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| Cientistas da Universidade de Boston descobriram que, durante o sono, o cérebro exibe ondas de oxigenação do sangue (vermelha), seguidas por ondas de líquido cefalorraquidiano (azul). (Créditos da imagem: Laura Lewis/Universidade de Boston).
Novo estudo revela as primeiras imagens da limpeza
feita pelo líquido cefalorraquidiano dentro e fora do cérebro durante o sono.
Novas
pesquisas da Universidade de Boston sugerem que, enquanto você dorme, algo
incrível acontece dentro do seu cérebro. Seus neurônios vão ficar quietos e,
alguns segundos depois, o sangue fluirá da sua cabeça. Então, um líquido aquoso
chamado líquido cefalorraquidiano (LCR, na sigla em inglês) fluirá, lavando seu
cérebro em ondas rítmicas e pulsantes.
O
estudo, publicado em outubro na Science, é
o primeiro a ilustrar que o LCR do cérebro pulsa durante o sono e que esses
movimentos estão intimamente ligados à atividade das ondas cerebrais e ao fluxo
sanguíneo.
“Sabemos
há algum tempo que existem essas ondas elétricas de atividade nos neurônios”,
disse Laura Lewis, da Universidade de Boston. “Mas, até agora, não percebemos
que também existem ondas no LCR”.
A
pesquisa também pode ser o primeiro estudo a capturar imagens do LCR durante o
sono. E Lewis espera que um dia leve a insights sobre uma
variedade de distúrbios neurológicos e psicológicos frequentemente associados a
padrões de sono interrompidos, incluindo o autismo e a doença de Alzheimer.
O
acoplamento das ondas cerebrais com o fluxo sanguíneo e do LCR também pode
fornecer informações sobre deficiências normais relacionadas à idade. Estudos
anteriores sugeriram que o fluxo no LCR e a atividade de ondas lentas ajudam a
remover proteínas tóxicas que prejudicam a memória do cérebro. À medida que as
pessoas envelhecem, seus cérebros geralmente geram menos ondas lentas. Por sua
vez, isso pode afetar o fluxo sanguíneo no cérebro e reduzir a pulsação do LCR
durante o sono, levando a um acúmulo de proteínas tóxicas e a um declínio nas
habilidades de memória. Embora os pesquisadores tendam a avaliar esses
processos separadamente, agora parece que eles estão intimamente ligados.
Para
explorar ainda mais como o envelhecimento pode afetar o fluxo sanguíneo de
sangue e LCR no cérebro, Lewis e sua equipe planejam recrutar adultos mais
velhos para o próximo estudo, já que as 13 pessoas do primeiro estudo tinham
entre 23 e 33 anos. Eles também informaram que esperam criar um método mais favorável
ao sono capaz de gerar imagens do LCR. Usando bonés de eletroencefalograma para
medir as ondas cerebrais, os 13 indivíduos foram encarregados de dormir dentro
de uma máquina de ressonância magnética extremamente barulhenta, o que, como
qualquer pessoa que tenha realizado uma ressonância magnética pode imaginar,
não é fácil.
“Temos
muitas pessoas empolgadas para participar do estudo porque querem ser pagas
para dormir”, contou Lewis rindo. “Mas acontece que o trabalho deles é quase a
parte mais difícil do nosso estudo. Temos todo esse equipamento sofisticado e
tecnologias complicadas, e muitas vezes um grande problema é que as pessoas não
conseguem adormecer porque estão um ‘ambiente estranho’”, disse.
Mas,
por enquanto, ela está feliz por ter registrado fotos do LCR. Um dos resultados
mais fascinantes desta pesquisa, segundo ela, é que os pesquisadores podem
dizer se uma pessoa está dormindo ao examinando um pouco do LCR em uma
tomografia cerebral.
À
medida que a pesquisa continua, a equipe de Lewis tem outro quebra-cabeça que
eles querem resolver: como exatamente as ondas cerebrais, o fluxo sanguíneo e o
LCR estão coordenando tão perfeitamente um com o outro? “Vemos que a mudança
neural sempre parece ocorrer primeiro e, em seguida, um fluxo de sangue
acontece acompanhado por uma onda de LCR”, explica Lewis.
Uma explicação pode ser que, quando os neurônios se
desligam, eles não precisam de muito oxigênio, então o sangue sai da área. À
medida que o sangue sai, a pressão no cérebro diminui e o LCR flui rapidamente
para manter a pressão em um nível seguro.
“Mas essa é apenas uma possibilidade”, explica
Lewis. “Quais são os elos causais? Um desses processos está causando os outros?
Ou há alguma força oculta que está dirigindo todos eles?” questiona a
pesquisadora. [Universidade de
Boston].
Referência:
1. FULTZ,
Nina E. et al. “Coupled
electrophysiological, hemodynamic, and cerebrospinal fluid oscillations in
human sleep”; Science, 2019. Acesso em: 20 jan. 2019.
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CIÊNCIA ◘ VIDEO MOSTRA LIQUIDO CEFALORRAQUIDIANO LIMPANDO O CÉREBRO DURANTE O SONA.
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