
“Tremeis, mortais”.
Não foi isso o que ele disse, mas foi o que quis dizer.
Preso na última quarta-feira, dia, 19, no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deu mais um sinal de que pretende fazer delação premiada.
“Eu quero falar, eu vou falar”, afirmou o ex-parlamentar para seus advogados, de acordo com o jornal Valor Econômico.
Cunha, inclusive, já contratou o advogado Marlus Arns, que atua em acordos de delação de empresários na Lava Jato, como Eduardo Leite, Paulo Augusto Santos e Dalton Avancini, da Camargo Côrrea, e do empresário João Bernardi Filho.
Apesar do advogado ter garantido, ao sair da sede da Polícia Federal em Curitiba, que a delação não foi tema da conversa, a possibilidade dele contar tudo o que sabe ganhou força e tem causado um clima de apreensão em Brasília.
Segundo o Valor, a intenção do peemedebista seria depor sem fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Porém, os defensores o alertaram sobre as implicações de uma confissão fora da colaboração.
Processado por corrupção e lavagem de dinheiro.
Cunha está sujeito à uma sentença que, em tese, pode ultrapassar 20 anos, caso o juiz Sérgio Moro opte por condená-lo às penas máximas previstas em tais delitos.
Cunha também já saberia que teria de concordar com o cumprimento de um período mínimo de três anos, em regime fechado, se de fato passasse a ser delator da Lava Jato e se o acordo for homologado.
Para os procuradores da República, a reclusão servia de exemplo para outros políticos que se envolvam em casos de corrupção.
Os investigadores têm documentos e extratos bancários, enviados pela Suíça, que consideram ser suficientes para a condenação do ex-deputado.
E por isso, disse uma fonte ao jornal, Cunha agora quer preserver a família.
De acordo com a publicação, em momentos de raiva, Cunha afirmou repetidas vezes que quer entregar o que sabe sobre Moreira Franco, secretário executive do Programa de Parcerias e Investimentos e disse ainda que tem informações suficientes para “arrebentar com parte do setor privado”.
Não há nenhuma informação oficial sobre uma possível delação de Cunha, mas caso ele venha a falar sabemos que vem chumbo grosso por aí.
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