
Kristalina Georgieva falou sobre as tensões comerciais
entre os países
Fortalecer o comércio internacional é a primeira das
cinco prioridades globais apontadas pela nova diretora-gerente do Fundo
Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, em sua primeira entrevista
coletiva na assembleia anual da instituição. A mudança deve começar pelo
encerramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Ela citou
nominalmente os dois países. Documentos oficiais do Fundo geralmente mencionam
"tensões comerciais".
A perspectiva global
é precária, afirma Georgieva na apresentação de sua agenda política imediata. O
conjunto de riscos, acrescenta, está ligado em primeiro lugar a uma possível
ampliação das tensões no comércio e a crescentes vulnerabilidades financeiras.
Há também o risco, segundo sua análise, de contaminação do câmbio e das
condições monetárias por aquelas tensões. Isso agravaria a desaceleração
econômica já observada na maior parte do mundo.
É preciso, segundo
Georgieva, fazer do comércio um motor do crescimento econômico e da geração de
empregos. Para isso, será necessário valorizar o sistema internacional e
promover a paz no mercado global, acrescentou. Uma escalada na guerra de
tarifas poderá custar 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, havia
indicado dois dias antes a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.
Política monetária
Usar com sabedoria a
política monetária é a segunda recomendação. Isso inclui manter crédito fácil e
juros baixos, levando em conta, ao mesmo tempo, riscos associados ao dinheiro
muito barato. Mantida por muitos anos, a política frouxa dos grandes bancos
centrais estimulou a economia, mas favoreceu operações arriscadas e incentivou
o endividamento. Maior vulnerabilidade a choques financeiros é uma das
consequências, como já apontaram estudos do FMI.
Mover a economia por
meio de incentivos fiscais, onde houver espaço para isso, é a terceira
prioridade.
A quarta é avançar
em reformas estruturais, para tornar as economias mais seguras, mais produtivas
e com maior potencial de crescimento. Será preciso dar atenção às mudanças
tecnológicas e a seus efeitos no emprego e atenuar os custos sociais da
transformação.
Fortalecer a
cooperação internacional é a quinta recomendação, um tema repetido em todas as
manifestações de economistas e dirigentes do Fundo Monetário Internacional
nesta semana.
Cooperação e
multilateralismo estão associados a todas as linhas de ação valorizadas no
pronunciamento da diretora-gerente Kristalina Georgieva. O pano de fundo, o
sistema multilateral sob ataque dos novos governos populistas e nacionalistas,
foi mantido como um dado implícito. Esse pano de fundo inclui o abandono do
Acordo de Paris sobre o clima e o risco de enfraquecimento da Organização
Mundial do Comércio (OMC).
Modernização
Para fortalecer o
sistema comercial baseado em regras será preciso, segundo Georgieva,
modernizá-lo com abertura maior nas áreas de serviços e de comércio eletrônico.
Também será necessário dar maior atenção a normas para subsídios agrícolas e
industriais, investimentos e transferência de tecnologia. Com sua experiência
em cooperação monetária e cambial, o Fundo está preparado, segundo a
diretora-gerente, para trabalhar com a OMC na promoção de um sistema comercial
mais eficiente.
Mudança climática
também aparece como um tema importante na agenda política da nova diretora. O
trabalho já iniciado envolve, entre outros pontos, o assessoramento sobre
formação de preços para o carbono e outros instrumentos destinados a facilitar
a transição para uma economia mais verde. No folheto de dez páginas com a
agenda política de Georgieva alguns tópicos especiais são destacados com fundo
azul. A atenção às questões climáticas é um deles.
As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.

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