Por Natasha Romanzoti, em 12.12.2017
A bióloga
brasileira Flávia Miranda descobriu seis novas espécies de tamanduá-anão,
também chamados de tamanduaí ou tamanduá-seda, a partir de uma única espécie
conhecida deste animal.
A pesquisadora começou a ver diferenças entre
as cores da população da Amazônia e da Mata Atlântica, levantando a hipótese de
que se tratavam de espécies diferentes. Só havia uma reconhecida até então: Cyclopes
didactylus.
A surpresa
Para tirar a dúvida, Flávia e seus colegas da Universidade Federal
de Minas Gerais fizeram dez expedições, não somente no Brasil, mas também no
Suriname, em busca de indivíduos para estudar.
Além disso, a equipe vasculhou museus de
história natural para analisar mais amostras biológicas.
Ao fim de uma década, os cientistas examinaram
amostras de DNA de 33 espécimes selvagens e coletaram informações anatômicas de
mais 280 espécimes de museu.
Seu palpite inicial estava correto: os animais
eram diferentes. Contudo, não eram apenas duas espécies distintas: na verdade,
pode haver até sete tipos diferentes de tamanduás-anões.

Captura e estudo
Em 2005, Flávia descobriu que os cientistas não
tinham certeza se esses animais ainda viviam no nordeste da floresta tropical
da Mata Atlântica, inspirando-a a estudar tais mamíferos enigmáticos.
A primeira dificuldade foi capturá-los. Com no
máximo 50 centímetros de comprimento e noturnos, os tamanduás-anões passam suas
vidas escondidos nos dosséis das árvores, alimentando-se principalmente de
formigas.
A bióloga e seus colegas distribuíram folhetos
em todas as comunidades indígenas do Brasil, contando com suas habilidades em
rastrear, encontrar e capturar tais animais. Foram necessários dois anos até
que os pesquisadores examinassem o primeiro espécime.
Enquanto alguns cientistas já haviam proposto
dividir os tamanduás-anões em um conjunto de subespécies, Miranda começou do
zero, trabalhando a partir do pressuposto de que existia apenas o
Cyclopes
didactylus. Além do
material genético, a equipe realizou medidas do crânio e classificou a
coloração do pelo como formas de distinguir cada espécie.

Avanço e conservação
As análises genômica e anatômica confirmaram
que quatro das subespécies anteriormente propostas eram realmente distintas.
A equipe identificou outras três espécies que nunca antes foram
propostas, para um total de potencialmente sete espécies diferentes.
Enquanto a União Internacional para a
Conservação da Natureza classifica C. didactylus como uma
espécie de menor preocupação, principalmente por ser tão amplamente
distribuída, as novas divisões em sua árvore genealógica questionam tal status.
Os pesquisadores estão agora avaliando a
situação de cada espécie recém-descrita, para que os conservacionistas possam
protegê-las melhor. Miranda suspeita que pelo menos duas das novas espécies
estejam ameaçadas de extinção, sob pressão do desmatamento devido à mineração e
à agricultura.
Kristofer
Helgen, pesquisador de mamíferos da Universidade de Adelaide na Austrália,
disse à National Geographic que este estudo é um bom exemplo dos resultados
surpreendentes que podem surgir quando um animal generalizado que quase nunca
foi estudado em detalhes é examinado com técnicas modernas pela primeira vez.
O estudo foi publicado em 11 de dezembro na
revista Zoological Journal of the Linnean Society. [NatGeo]

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