Robson de Souza, mais conhecido por Robinho no mundo do futebol, foi condenado em primeira instância em 2017 pela Justiça italiana em um caso de estupro coletivo no ano de 2013
Por Redação do Esporte Interativo 17 de Outubro
Robson de Souza, apelidado por "Robinho" no mundo
futebol, e seu amigo pessoal, Ricardo Falco, foram condenados em
primeira instância a nove anos de prisão por violência sexual de grupo
contra uma jovem, em 2013. À época, o jogador atuava no Milan. O site "globoesporte.com"
teve acesso ao documento em que se mostra interceptações telefônicas realizadas
contra os envolvidos, autorizadas pela Justiça.
O caso ocorreu em uma boate de Milão chamada "Sio
Café", na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013. Além de Robinho e
Falco, mais outros quatro brasileiros teriam participado do ato
classificado pela Procuradoria de Milão como violência sexual. Os
quatro deixaram a Itália no decorrer da investigação, eles estão sendo
processados num procedimento à parte. É o que disse
ao "globoesporte.com" o advogado Jacopo Gnocchi, que
representa a vítima.
Robinho e Falco foram condenados pelo artigo
"609 bis" da Justiça italiana, em que se fala sobre participação de
duas ou mais pessoas reunidas para ato de violência sexual – forçando alguém a
manter relações sexuais por sua condição de "inferioridade física ou
psíquica”.
Nas diversas declarações grampeadas, mostra-se uma conversa
de Ricardo Falco com Robinho que indicou ao tribunal que os envolvidos tinham
consciência da condição da vítima. Cada um dos outros quatro brasilerios
acusados aqui estão identificados como "Amigo 1, 2, 3 ou 4".
Falco: –Ela se lembra da situação. Ela sabe que todos transaram
com ela.
Robinho: – O (NOME DE AMIGO 1) tenho certeza que gozou dentro
dela.
Falco: – Não acredito. Naquele dia ela não conseguia fazer nada,
nem mesmo ficar em pé, ela estava realmente fora de si.
Robinho: – Sim.
Logo no primeiro mês de
monitoramento, uma interceptação mostrou o músico Jairo Chagas, que tocou
naquela noite na boate, avisa a Robinho sobre a investigação. O jogador, então,
responde:
Robinho: - Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava
completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu, e completa, olha, os caras estão na merda... Ainda
bem que existe Deus, porque eu nem toquei aquela garota. Vi (NOME DE AMIGO 2),
e os outros foderam ela, eles vão ter problemas, não eu... Lembro que os caras
que pegaram ela foram (NOME DE AMIGO 1) e (NOME DE AMIGO 2).... Eram cinco em
cima dela.
Ainda em janeiro de 2014, o músico e o
jogador voltaram a falar sobre o episódio. O diálogo entre os dois transcrito
na sentença é o seguinte:
Robinho: –A polícia não pode dizer nada, eu direi que estava com
você e depois fui para casa.
Jairo: – Mas você também transou com a mulher?
Robinho: – Não, eu tentei. (NOME DE AMIGO 1), (NOME DE AMIGO 2),
(NOME DE AMIGO 3)...
Jairo: – Eu te vi quando colocava o pênis dentro da boca dela.
Robinho: – Isso não significa transar.
Também foram grampeadas conversas
de Robinho com um de seus amigos. Aqui, identificado como "Amigo 4":
NOME DE AMIGO 4: – Irmão, tive dor de barriga de nervoso, eu me preocupo
por você, amigo.
A resposta de Robinho, segundo a
transcrição das gravações, foi:
– Telefonei a
(NOME DE AMIGO 3), e ele me perguntou se alguém tinha gozado dentro da mulher e
se ela engravidou. Eu disse que não sabia, porque me recordo que eu e você não
transamos com ela porque o seu pênis não subia, era mole... O problema é que a
moça disse que (NOME DE AMIGO 1), (NOME DE AMIGO 2) e (NOME DE AMIGO 3) a
pegaram com força.
A defesa da vítima
A vítima, uma mulher de origem albanesa, diz
que foi à boate em 21 de janeiro de 2013 para comemorar seu aniversário de 23
anos ao lado de duas amigas. No dia, a programação da boate era dedicada à
música brasileira.
Lá, estava Robinho junto a sua eposa e
um grupo de quatro amigos. A violência contra a jovem teria ocorrido dentro do camarim
usado pelo músico Jairo Chagas.
No depoimento à justiça, a vítima disse que
conheceu Robinho dois anos antes do crime – em 2011, em outra boate de Milão.
Disse que em duas oportunidades em que se encontraram, o jogador, na
primeira, pegou a mão dela e colocou em seu abdômen; na
segunda, eles dançaram numa festa, e o jogador “tentou lamber o seu seio”.
Mas ela disse que os episódios não a preocuparam.
Segundo a vítima, um dos amigos de Robinho a
convidou para ir ao Sio Café, mas informaram que só deveria se aproximar
da mesa depois que a mulher do jogador fosse embora.
Assim que isso aconteceu, ela e duas amigas
se juntaram ao grupo de brasileiros, que depois passou a ter também a presença
de Ricardo Falco. Segundo a vítima, os brasileiros ofereceram várias bebidas
alcoólicas, mas apenas ela bebia, pois uma das amigas estava grávida e a outra
estava dirigindo.
Por volta da 1h30 da madrugada,
suas duas amigas foram embora e prometeream voltar para buscá-la. Ela,
então, permaneceu na boate dançando com os amigos de Robinho quando, sem ar e
um pouco "tonta", ela foi para a área externa do local. Lá um dos
acusados no processo que corre à parte tentou beijá-la.
Segundo suas recordações, ela ficou no local
sozinha por alguns minutos e "percebeu" que o mesmo amigo e Robinho
estavam “aproveitando” dela.
– Acredito que
no início estivesse fazendo sexo oral em [NOME DO AMIGO 3], e Robinho
aproveitava de mim de outro modo, e depois eles trocaram de papel, dali não me
recordo mais nada porque me encontrei rodeada pelos rapazes, não sabia o que
acontecia – disse a vítima no depoimento.
Nos dias seguintes ao episódio, a jovem teve
contato com Falco e com um dos outros brasileiros que estiveram na boate
através de mensagens no Facebook e pelo telefone. Ao primeiro, disse que iria
procurar um advogado. Ao segundo, ela chegou a dizer que estava grávida (com a
intenção de "deixá-lo preocupado").


Nenhum comentário:
Postar um comentário