Zuckerberg
reconhece que Facebook foi muito idealista
O CEO da rede
social já está em Washington, onde irá ser interrogado pelo congresso
norte-americano por causa de vários escândalos de privacidade e manipulação O
idealismo do Facebook levou os responsáveis a focarem-se no bem que a rede
social podia trazer e não nas potenciais consequências negativas. 

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É isto que o
cofundador e CEO Mark Zuckerberg vai dizer perante o congresso norte-americano
na quarta-feira (dia 11), quando se sentar na cadeira das testemunhas em
Capitol Hill.
As explicações do líder do Facebook foram publicadas pelo Comité
para a Energia e Comércio da Casa dos Representantes em antecipação à
audiência, que terá transmissão em direto online e no canal de televisão
C-Span.
"O Facebook é uma companhia idealista e otimista. Durante a maior
parte da nossa existência, estivemos focados em todo o bem que conectar pessoas
pode trazer", dirá Zuckerberg aos congressistas.
O CEO falará de como a rede
social deu gás a movimentos como o #MeToo e a Marcha Pelas Nossas Vidas, como
contribuiu para a solidariedade após o furacão Harvey e como é usada por 70
milhões de pequenas empresas para crescimento e criação de emprego.
O ato de
contrição vem a seguir. "É claro, agora, que não fizemos o suficiente para
evitar que estas ferramentas fossem também usadas para o mal", reconhece.
"Isso é válido para as notícias falsas, interferência estrangeira em
eleições e discurso de ódio, bem como programadores e privacidade dos dados",
dirá.
"Não olhámos de forma alargada para a nossa responsabilidade, e isso
foi um grande erro. Foi um erro meu, e peço desculpa. Comecei o Facebook,
lidero-o, e sou responsável pelo que acontece aqui."Zuckerberg enfrentará
o congresso a dois níveis: primeiro, uma audiência conjunta dos comités para o
Comércio, Ciência, Transporte e Judiciário do Senado; depois, audiência do
Comité para a Energia e Comércio da Casa dos Representantes.
O responsável de
34 anos terá de explicar como foi possível que a consultora política Cambridge
Analytica tenha acedido aos dados pessoais de 87 milhões de utilizadores do
Facebook, incluindo portugueses, e a manipulação de entidades russas nas
eleições de 2016.
Outras questões relacionadas com notícias falsas, desinformação
e falta de transparência na publicidade deverão ser levantadas, bem como que
medidas irá a empresa tomar para que isto não volte a acontecer.
"Vai levar
algum tempo para trabalhar em todas as mudanças que temos de fazer, mas estou
empenhado em fazer as coisas certas", dirá o CEO.
Após um resumo do que
aconteceu com a Cambridge Analytica, falará das iniciativas que estão a ser
tomadas, tais como o bloqueio do acesso ao dados por apps que os utilizadores
já não usam há três meses e a restrição dos dados partilhados via interfaces
aplicacionais.
Zuckerberg vai também abordar as eleições de 2016.
"Fomos
demasiado lentos a detetar e responder à interferência russa", admitirá no
testemunho.
O CEO do Facebook já está em Washington e reuniu-se esta segunda-feira
com congressistas em Capitol Hill, incluindo o senador democrata da Flórida
Bill Nelson e os republicanos Chuck Grassley, chairman do comité judiciário do
Senado, e John Thune, chairman do comité do Comércio.
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