
CEO da empresa afirmou que acredita na
liberdade de expressão na rede social, mesmo ao se tratar de anúncios com
informações falsas em campanhas políticas. Postura desagrada democratas e
republicanos.
O
CEO do Facebook, Mark
Zuckerberg, afirmou em uma entrevista se preocupar com a
"erosão da verdade", mas defendeu a liberdade expressão na rede
social, mesmo em anúncios políticos que contenham informações falsas. A postura
do executivo provocou protestos tanto de democratas quanto de
republicanos que já fazem campanha para as eleições presidenciais de 2020.
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"As
pessoas se preocupam, e eu também me preocupo com a erosão da verdade",
disse ao Washington
Post, antes de um discurso nesta quinta-feira (17) na
Universidade de Georgetown. "Ao mesmo tempo, acho que as pessoas não
querem viver em um mundo onde você só pode dizer dizer coisas que as empresas
de tecnologia decidem ser 100% verdadeiras. Acho que essas tensões são coisas
que temos que conviver".
A abordagem de
Zuckerberg foi criticada nas últimas semanas por políticos dos dois principais
partidos dos Estados Unidos. Os democratas creditaram o discurso à conivência
do CEO perante um anúncio de campanha do atual presidente, Donald Trump,
no qual informações falsas sobre o ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho
Hunter. A senadora de Massachusetts chegou, inclusive, a afirmar satiricamente
que o Facebook apoia Trump na reeleição.
O anúncio sobre
os Bidens fez alegações a respeito da conexão da família com a Ucrânia, um
elemento crítico no inquérito de impeachment do Congresso. A campanha de
Biden pediu ao Facebook para remover o anúncio, descrevendo-o como falso, mas a
rede social recusou. A resposta da empresa provocou tensões entre os candidatos
democratas de 2020, que acusaram o Facebook de lucrar com a
desinformação.
Zuckerberg
dedicou a questão à um debate sobre liberdade de expressão mais amplo, e
alertou os perigos das redes sociais, incluindo o Facebook, estarem
"potencialmente reprimindo demais". Ele citou a China como
exemplo, que censura o discurso político online, e enfatizou que a empresa deve
se opor aos governos que buscam "recuar" a liberdade de expressão
diante de tensões sociais e políticas.
Já
os republicanos sustentaram que a empresa censura usuários conservadores
e sites de notícias, acusação que o Facebook nega há muito tempo. "Muitas
vezes, as pessoas que mais pedem para removermos conteúdos são as primeiras a
reclamar quando o conteúdo removido fica do lado errado de sua ideologia",
disse Zuckerberg.
Durante
o discurso em Georgetown, na quinta-feira, Zuckerberg revelou que a empresa já
considerou proibir anúncios políticos, mas decidiu não seguir
adiante. "Em geral, em uma democracia, acho que as pessoas devem
poder ouvir por si mesmas o que os políticos estão dizendo".
Na semana que
vem, o CEO vai testemunhar em uma audiência no Congresso, que deve tomar
medidas e fará uma revisão sobre as práticas de negócio da empresa. A eleição
presidencial no ano que vem é o fator de urgência à questão. A rede social foi
a principal plataforma de desinformação durante
as campanhas presidenciais da eleição de 2016.
Deepfakes
Especialistas
dizem que as formas de manipulação evoluíram desde então, principalmente com a
chegada de deepfakes.
Um vídeo falso da presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, em que ela
aparece "bêbada" viralizou no Facebook em maio deste ano, e aumentou
a pressão sobre a rede social. Zuckerberg afirmou que está trabalhando para
combater os deepfakes. "Estamos perto de lançar, pelo menos, uma primeira
versão", afirmou o CEO, sem entrar em detalhes.
Ao ser
questionado sobre o incidente com Pelosi, ele concordou se tratar de um
problema sério. "Se algo se torna um grande problemas, no qual não estamos
preparados para enfrentar, isso significa que demoramos muito", disse.
"Acho que temos que descobrir quais deepfakes são atualmente uma ameaça e
quais se tratam apenas de ameaças futuras, para garantir que façamos o
certo".
Medidas
governamentais
Zuckerberg
enfatizou que acredita que o Facebook está em um "lugar muito melhor
agora" para interromper campanhas de desinformação, e citou os
investimentos da empresa em funcionários e inteligência
artificial. Mas também alertou que a desinformação é uma ameaça
que "nunca se pode dizer que vai desaparecer". Nos últimos meses, o
Facebook relatou campanhas contendo informações falsas de países como Irã e
China.
O
CEO culpou a falta de ação do governo dos EUA como parte da razão pela qual o
problema piorou desde a última eleição presidencial. "Infelizmente,
os EUA não tiveram uma resposta particularmente forte à Rússia depois de
2016", disse.
O
discurso de Zuckerberg ocorre sete meses depois que ele emitiu seu pedido
inicial para que os governos adotassem "regras para a internet e gigantes
da tecnologia", incluindo o Facebook. O requerimento tem o intuito de
estabelecer sistemas nos quais nenhuma empresa ou executivo possam determinar o
que é apropriado ou não na internet.
O
Facebook está criando uma espécie de "tribunal" para que os usuários
recorram das decisões da empresa sobre conteúdos desativados. A mensagem de
Zuckerberg em seu discurso, no entanto, soou como um aviso de que reações
exageradas sobre decisões da empresa podem comprometer publicações que devem
ser preservadas. "Em tempos de tensão social, recuamos na expressão e
sempre acreditamos na coisa errada a fazer", afirmou.
Fonte: Washington
Post
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