'Economist' alerta Dilma: anemia econômica e risco de recessão

A revista diz que uma recessão técnica não é descartada e que, quanto mais o governo insistir em adiar medidas para corrigir o rumo da economia, mais forte terá de ser a 'dose do remédio'

Para a Economist, o crescimento médio do governo Dilma será de aproximadamente 2%, com inflação de 6%.
Para a Economist, o crescimento médio do governo Dilma será de aproximadamente 2%, com inflação de 6%.(Celso Junior/Reuters)
A revista britânica The Economist, que chega às bancas neste fim de semana, publica reportagem sobre a recente contração da economia brasileira. 
Com o título "A deterioração", o texto chama atenção para o atual cenário econômico de fraco crescimento, inflação persistente e déficit público crescente. Com o aval de economistas, a publicação diz que a recessão técnica não é descartada e que, quanto mais o governo insistir em adiar medidas para corrigir o rumo da economia, mais forte terá de ser a dose do remédio.
"Analistas do mercado financeiro correram para cortar suas previsões já anêmicas de crescimento neste e no próximo ano", diz a revista, ao comentar a reação dos economistas à contração de 0,5% da economia brasileira no terceiro trimestre, anunciado nesta semana. 
"O quarto trimestre também pode registrar uma contração, prevê o banco de investimentos Nomura, o que colocaria o Brasil em recessão técnica", completa a revista.
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A publicação nota que, mesmo que a recessão não seja confirmada, o estrago já foi feito. "Mesmo que isso (a recessão técnica) não ocorra, o veredicto sobre a economia da presidente Dilma Rousseff já parece claro. O crescimento médio será de aproximadamente 2% com inflação de 6%. As finanças públicas se deterioram acentuadamente, e um inchado déficit em conta corrente completa o quadro desanimador", diz o texto.
Ao citar as eleições presidenciais em outubro de 2014, a revista lembra que as medidas para ajustar as contas públicas prejudicariam o crescimento da economia antes que os benefícios macroeconômicos fossem notados. "Por isso, medidas estão sendo adiadas. Mas quanto mais o governo adia, mais profunda será a correção que terá de ser feita e maior o risco de tentar conciliar simultaneamente a inflação, gastos públicos e câmbio".
Sem alardes — Apesar do tom crítico, a Economist reconhece que a situação do Brasil não é de calamidade. "A inflação, embora elevada, não está fora de controle. Um programa de infraestrutura, ainda que com muito atraso, está finalmente em andamento. O desemprego está perto das mínimas históricas. A renda real está aumentando, ainda que não tão rápido como antes. E a popularidade da presidente duramente atingida durante os protestos de junho se recuperou um pouco; nenhum dos adversários mostra sinais de decolar", diz a revista. "A equipe de Dilma Rousseff pode estar correta no julgamento político, mas eles têm pouco espaço para manobra."
(com Estadão Conteúdo)

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