No Brasil, o melhor horário para observar o fenômeno será assim que a Lua nascer no dia 10 de agosto, por volta das 18 horas
Cristo Redentor durante o fenômeno superlua, no Rio de Janeiro - AFP/VEJA
Uma superlua, nome dado a um fenômeno em que a Lua aparece maior e mais brilhante no céu, poderá ser vista neste domingo. No Brasil, o melhor horário para observá-la será assim que o satélite nascer no dia 10 de agosto, por volta das 18 horas, na direção leste.
A superlua acontece quando o perigeu lunar, ponto da órbita no qual o satélite está o mais próximo possível da Terra, coincide com o ápice da Lua cheia. O fenômeno deste domingo é considerado especial porque a diferença de tempo entre esses dois pontos (o de menor distância em relação à Terra e o máximo da fase cheia) será de menos de 30 minutos, o que significa que vão ocorrer de forma quase simultânea. "Essa diferença de meia hora vai se repetir apenas em 25 de novembro de 2034", afirma Gustavo Amaral Lanfranchi, coordenador do curso de Mestrado em Astrofísica da Universidade Cruzeiro do Sul. Nas outras duas superluas deste ano, uma em julho e outra em setembro, a período foi de, respectivamente, 21 e 22 horas.
Maior e mais brilhante — No domingo, a Lua ficará a 356.896 quilômetros da Terra, enquanto a distância média é de aproximadamente de 380.000 quilômetros. A expectativa é que o satélite aparente estar 14% maior e 30% mais brilhante que em uma lua cheia convencional. O ápice da superlua vai ser às 15h09 (em Brasília), quanto a Lua ainda não pode ser vista no Brasil, mas o efeito permanecerá durante a noite.
A recomendação é observar o satélite no início da noite, para aproveitar uma "ilusão de ótica" que a faz parecer maior. "Quando observamos a Lua na linha do horizonte ela costuma parecer maior, porque temos pontos de referência, como árvores e prédios, que criam uma escala de comparação", explica Rundsthen Vasques de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ. Para a próxima superlua, em 9 de setembro, o ponto máximo está previsto para as 22h38, no horário de Brasília.
Leia também:
Previsão do tempo — As condições climáticas para a observação do fenômeno estarão favoráveis no domingo para a maior parte do Brasil. De acordo com César Soares, meteorologista da Climatempo, o tempo estará aberto na região Centro-Oeste e na maior parte do Norte. No Sul, no Rio Grande do Sul e na região serrana de Santa Catarina pode haver dificuldade, em virtude de uma frente fria que deve causar a aparição de nuvens no céu. Na região Sudeste, a frente fria prejudica a faixa entre o sul do Espírito Santo e o norte do Rio de Janeiro e, no Nordeste, do litoral de Alagoas até o leste de Pernambuco o vento úmido vindo do mar pode provocar chuvas durante a noite do domingo.
Eclipses solares
Dois elipses solares estão previstos para 2014, mas eles poderão ser conferidos no Brasil apenas por fotos. O primeiro vai escurecer o céu da Austrália em pleno dia, em 29 de abril. Será um eclipse anular, fenômeno em que a Lua entra na frente do Sol e não o cobre totalmente, deixando um anel de luz ao seu redor. Isso acontece porque a Lua estará em um ponto mais distante da Terra, fazendo com que o satélite pareça menor para nós. À luz do dia, animais começarão a agir como se começasse a anoitecer e estrelas poderão ser vistas no céu.
Chuvas de meteoros
Esses fenômenos anuais acontecem quando a Terra atravessa uma região que já foi (ou ainda é) trajeto de um cometa. Isso porque, ao se aproximar do Sol, o cometa perde matéria e deixa um rastro pelo caminho. Quando essa matéria entra na atmosfera da Terra e queima, ela se torna uma chuva de meteoros.
Os principais episódios vistos do Brasil serão Eta Aquarídeos, em 5 de maio; Delta Aquiarídeos, em 28 de julho; Orionídeos, em 22 de outubro; e Geminídeos, em 13 de dezembro. O fenômeno é visível a partir da meia-noite – antes do amanhecer é o melhor horário para avistá-lo – sempre na direção Leste.
Segundo Gustavo Rojas, é preciso olhar para o céu bastante tempo para avistar as chuvas, pois os meteoros podem aparecer em intervalos de tempo longos. Se a Lua iluminar o céu, a visão será prejudicada. As chuvas dos Eta Aquarídeos, em maio, e a dos Orionídeos, em outubro, ocorrem em virtude da passagem pelo rastro deixado pelo cometa Halley
Planetas em oposição
Quando um planeta está em oposição em relação ao Sol, é o melhor momento para observá-lo. Aqui da Terra, conseguimos ver a oposição de Marte, Júpiter e Saturno, que ficam visíveis, cada um no seu período de oposição, durante toda a noite. Urano e Netuno, mesmo ficando mais brilhantes, não atingem o nível suficiente para serem vistos a olho nu, enquanto Mercúrio e Vênus, por estarem mais perto do Sol do que a Terra, nunca ficam em oposição para nós – embora ambos sejam normalmente visíveis.
Para observar um planeta em oposição, deve-se olhar, no começo da noite, na direção Leste, onde o Sol nasce. O ponto mais brilhante será o planeta. Marte fica em oposição no dia 8 de abril, e Saturno em 10 de maio. O período de oposição de Júpiter aconteceu no início desse ano, em 5 de janeiro. O fenômeno é mais visível duas semanas antes e depois da data fixada.
Cometa Siding Spring
O cometa esperado para 2014 não vai passar perto da Terra, mas de Marte. Trata-se do Siding Spring, que foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught.
A princípio, pensava-se que ele poderia colidir com o planeta vermelho, mas a Nasa já considera essa hipótese praticamente descartada: em abril no ano passado, a chance de colisão foi estimada em uma para 120 000. A aproximação máxima do cometa a Marte está prevista para 19 de outubro, quando ele estará a 110.000 quilômetros do planeta. "Essa distância equivale a pouco mais de um terço da existente entre a Terra e a Lua. Nunca houve um cometa passando tão perto assim da Terra", explica Gustavo Rojas.
A passagem do Siding Spring pode envolver Marte em uma nuvem de poeira e pequenas rochas liberadas pelo cometa, o que pode provocar um efeito visual bonito, mas também causar danos aos equipamentos que orbitam o planeta vermelho, como a sonda Mars Orbiter, lançada em novembro do ano passado pela Organização de Pesquisas Espaciais da Índia e os robôs exploradores Opportunity e Curiosity.
Sonda Rosetta
O ano de 2014 prevê uma grande inovação para a ciência espacial: a sonda Rosetta, desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) vai realizar o primeiro pouso em um cometa. Em 20 de janeiro, Rosetta foi reativada, depois de 957 dias "hibernando" no espaço. Lançada em 2004, ela vai se aproximar em agosto do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e, depois de analisar sua superfície, vai liberar a sonda Philae, que deve pousar na superfície do cometa em novembro deste ano. Rosetta vai acompanhar o cometa em sua viagem em direção ao Sol, para monitorar as mudanças que acontecerão no corpo celeste durante este trajeto, até que ele atinja o ponto mais próximo do Sol, em agosto de 2015. Por serem "sobras" da formação do nosso Sistema Solar, a composição dos cometas pode dar pistas importantes sobre o surgimento da vida na Terra e a evolução do Universo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário