Arquivos divulgados pela CIA mostram que o terrorista tinha gosto
eclético que ia desde obras esquerdistas a livros sobre controle mental.
Ele tinha especial apreço pela França
Osama bin Laden em um dos vídeos encontrados pelos
soldados americanos em seu esconderijo em Abbottabad, no Paquistão
(Departamento de Defesa dos
EUA/Reprodução/AFP/VEJA)
A
divulgação de títulos da biblioteca e de documentos pessoais de Osama bin Laden
permite olhar para a gestão de uma multinacional jihadista de um homem
obsessivo em matar 'infiéis', mas também de um francófilo com pretensões de
erudito, um fã da pseudociência e um marido apaixonado.
A desclassificação
(retirada da classificação como "documento secreto") pela Agência
Central de Inteligência americana (CIA, na sigla em inglês) de mais de uma
centena de documentos encontrados pelas forças de elite
americana da Navy Seal na guarida de Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão,
revela as muitas facetas de um terrorista que, sobretudo, dispunha de muito
tempo.
Entre
seus 40 livros em inglês estavam dois títulos do linguista e referência da
esquerda Noam Chomsky e "Obama's War", do jornalista Bob Woodward,
famoso por ter revelado, junto com seu colega Carl Bernstein, o escândalo de
Watergate, que derrubou o presidente Richard Nixon, em 1974.
O terrorista
também tinha em sua biblioteca tomos sobre conspirações, como "Bloodlines
of the Illuminati", e livros com teorias sobre programas de manipulação
mental da CIA. Havia ainda na biblioteca pessoal de Bin Laden, títulos sobre o
domínio geopolítico americano, sobre teoria das relações internacionais,
história de guerras e direito internacional.
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O
chefe da Al Qaeda, escondido ali desde 2006, teve tempo de amealhar uma grande
coleção de obras de referência, incluindo uma rara edição do ensaio de Charles
R. Haines do século XIX sobre o cristianismo e o islã na Espanha entre 756 e
1031.
Mas a maior paixão de Bin Laden parece que foram os estudos de história
política e econômica francesa, sobre os quais acumulou mais de vinte
publicações e documentos.
Até agora se desconhecia o afã francófilo do
terrorista mais procurado da história, mas o saudita acumulava tratados sobre
água, gestão de resíduos radioativos, censos territoriais e desigualdade social
na França.
Os
Navy Seals encontraram até um formulário necessário para enviar artigos à
publicação acadêmica "French Culture, Politics, and Society Journal",
embora não se saiba se Bin Laden pretendia expor seu interesse sobre a história
da França com a comunidade acadêmica.
Gestão
terrorista - Mas o que aparentemente
ocupava mais tempo de Bin Laden era o dia a dia da Al Qaeda; o financiamento,
as alianças internacionais, o recrutamento e os ataques contra interesses
americanos. Em um grande número de mensagens, Bin Laden fala de seu medo dos
ataques com drones, de os Estados Unidos espionarem as comunicações por e-mail
e a dificuldade de bater o mais moderno exército do mundo, e previa "uma
longa batalha" com táticas terroristas e bombas suicidas.
Entre
os documentos mais interessantes extraídos da moradia clandestina de Bin Laden
se destaca um pedido cheio de formalidades para recrutar jihadistas e
terroristas suicidas.
Para se somar à Al Qaeda era necessário preencher um
formulário com letras "claras e legíveis", incluir o endereço, quanto
tempo pretendia estar "na terra da jihad" e se desejava
"executar uma operação suicida".
Por essa razão, não é raro que a
última pergunta do formulário de ingresso fosse: "A quem deseja que contatemos
caso se converta em mártir?".
(Da
redação)
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