AOS MENINOS E MENINAS NASCIDOS E VIVIDOS NOS ANOS 1930,40, 50, 60 !!

A Época que Mudou o Mundo

Publicado na Folha de S.Paulo, em 5 de junho de 1966

PARABÉNS  AMIGOS(AS) DOS ANOS, 
30,40, 50 e 60

AOS MEUS AMIGOS(as) DESSAS GERAÇÕES

PARABÉNS... VOCÊ SOBREVIVEU... E EU TAMBÉM... 
PARABÉNS A TODOS

OS MENINOS E MENINAS NASCIDOS E VIVIDOS NOS ANOS
1930,40, 50, 60 !!

Primeiro, sobrevivemos sendo filhos de mães que não faziam préparto, enquanto 'nos esperavam chegar'... Nem elas nem nós, morremos por isso...
Elas tomavam aspirina, comiam queijos curtidos e azulados sem ser pasteurizados, e não faziam teste do pézinho ou de diabete.

E depois do traumático parto, nossos berços eram pintados comtintas a base de chumbo em cores  brilhantes lead-based e divertidas.

Não tínhamos tampinhas protetoras para chupetas ou mamadeiras, nem nos frascos de remédios, portas ou tomadas, e quando andávamos nas nossas bicicletas, não usávamos capacetes, isto sem falar dos perigos que corríamos quando pedíamos caronas.

Sendo crianças, andávamos nos carros sem cintos de segurança, air-bags e não ficávamos só nos bancos de trás...

E andar no bagageiro ou na carroceria de uma pick-up num dia ensolarado de verão era uma diversão premiada. 

Bebíamos água no jardim da mangueira e não de uma garrafa plástica. E era água pura.

Compartilhávamos um refrigerante com outros quatro amigos todos bebendo da mesma garrafa e ninguém que eu me lembre ficou sequer doente por isso.

Comíamos bolos, pão com manteiga e tomávamos refrescos açucarados, mas não ficávamos gordos de ficar lesos, simplesmente porque ESTÁVAMOS SEMPRE BRINCANDO NA RUA, NA CALÇADA, NO QUINTAL OU NO JARDIM, OU NA PRAÇA.

Saíamos de manhã e brincávamos o dia inteiro, desde que voltássemos antes das luzes da rua se acenderem. 

Ninguém conseguia falar com a gente o dia todo, raros os telefones fixos e inexistentes os CELULARES. E estávamos sempre bem; tanto que sobrevivemos. ..

Passávamos horas construindo carrinhos de caixote para deslizarmos morro abaixo e só quando enfiávamos o nariz em alguma arvore é que nos lembrávamos que precisava ter freios. Depois de alguns arranhões, aprendemos a resolver isto também, por nossa conta...

Não tínhamos Playstations, Nintendos, Arquivos X, nenhum vídeo game, nem 99 canais de seriados violentos ou novelas peçonhentas, nenhum filme em DVD ou VT ou VHS, nem sistemas de surround sound, muito menos telefones celulares, ou computadores de bolso, ou Internet ou salas de Chat .......
a m i g o s!!!!!

TÍNHAMOS AMIGOS. . . Íamos lá pra fora e nos encontrávamos ou conhecíamos um novo!  
Caímos de árvores, nos cortávamos, quebrávamos uma canela, um dente, e ninguém processava ninguém por isso. Eram acidentes 
Íamos de bicicleta ou a pé para a casa de algum amigo e batíamos na porta ou tocávamos a campainha ou simplesmente abríamos a porta e entravamos e ficávamos conversando com eles ou brincando. 

Os dentes de leite tinham jogos de teste, mas nem todo mundo passava nem ficava desesperado. Nem os papais interferiam com suas carteiras ou com suas vozes de poder. Tínhamos que aprender ficar decepcionados. Imagine só!! 
Quebrarmos uma lei ou outra não resultava em castigo nem bronca homérica. Eles até estavam sempre ao lado da lei e da ordem... E agora? 

Foram  essas gerações que produziram alguns dos mais aventureiros solucionadores de problemas, inventores e autores de todos os tempos!
  
Tínhamos liberdade, podíamos errar, fracassar, ter sucesso e responsabilidade, e aprendemos que não há nada melhor que ter

NASCIDO LIVRE POIS SÓ ASSIM APRENDEMOS A VIVER E SOBREVIVER!

VOCÊ que está lendo provavelmente é um de nós.

PARABÉNS!
Talvez você queira compartilhar isso com mais um de nós que você conhece e conheceu naquele tempo. No tempo que  tivemos a sorte de ser criança, antes que os advogados, os pediatras e o governo estragassem nossas vidas de vez, nos transformando em bibelôs e barbies,  que nunca jogaram bola de gude, castanha ,fizeram seus próprios estilingues, tomaram banho de chuva correndo pelas calçadas  ...

 ( Não é verdade, os tempos são os mesmos, as pessoas é que mudaram!"....)

 

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