
Os criadores de
conteúdo no YouTube, de comentaristas de games a Perez Hilton, começaram a reclamar depois de
perceber que a plataforma está desmonetizando qualquer conteúdo que mencione o
coronavírus.
O YouTube sabe bem
que os anunciantes não querem que suas marcas sejam associadas à desinformação, e a empresa diz que não
consegue filtrar proativamente as 500 horas de vídeo que são enviados a cada
minuto para identificar esse tipo de conteúdo.
Por outro lado,
pequenos criadores dizem estar sentindo que isso é mais uma lei da mordaça da
plataforma, que há muito mima seus Logan Pauls e deixa os pequenos
abandonados à própria sorte.
Tom Leung, diretor
de gerenciamento de produtos do YouTube, anunciou publicamente no mês passado que
a empresa classificou o coronavírus como um “evento sensível” e que, a partir
de agora, todos os vídeos focados no assunto serão desmonetizados “até novas
instruções”. “Eventos sensíveis” incluem crises globais de saúde, ataques
terroristas e conflitos armados.
Em 2016, a
classificação de “eventos sensíveis” causou alvoroço com a hashtag #YouTubeIsOverParty, que apareceu quando os
criadores começaram a receber notificações por e-mail informando que “assuntos
controversos ou sensíveis”, como tragédias naturais, seriam desmonetizados,
pois o conteúdo era considerado “não amigável para anunciantes”.
Então, as pessoas estão fazendo o possível para desviar do
algoritmo.
Linus Sebastian,
que tem um canal para testar aparelhos, abriu seu episódio mais
recente com: “No vídeo de hoje, não vou comentar diretamente as notícias
recentes relacionadas à saúde porque: a) Eu não sou um profissional médico, e
b) Não preciso que meu vídeo seja desmonetizado”.
O episódio, que
explica por que as pessoas deveriam comprar computadores agora, descreve a
recente interrupção da cadeia de suprimentos na China. A causa é um fenômeno
sem nome. O episódio tem anúncios antes do vídeo e no meio dele.
Esse tipo de
solução alternativa pode não ser tão fácil para pessoas como o comentarista
político David Pakman, que, por razões óbvias, precisa discutir os eventos
atuais. Ele criticou o YouTube por priorizar a mídia
corporativa. Pakman disse ao Gizmodo que ele não ignorará o assunto.
“Prefiro não dizer
muito sobre as técnicas que estamos usando [para evitar desmonetização], pois
isso pode chamar a atenção para elas”, disse ele. “Mas tomamos a decisão de não
restringir a cobertura da questão por causa apenas da desmonetização, já que
considero que a questão é de significativa importância para a saúde pública.”
O YouTube não
respondeu ao pedido de comentário do Gizmodo, mas a empresa disse ao Verge que os canais dedicados a
cobrir assuntos sensíveis ainda “deveriam” ter permissão para coletar receita
com anúncios de conteúdo relacionado ao coronavírus.
No entanto, isso não se reflete na plataforma e, dada a imensidão do conteúdo, a ideia de que o YouTube classificará retroativamente os canais caso a caso soa como uma ilusão para criadores menores que já passaram por esse circo antes.
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