Ameaçada na Justiça, candidatura de Padilha patina na largada

Impedido de disputar as eleições, deputado Luiz Moura conseguiu liminar na Justiça que anula a convenção estadual que lançou Padilha. PT vai recorrer

Felipe Frazão
O candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT)

TROPEÇOS – O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT): começo difícil (Renato Silvestre/Folhapress)

No dia 15 de junho, quando o PT oficializou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, dirigentes do partido se revezaram ao microfone na convenção estadual para conclamar a militância a enfrentar uma campanha difícil. O ex-presidente Lula falou em eleições "atípicas e perigosas". A ministra da Cultura, Marta Suplicy, anunciou "o embate mais o duro da trajetória petista". Para Alexandre Padilha, ao menos a largada da campanha ao governo paulista já confirmou o prognóstico.

Estacionado no patamar de 3% das intenções de voto, segundo a mais recente pesquisa Datafolha, Padilha foi abandonado por partidos aliados às vésperas da eleição, o que custará minutos importantes na propaganda eleitoral na televisão, com início no dia 19 de agosto. Internamente, a campanha petista tem dificuldade em definir uma estratégia: as caravanas no interior feitas nos últimos meses não deram resultado e, na capital, os índices de aprovação do prefeito Fernando Haddad – só 17% – não ajudam.  

Não bastassem os percalços na largada, Padilha agora tem a candidatura ameaçada por uma liminar judicial que anulou a convenção estadual que o lançou à disputa do Palácio dos Bandeirantes. No domingo passado, o site de VEJA informou que o deputado estadual Luiz Moura, proibido de disputar as eleições pela sigla, conseguiu uma liminar anulando a suspensão imposta pelo PT. A extensão da decisão judicial concedida a Moura, entretanto, foi ainda maior: o juiz Fernando Oliveira Camargo, responsável pelo plantão no final de semana, cancelou a convenção estadual petista, que chancelou o nome de Padilha e de todos os candidatos paulistas do partido a cargos no Legislativo.

Leia também: O explosivo braço político do PT no mundo dos perueiros

Apesar da avaliação de que Moura representava "uma carga explosiva" para o partido e, consequentemente, para a campanha de Padilha, o PT foi surpreendido pela liminar judicial. Em nota, o presidente estadual do partido, Emídio de Souza, afirmou que o PT irá recorrer da decisãoJá o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, apressou-se em dizer que "não há risco" à candidatura de Padilha. "Não há nenhuma razão para anular a convenção, não tememos que isso venha a ocorrer", declarou.

Questionado nesta terça sobre o caso, Padilha afirmou que "o PT já deu fim nisso, quando tomou atitude correta, rápida e ágil de realizar a suspensão, confirmada numa convenção democrática com vários delegados". "O PT tem segurança jurídica. A Justiça vai ver os procedimentos jurídicos corretos que o PT adotou na sua convenção."

Luiz Moura foi suspenso do PT por sessenta dias depois que veio a público a informação de que ele havia sido flagrado por policiais em uma reunião com sindicalistas na garagem de uma cooperativa, na qual também estavam dezoito membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apuravam os ataques incendiários a ônibus na cidade.

No Legislativo, a Assembleia de São Paulo tem protelado a abertura de processo disciplinar para apurar a conduta do petista.

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