurrada para fora pela repulsão elétrica do mesmo buraco
negro. Uma névoa de campos quânticos operando de maneira estável em uma
superfície também é conhecida como supercondutor. Os supercondutores têm
aplicações no mundo real (ou seja, eles podem transmitir corrente elétrica sem
resistência), portanto, investigar como os supercondutores funcionariam nesses
cenários exóticos nos ajuda a compreender suas estruturas matemáticas, o que
pode levar a novos idéias para aplicações reais.
Em um estudo
publicado em 28 de agosto no banco de dados de pré-impressão arXiv, uma equipe
de cientistas usou recentemente a linguagem da supercondutividade para
descobrir o que existe mais abaixo da superfície
desses buracos negros hipotéticos.
Quase um buraco de minhoca
Buracos negros
carregados “normais”, que são envoltos em um espaço-tempo comum daqueles
encontrados em nosso universo, têm algumas peculiaridades em seu interior.
Primeiramente, além do horizonte de eventos (a região de um buraco negro que,
quando ultrapassada, nada consegue pode sair) está algo chamado horizonte
interno, uma região de energias quânticas intensas. Além disso, há um buraco de
minhoca, uma ponte para
um buraco branco em alguma outra seção solitária do universo
(pelo menos, de acordo com a matemática).
Não sabemos
realmente se buracos de minhoca existem, porque a matemática dos buracos negros
carregados se desmancha no horizonte interno e nada mais funciona a não ser que
se crie uma nova física. Felizmente, os buracos negros carregados cercados por
espaço anti-de Sitter, que passaremos a chamar de buracos negros
supercondutores, não tem esse problema.
A boa notícia é
que o horizonte interno de um buraco negro supercondutor não se desmancha o que
permite navegar suavemente por ele sem ser
espaguetificado como um buraco negro normal estacionário faria. A má
notícia é que a ponte do buraco de minhoca dentro de um buraco negro
supercondutor também se destrói, então você não consegue se transportar para
estrelas distantes.
Mas isso não
significa que nada de interessante aconteça ali. Logo depois do que seria o
horizonte interno, o interior de um buraco negro supercondutor fica um tanto
espumoso.
Normalmente, as
partículas em supercondutores da vida real podem oscilar, suportando ondas que
se movem para frente e para trás em um efeito conhecido como Oscilações
Josephson. E bem dentro desses buracos negros, o próprio espaço vibra para
frente e para trás. Se você cair fisicamente em um desses monstros, terá
passará por uma boa turbulência.
Um estranho universo fractal
Mas, uma vez que
passamos pela vibração do espaço-tempo, o que vem a seguir é realmente
assombroso. Os cientistas observaram que as regiões mais internas de um buraco
negro supercondutor podem apresentar um trecho de um universo em expansão em
miniatura, um lugar onde o espaço pode se esticar e se deformar em taxas
diferentes em direções diferentes.
Além do mais,
dependendo da temperatura do buraco negro, algumas dessas regiões do espaço
podem desencadear uma nova rodada de vibrações, que então criam um novo trecho
de espaço em expansão, que desencadeia uma nova rodada de vibrações, que então
criam um novo trecho de espaço em expansão, e assim por diante, em escalas cada
vez menores.
Seria um mini
universo fractal, repetindo-se infinitamente de escalas grandes a pequenas. É
absolutamente impossível descrever como seria atravessar essa região, mas
certamente seria estranho.
No centro deste estranho
universo fractal, a bagunça caótica é a singularidade: o ponto de densidade
infinita, o lugar onde reside cada pedaço de matéria que já caiu no buraco
negro.
Infelizmente,
mesmo com suas técnicas matemáticas supercondutoras supercarregadas, os pesquisadores
não conseguem descrever o que acontece na singularidade. Toda a física
conhecida se desmancha, exigindo novas teorias da gravidade para uma descrição
completa.
É um mistério o que encontraríamos no centro de um buraco negro supercondutor, mas a viagem seria louca. [Space]

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