
Nosso planeta faz
um barulho constante, mas fraco demais para o escutarmos ou sentirmos.
Já falamos aqui
no Hype desse zumbido de baixa frequência.
Descoberto em 1990, os cientistas
o identificaram como vibrações de
movimentos sísmicos contínuos,
muito sutis para serem detectadas sem equipamento especial.
Agora, pesquisadores conseguiram medir e gravar
tal zumbido persistente pela primeira vez, no fundo do mar.
Ideias
A maioria dos movimentos no chão sob nossos pés
não são suficientemente dramáticos para os sentirmos.
Os terremotos, é claro, são a grande exceção,
mas a Terra sofre muito mais tremores do que você poderia suspeitar – cerca de
500.000 por ano, de acordo com o US Geological Survey. Destes, 100.000 são
fortes o suficiente para serem sentidos, e cerca de 100 são poderosos o
suficiente para causar danos.
E, mesmo nos períodos de silêncio entre
terremotos, há ainda alguma trepidação acontecendo.
Desde a década de 1990, os pesquisadores sabem
que a Terra vibra constantemente com uma atividade microsismática, chamada de
“oscilação livre”. Durante anos, a fonte desse zumbido perpétuo intrigou
pesquisadores, com alguns sugerindo que o fluxo de ondas oceânicas que chegam
até o fundo do mar era o responsável, enquanto outros atribuíam a vibração às
colisões entre as ondas oceânicas.
O novo estudo
Finalmente, em 2015, os cientistas determinaram
que ambos os tipos de movimento do oceano desempenhavam um papel na manutenção
dessa vibração planetária.
Porém, enquanto sismólogos registraram e
mediram o zumbido em terra, eles ainda não haviam conseguido capturar o som nas
profundezas do mar – até agora.
Recentemente, uma equipe registrou o som usando
sismômetros esféricos especiais no fundo do Oceano Índico.
Entre setembro de 2012 e novembro de 2013, os pesquisadores
implantaram 57 sismômetros em torno da Ilha La Réunion, a leste de Madagascar,
em uma área de aproximadamente 2 mil quilômetros quadrados.
Sucesso
Usando filtros, redução de ruído e cálculos, os
cientistas isolaram o zumbido dos níveis normais de ruído do oceano gerados
pelo movimento das ondas oceânicas e correntes do fundo do mar, e encontraram
“picos” claros que apareceram consistentemente ao longo do período de estudo de
11 meses.
Esses picos estavam na mesma escala de
amplitude que as medidas do zumbido feitas em terra, na Argélia.
A equipe observou que os picos ocorreram em várias frequências
entre 2,9 e 4,5 mililitros – cerca de 10.000 vezes menor do que o limiar
auditivo humano, que é de 20 hertz.
Capturar esse “murmúrio oceânico” proporcionará
aos cientistas mais dados do que os registros feitos em terra, contribuindo
para a compreensão do interior do nosso planeta.
Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na
revista Geophysical Research Letters. [LiveScience]
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